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10/06/2008
Semana de artes visuais do Recife termina amanhã à noite e tem programação intensa até lá OLÍVIA MINDÊLO Debates, performances, intervenções urbanas, exposições, mostras de vídeo e show. Ainda dá tempo para acompanhar a programação intensa da edição 2006 da Semana de artes visuais do Recife – SPA das artes, que termina amanhã à noite com um grande encontro no Pátio de São Pedro, o conhecido Saldão. A contagem regressiva para o final do evento, promovido pela Prefeitura do Recife em parceria com várias instituições, já dá largada hoje mesmo, até porque alguns trabalhos não entram mais em cena amanhã. As próprias oficinas, realizadas em vários locais da cidade, acabam as aulas nesta tarde. Um delas, a de Fotografia e memória, norteia o debate que abre a agenda desta sexta-feira, às 10h, na Praça do Arsenal, no Edifício Western, ponto de referência do SPA este ano. Na ocasião, os seis oficineiros e fotógrafos, entre eles Ricardo Peixoto (PB), Carlos Casleteira (França) e Vládia Lima (PE), falam sobre as experiências com imagem vivenciadas com os alunos dos bairros das seis Regiões Político-administrativas (RPAs) do Recife, desde a segunda passada. As aulas práticas giraram em torno do tema memória e realidade, trabalhado de diferentes maneiras por cada um dos professores. O resultado dessas oficinas vem à tona durante o debate hoje e amanhã, com as exposições nas RPAs, a partir das 9h, e um varal de fotografia no Saldão, às 16h. As mostras nos bairros vão reunir cinco imagens produzidas nas seis RPAs, num total de 30 fotos, que se propõem a apresentar um pouco da cidade, a partir do tema memória. Segundo Matheus Sá, coordenador de fotografia de evento, algumas turmas preferiram abordar personagens das comunidades, enquanto outras optaram pela paisagem local. “A intenção é enfatizar a troca de idéias e a aproximação entre diferentes pessoas, promovendo um diálogo entre elas”, explica. Já o varal vai exibir amanhã cerca de 100 imagens, duas de cada aluno, a maioria jovens carentes da periferia. Quanto às performances, o público tem a chance de ver ou rever hoje os trabalhos da artista Christina Machado (PE), Invocação: artérias II, no Pátio de São Pedro e arredores, Às 15h, e Labor adictor, de Shima (PE), no Edifício Western, às 20h30. No auditório do Mamam (Boa Vista), às 19h, o crítico de arte espanhol David Barros apresenta uma série de vídeos de dez artistas portugueses, a maioria da geração 90, que trabalham com diferentes linguagens, da performance à animação. A mostra tem entrada franca. SALDÃO – O encerramento do evento tem como ponto alto amanhã o show do grupo multimídia Chelpa Ferro, do Rio de Janeiro, que vem pela primeira vez ao Recife. O trio, formado pelos artistas plásticos Barrão e Luiz Zerbini e o editor de imagens Sergio Mekler fará uma apresentação multissensorial, como definem, que envolve vídeo, estímulos olfativos e experimentos sonoros. O Chelpa Ferro já expôs em eventos como a Bienal de São Paulo e a Bienal de Veneza, na Itália. Aberto ao público. Edifício Western é coração de mãe de artistas Além das opções com hora e data marcada, o SPA das artes 2006 também conta com uma exposição permanente de mais de 40 trabalhos de artes plásticas no Edifício Western, uma construção do início do século 20 onde funcionou durante anos a empresa inglesa de telégrafos Western Telegraph Company Limited. Ponto de referência do evento este ano, o edifício está desocupado desde 1973 e foi cedido gratuitamente ao SPA.Localizado na Praça do Arsenal, no Bairro do Recife, o espaço funciona das 10h às 19h hoje e amanhã, com entrada franca. O edifício, de quatro pavimentos e 2.157,33 m², abriga de forma improvisada os mais diferentes trabalhos em artes plásticas – não só de arte contemporânea – e acabou se tornando uma espécie de “coração de mãe”, onde sempre cabe mais um (e de tudo), seja idéia boa ou ruim. Romântico? “Foi um pouco de risco, mas essa é a idéia, democratizar a arte e promover um diálogo entre os artistas”, explica Rodrigo Braga, coordenador- geral do evento. Por lá, o visitante vai se deparar com muita escada, pouca sinalização e trabalhos expressivos e inexpressivos de jovens e consagrados artistas. Marcelo Silveira (PE), por exemplo, expõe no primeiro andar a instalação Western, que mistura desenhos e lâmpadas, enquanto Alice Vinagre (PB) mostra mais uma obra da sua série de labirintos. Há, inclusive, trabalhos em pintura naif, como é o caso do de Fernando Santos (PE). O edifício é movimentado hoje também pela performance sem título da jovem artista Bruna Rafaella (PE), às 17h. Na ação, ela arremessa placas de espelho do primeiro andar e, após o choque de cada objeto no chão, atores aplaudem.
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