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10/06/2008
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Artista plástico recifense
Romero Britto ao lado de uma escultura de sua autoria |
DIÓGENES MUNIZ
da Folha Online
Canecas, gravatas, bolsas, caixas de sabão em pó, latas de refrigerante,
biquínis, sandálias, embalagens de panetone. O artista plástico Romero
Britto, 42, já teve suas alegres e acessíveis linhas reproduzidas em dezenas
de suportes diferentes. A partir desta semana até outubro, dez aeroportos
brasileiros --entre eles o de Congonhas (zona sul de SP)-- ganharão painéis
assinados pelo recifense. Reacende-se assim uma polêmica entre estudiosos de
arte, público e o próprio artista.
Em 23 de outubro, no centenário do vôo do 14 Bis de Santos Dumont, Britto
inaugura em Congonhas um aviador ao seu estilo, bastante colorido.
"Agora, toda vez que vocês voarem, vão ver esse
painel", diz, orgulhoso.
O painel terá 3m de altura por 3m de largura. A obra foi feita em seu
atelier, em Miami. Será mais uma chance para brasileiros reforçarem sua
relação de amor e ódio com o mais popular artista plástico brasileiro
contemporâneo.
Críticas e afagos
Enquanto críticos torcem o nariz e até evitam chamar Britto de artista
plástico, o público (brasileiro, norte-americano, europeu) vê status
agregado em cada produto que aparece com algum animalzinho desenhado pelo
artista. Britto, por sua vez, aproveita a polêmica.
"Agradeço as referências. Por favor, podem falar em mim", diz, com o sotaque
bastante americanizado, fruto da vida nos EUA há quase duas décadas. "Sobre
essas pessoas [que criticam], elas podiam ligar para a Ellein Guggenheim e
perguntar o que ela acha", desfere.
Ellein Guggenheim, herdeira do Guggenheim Museum de Nova York, classificou a
produção de Britto como "uma arte de alegria e prazer que tantas pessoas em
todo o mundo apreciam." Segundo Britto, existe "muita inveja" em relação ao
seu trabalho.
| Divulgação |
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| Romero Britto, 42, pinta em seu
atellier |
Para os estudiosos brasileiros, porém, Britto é comercial demais. Faz
apenas entretenimento, e não arte, dizem. As comparações entre ele e o pai
da pop art, Andy Warhol, costumam irritar ainda mais os entendidos. Isso
porque enquanto Warhol se apropriava da produção em massa para ironizá-la,
Britto admite querer passar apenas "coisas simples e belas".
A ascensão do artista plástico recifense não começou pelas galerias. Após
alguns anos vendendo quadros na rua, foi descoberto por uma marca de vodka
que lançou seu estilo em propagandas de mais de 60 revistas.
Foi questão de tempo até Bill Clinton, Michael Jordan, Bill Murray e [seu
favorito] Arnold Schwarzenegger encomendarem obras. Hoje, uma encomenda pode
demorar oito anos e custar mais de R$ 100 mil.
"Minha arte é voltada a inspirar gente jovem. Eu quero que minha arte traga
inspiração para muitas pessoas."
(©
Folha Online)
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(arquivo NordesteWeb)
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