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10/06/2008
Ranulpho Galeria lembra desaparecimento precoce do pintor, ocorrido há 18 anos, e realiza mostra com 21 obras do artista OLÍVIA MINDÊLO Com a simplicidade irônica de um cartunista e a maestria de pintores figurativos consagrados, o artista Wellington Virgolino (1929-1988) soube imprimir, sem grandes pretensões, uma linguagem própria nas artes plásticas do País através de suas telas. De colorido marcante e personagens inconfundíveis, seu trabalho marca um passado da pintura local pouco lembrado, mas como um Vicente do Rêgo Monteiro, não pode ser esquecido na história. Como os demais, e à sua maneira, ele ajudou a criar uma identidade nacional na pintura, através de suas representações pictóricas, que carregam influências populares e modernistas, repaginadas num estilo próprio. Quem estiver interessado em fazer um passeio pela história da arte pernambucana, a Ranulpho Galeria de Arte inaugura hoje, às 20h, exposição individual do pintor, que segue em cartaz até o dia 8 de outubro no espaço. Não é à toa que a mostra Arte viva de Virgolino entra em cartaz na galeria. O proprietário Carlos Ranulpho foi marchand do artista durante 19 anos. O “apadrinhamento” fez Virgolino expor em várias cidades do Brasil, tornando-se exclusivo de Ranulpho, numa época em que a função de marchand tinha muito mais importância do que hoje, na arte contemporânea. “Essa exposição é uma homenagem a ele. No dia 23 de setembro, faz exatos 18 anos que ele morreu, prematuramente e em plena atividade”, justifica o galerista. Virgolino morreu de infarte, aos 59 anos. A exposição reúne apenas 21 telas do artista, a maioria do acervo de Ranulpho, mas há também de coleções pessoais, à venda por consignação. As pinturas são todas muito características, embora proceda de diferentes épocas. Há tanto quadros do final da década de 60, como Saudando a primavera, quanto de meados de 80, a exemplo dos curiosos trabalhos Chá de panela e Guardiã das virgens de Água Fria, ambos de 1986. O visitante, no entanto, não vai exatamente acompanhar a evolução do pintor, uma vez que não se trata de uma retrospectiva, mas conhecer o estilo que o consagrou, quase uma “fórmula” que jamais abandonou, até morrer. Nesta mostra, há, inclusive, trabalhos inacabados, na mesma linha dos demais. “Não hermetizo a arte, porque rejeito exigir de quem observa ginásticas mentais para a compreensão dos quadros”, disse certa vez Virgolino. A afirmação do pintor é bastante emblemática, porque é exatamente essa a sensação que seus quadros suscitam no espectador. As telas agradam, são alegres e não exigem muito do raciocínio. Estão ali algumas auto-referências e alusões a figuras míticas, comuns e até, sarcasticamente, aos militares da ditadura, por exemplo, mas as pinturas carregam sempre um ar suave, lírico e até meio ingênuo através de seus personagens, batizados por ele como “meninos-atores”. São figuras de olhos grandes e bem brasileiras que saltam aos olhos e marcam as telas do artista. Estão ali para contar histórias, interpretar a visão de mundo de Virgolino. Arte viva de Virgolino, a partir de hoje, na Ranulpho Galeria de Arte – Rua do Bom Jesus, 125, Bairro do Recife. Visitação: de segunda a sexta, das 10h às 19h. Encerramento: 8/10, domingo, das 15h às 20h. Entrada franca. Informações: 3225-0264
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sobre a exposição
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