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A “branquinha” sem segredos

10/06/2008

Pesquisador pernambucano radicado na Alemanha lança hoje, no Restaurante Leite, livro no qual desvenda o rico universo da cachaça

O centenário Leite abre suas portas hoje à noite, excepcionalmente, diga-se de passagem, para receber os casados, os amantes, os ficantes ou aqueles que estão, ainda, só de flerte com a cachaça. É lá que acontece o lançamento do livro Cachaça, o mais brasileiro dos prazeres, de autoria do engenheiro-cachacista pernambucano Jairo Martins da Silva. A bebida destilada mais consumida do Brasil nada tem de “marvada” e popularesca, está presente em todas mesas, de todas as classes. O próprio autor do livro em questão confirma a hipótese da abrangência social: ele é o vice-presidente na Siemens A.G., em Munique, de vendas e serviços de telecomunicações para as Américas e Europa Latina, que se tornou expert no assunto.

E os números contribuem para acabar de vez com os preconceitos contra a “distinta”, “ela”, “garapa-doida”, “lágrima de virgem”, “Iaiá-me-sacode” ou tantos quantos forem os nomes e apelidos à ela aplicados. O fato é que a cachaça é a segunda bebida mais consumida no País (1,5 bilhão de litros por ano), perdendo apenas para a cerveja. Já exportamos algo em torno de US$ 19 milhões (dados de 2003) e, ao que tudo indica, as cifras só aumentam.

O livro trata o assunto como um todo – da história, geografia e sociologia até o serviço e degustação da cachaça. Sobre a harmonização, o autor afirma que “uma boa cachaça é saborosa por si só, mas para aproveitá-la ao máximo é preciso que haja harmonia perfeita com a companhia, o ambiente, com a comida, com o clima e o momento” – o que prova que o ritual de degustação não está restrito aos enólogos e mestres cervejeiros.

Uma dica de ouro: Sempre comer alguma coisa para evitar reações hipoglicêmicas e também beber muita água durante o processo para compensar o poder desidratante do álcool. Entre os pratos que vão bem com a “entorta-pé”, estão o tambaqui na brasa, pato no tucupi, carne-de-sol, moqueca capixaba, lagosta à moda cearense, feijoada pernambucana, barreado, tainha recheada e churrasco à gaúcha. Assim como o nobre vinho, a cachaça também não se mistura com todo mundo. Ainda segundo Jairo Martins, nunca convide para a mesma mesa a branquinha e pratos italianos como lasanha, macarronada e pizzas. Já os sushis e os sashimis também vão bem com uma “fogosa gelada”, embora se saiba que a cachaça perca muitos de suas propriedades quando servida a temperaturas muito baixas.

No capítulo batizado de drincologia há receitas de vários drinques como batida de água-de-coco, de banana, de café, de licor de cacau. Tem ainda o passo-a-passo para se preparar um autêntico quentão, uma pernambucana cana caiana (1 dose de cachaça, suco de ½ limão, 150ml de caldo de cana, 40ml de suco de abacaxi, gelo à vontade. Misture tudo e sirva).

Lançamento do livro Cachaça, o mais brasileiro dos prazeres. Editora Anhembi Morumbi, 213 páginas, R$ 59. O evento ocorre hoje, às 19h, no Restaurante Leite, na Praça Joaquim Nabuco, 147, Santo Antônio, fone: 3224-7977

(© JC Online)

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