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Mombojó e Nação Zumbi em grande encontro no Citibank Hall

10/06/2008

O maestro Severino Araújo, da Tabajara


O Mombojó, uma das mais talentosas bandas da nova geração, abre o show da Nação, em turnê de lançamento do sexto álbum: "Futura"

Flávia Guerra

SÃO PAULO - Os fãs estão chamando de Grande Encontro o show que a Nação Zumbi e o Mombojó fizeram nesta sexta-feira no Citibank Hall. As duas bandas pernambucanas vêem a brincadeira com bom humor. O Mombojó, uma das mais talentosas bandas da nova geração, abriu o show da Nação, em turnê de lançamento do sexto álbum: "Futura", sem dúvida o mais sofisticado e maduro de sua carreira. Mas que fique claro: o poder da Nação, já definida pelo Estado como a ´mais poderosa´ da atualidade, não está nas campanhas de divulgação nem no poder do lobby. O poder está no som. E isso basta.

Jorge Du Peixe, que comanda os vocais da Nação, não gosta do termo ´abrir´. "Todo mundo toca junto. Somos parceiros." Chiquinho, responsável pelos teclados e samplers do Mombojó, agradece: "Ouvir Du Peixe falar assim é motivo de orgulho. Apesar de a gente fazer muita coisa junto, nossa relação ainda é de fã e ídolo. Eles são referências eternas para a gente, que ouve o som desde a época do Maracatu Atômico."

Por falar em maracatu, a Nação não toca mais maracatu de baque virado (o gênero urbano do maracatu). "Nem de baque virado, nem de baque solto. Nós estamos mudando sempre", comenta Du Peixe diante da questão. "Mas nunca deixamos a percussão em segundo plano. Simplesmente trouxemos outros elementos. Demos mais espaço para que todos pudessem entrar no disco. Há uma percussão mais contida, mas não quer dizer que esteja em segundo plano."

Neste trabalho, os rapazes contaram com a contribuição preciosa do produtor americano Scotty Hard. "Scotty tem esse estilo minucioso de mixar. Corta um instrumento aqui para dar espaço para outro", explica Du Peixe. Por isso, "Futura" foge do clichê do som de ´um bloco só´. Tem nuances, que podem ser descobertas a cada audição, incluindo a tão importante percussão. "Não é o caso de abolir. O baque vai estar sempre ali. A gente já cansou de dizer que não formamos uma banda de percussão. Nem de maracatu. Usar a batida é direito nosso, é da nossa cultura. Assim como o frevo e o coco, mas às vezes aparece de uma maneira implícita. As pessoas nos cobram muito isso, talvez comparando com os primeiros discos, mas há um curso natural de mudança", defende o vocalista. "Temos um baque nosso, o baque de arrodeio, que faz uma brincadeira com a palavra loop em inglês. Brincamos com o maracatu de uma maneira orgânica, uma perspectiva nossa. Quando se fala em Recife, só se fala em maracatu. É preciso conhecer outras coisas. Isso satura."

Por tudo isso, a banda, compreensivamente pouco afeita a dar muitas explicações sobre seus discos, consolida hoje este novo trabalho. "Com o tempo, fomos digerindo o disco atual, adaptando. Estamos num ponto alto, tocando muito fora e no Brasil, fazendo ajustes mínimos, mas que fazem efeito. E a sintonia entre nós e o público tem sido boa", comenta Du Peixe.

O tom minimalista, lisérgico, a viagem psicodélica em branco e preto de Futura tem sido digerida e aprovada pelo público, sempre tão afeito ao baque forte da banda. "Ter tido esse tempo para cair na estrada e afinar o disco é importante. Até nós mesmos, que estamos muito dentro do disco, temos de sair um pouco para ver de outra perspectiva", diz Du Peixe, que promete levar para o palco hoje uma versão mais reggae da clássica ciranda A Praiera, e até Beatles.

O Mombojó também já dá provas de que não precisa provar mais nada a ninguém e mostra mais uma vez seu ótimo "Homem-Espuma". Assim como a Nação, os músicos não precisam mais apelar para clichê de afirmar sua pernambucanidade a cada acorde. "Não há comparação entre "Futura" e "Homem-Espuma", mas Lúcio Maia (guitarrista) produz três faixas do nosso disco. E Jorge fez a nossa capa. De certa forma, temos muito em comum", comenta Chiquinho, que está feliz com a repercussão do novo clipe da banda, O Mais Vendido, na MTV. "Fiquei surpreso de um clipe nosso concorrer com nomes como Marisa Monte e Los Hermanos."

(© Agência Estado)


As cordas voltam a se encontrar

O Teatro Santa Isabel é o palco, pelo quarto ano seguido, do Encontro de violões & bandolins do Recife, hoje e amanhã

MARCOS TOLEDO

O ano de 2006 está sendo bastante lembrado pelo sesquicentenário do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), mas muito pouco pelo centenário de nascimento de um dos maiores nomes da música brasileira, o pianista, compositor, arranjador e regente Radamés Gnatalli (1906-1988). Na tentativa de corrigir este erro, o Encontro de violões & bandolins do Recife, que acontece hoje e amanhã no Teatro Santa Isabel, presta uma justa homenagem ao maestro gaúcho.

O festival, que tem início às 20h nos dois dias, traz nesta sua quarta edição o violonista recifense radicado no Rio de Janeiro Caio Cézar, o grupo paulista Choronas, o violonista cerense Nonato Luiz e o violinista francês que adotou o Brasil como sua segunda Pátria Nicolas Krassik – o que deixa claro que a proposta do evento vai muito além dos instrumentos mencionados em seu título. A prata da casa é representada pelo conjunto Violões de Câmera, que é dirigido pelo violeiro e professor Cláudio Moura, e pela Orquestra Retratos do Nordeste, comandada pelo bandolinista e maestro Marcos César.

Em seu quarto ano, o Encontro de violões & bandolins do Recife começa a se firmar como mais uma vitrine para a efervescente cena da música instrumental pernambucana. Em anos anteriores, o festival trouxe ao Recife nomes importantes desse estilo no cenário nacional, como os bandolinistas Hamilton de Holanda e Nilze Carvalho, os violonistas Pedro Amorim, Maurício Carrilho e João Lyra, o pianista Cristóvão Bastos e o guitarrista Paulo Rafael. Ao mesmo tempo, permitiu que talentos locais como o guitarrista Luciano Magno, o violonista Lalão e grupos como o Sexteto Capibaribe, Choro Brasil, Arabiando e a Contrabanda dividissem o mesmo palco em condições semelhantes às feras do resto do País.

Desta vez, a cena da música instrumental local mostra seu virtuosismo com o grupo Violões de Câmera e a Orquestra Retratos do Nordeste. O primeiro, coordenado pelo instrumentista e arranjador Cláudio Moura (SaGrama, Nenéu Liberalquino Trio), é formado por professores e alunos do Conservatório Pernambucano de Música (CPM) e do Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo). O conjunto traz em seu repertório temas da nata de autores nacionais, a exemplo de Edu Lobo, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, João Pernambuco, Luiz Gonzaga e Pixinguinha. Já a Orquestra Retratos, projeto pessoal do também professor Marco César, mostra um programa formado a partir de um estudo profundo sobre a música nordestina popular e erudita.

O violonista, compositor e arranjador Caio Cézar, também é recifense, porém, radicado no Rio de Janeiro desde 1987. Em seu repertório, ele privilegia a cantoria do violão brasileiro. Entre os principais mestres que permeiam sua obra estão os também violonistas Canhoto da Paraíba e João Pernambuco.

O grupo paulista Choronas tem como principal peculiaridade o fato de ser um conjunto formado apenas por mulheres. Aos mais céticos vale lembrar que muitos homens gostariam de ter o talento musical dessas “meninas”, que já têm uma carreira de 12 anos juntas. Além do choro, o quarteto interpreta ritmos como baião, maxixe e samba.

Nonato Luiz, violonista e compositor cearense, é um daqueles músicos virtuosos que possuem amplo conhecimento de seu instrumento. Suas incursões violonísticas vão do clássico, passando pelo flamenco até a música popular brasileira, em especial a nordestina, sempre com muita seriedade e bom gosto.

Por fim, há a figura do violinista Nicolas Krassik. De formação erudita voltada para o jazz, o músico francês veio para o Brasil há cinco anos em busca de novas sonoridades. Inserido na cena carioca do bairro da Lapa, conquistou o reconhecimento de músicos brasileiros e fixou residência no Rio de Janeiro.

(© JC Online)

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