"Cinema, Aspirinas e Urubus" vai tentar uma vaga no
Oscar
10/06/2008
Cena do filme
"Cinema, Aspirinas e Urubus"
Filme de Marcelo Gomes foi
escolhido pelo Ministério da Cultura para concorrer a uma vaga entre os
cinco indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro
SÃO PAULO - Na edição de terça-feira do Estado,
o Caderno 2 apontou "Cinema, Aspirinas e Urubus" como favorito da
equipe de críticos do jornal como filme que deveria representar o Brasil na
disputa por uma vaga no Oscar 2007. Na tarde desta quarta-feira, realizou-se
em Brasília a reunião da comissão formada pela Secretaria do Audiovisual
para escolher o filme que o País indica para pleitear uma vaga entre os
cinco finalistas do prêmio da Academia de Hollywood, na categoria de melhor
produção em língua estrangeira. O escolhido foi "Cinema, Aspirinas e
Urubus".
O longa dirigido por Marcelo Gomes venceu outros 13 filmes que também se
inscreveram e ganhou por unanimidade, segundo o anúncio que o próprio
Ministério da Cultura colocou em seu site. A comissão foi formada por Ilda
Santiago, diretora do Festival do Rio; pela roteirista Carolina Kotscho,
pelo produtor Moisés Augusto, pelo montador Ricardo Miranda e pelos
cineastas Andrucha Waddington, Sandra Werneck e Jorge Bodanzky. Segundo o
secretário Orlando Senna, do Audiovisual, “além de qualidade artística e de
ser um filme que mostra a nossa cara e a nossa voz, ´Cinema, Aspirinas e
Urubus´ apresenta características próprias, de estilo, linguagem e temática,
normalmente associadas aos vencedores do Oscar.” Carolina Kotscho foi
direta: “É um grande filme, independentemente de Oscar”.
Marcelo Gomes ficou feliz da vida. Só ele sabe quanto penou (por sete
anos!) para conseguir fazer este filme que reabre a vertente do Cinema Novo,
contando uma história de amizade como um road movie, gênero caro ao cinema
americano. “Foi um filme tão sofrido que cada recompensa, cada indicação,
cada elogio é sempre uma alegria imensa.” "Cinema, Aspirinas e Urubus" foi
visto por 120 mil espectadores no País, mas permanece inédito em várias
praças. Gomes espera que a corrida pelo Oscar dê visibilidade a seu filme e
estimule mais gente a vê-lo.
Os membros da comissão encaminharam um documento ao MinC sugerindo que, a
partir deste ano, “seja estabelecido um apoio estratégico e financeiro para
a campanha de visibilidade junto aos membros da Academia de Hollywood”.
"Cinema, Aspirinas e Urubus" foi distribuído nos EUA pela Global. Teve
crítica elogiosa no "The New York Times", o que aumenta suas chances. A
academia anuncia os finalistas em janeiro. O Oscar será distribuído no
último domingo de fevereiro.
Confira os filmes inscritos no MinC:
Árido Movie, de Murilo Salles A Máquina, de João Falcão Anjos do Sol, de Rudi Lagemann Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes Cafundó, de Paulo Betti e Clovis Bueno Depois Daquele Baile, de Roberto Bontempo Doutores da Alegria, de Mara Mourão Estamira, de Marcos Prado Irma Vap - O Retorno, de Carla Camurati O Maior Amor do Mundo, de Carlos Diegues Tapete Vermelho, de Luiz Alberto Pereira Vida de Menina, de Helena Solberg Zuzu Angel, de Sergio Resende
Brasil indica "Cinema, Aspirinas e Urubus" para disputar vaga no Oscar
O filme "Cinema, Aspirinas e Urubus", de Marcelo Gomes, vai concorrer a
uma vaga no Oscar 2007. A produção foi a escolhida pelo MinC (Ministério da
Cultura) nesta quarta-feira para disputar uma posição na categoria de melhor
filme estrangeiro. Ao todo, 14 longas-metragens concorriam.
À época do lançamento, o diretor pernambucano Marcelo Gomes afirmou, em
entrevista à Folha Online, que o sucesso do seu primeiro longa em
festivais se deve à mensagem universal da história. "Cinema, Aspirinas e
Urubus" já foi exibido em Londres, Sarajevo, Cannes, Los Angeles, San
Sebastián, Hamburgo, Recife, São Paulo e Rio.
"É um filme que fala sobre duas pessoas [um sertanejo e um mascate alemão]
que querem ser donos de seus destinos e descobrir caminhos melhores para
suas vidas, apesar de condições sociais e políticas antagônicas [seca e
guerra]."
Na história, que se passa em 1942, o ator
alemão Peter Ketnath vive o mascate germânico que percorre o sertão
nordestino vendendo aspirinas em um caminhão e acompanha por rádio o drama
da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ele faz dupla com o
baiano João Miguel, que vive o sertanejo Ranulpho --na Mostra BR 2005,
ele ganhou o prêmio de melhor ator, escolhido pelo júri internacional.
Assim, é do encontro entre Ranulpho e Johann que nasce "Cinema, Aspirinas e
Urubus", um filme que retrata o cotidiano deles, os encontros com outros
viajantes, as conversas, os perigos, as ameaças e, finalmente, a construção
de uma amizade entre pessoas de culturas tão diferentes.
Divulgação
Longa concorreu com outros 14 filmes
A seleção foi realizada por uma comissão presidida pelo secretário do
Audiovisual, Orlando Senna. Completam o júri o cineasta Andrucha Waddington,
a roteirista Carolina Kotscho, a diretora de festival e distribuidora Ilda
Santiago, o cineasta, produtor e roteirista Jorge Bodansky, o produtor
Moisés Augusto, o editor Ricardo Miranda e a cineasta Sandra Werneck.
Agora, o nome do indicado será levado à Academia americana, que seleciona
cinco produções de língua não inglesa para concorrer na categoria de melhor
filme estrangeiro (confira
aqui alterações no processo de seleção do Oscar).
A 79ª edição da mais importante cerimônia de premiação da indústria
cinematográfica mundial acontece em 25 de fevereiro do próximo ano--os
indicados serão anunciados em 23 de janeiro.
O indicado do Brasil no ano passado foi "2 Filhos de Francisco", de Breno
Silveira, que não chegou a entrar na lista dos cinco concorrentes à
estatueta dourada.
Diretor de "Cinema, Aspirinas..." comemora indicação e articula "lobby"
DIÓGENES MUNIZ
da Folha Online
"Ranulpho ganhou o Brasil e vai ganhar muito mais." A comemoração é de
Marcelo Gomes, poucos momentos após descobrir que é dele o filme
pré-indicado ao Oscar 2007.
"Cinema, Aspirinas e Urubus" foi o primeiro longa-metragem feito pelo
diretor pernambucano e conseguiu, nesta quarta-feira (20), bater os
favoritos do público, "Zuzu Angel" (Sérgio Rezende) e "Anjos do Sol" (Rudi
Lagemann), para representar o Brasil na Academia.
Divulgação
"Cinema, Aspirinas e Urubus" é o primeiro
longa-metragem do diretor Marcelo Gomes
O motivo? "Meu filme foi feito sem concessões, tem autoralidade, um jeito
de fazer muito próprio e fala de cinema universal", explica o cineasta à
Folha Online. Segundo os produtores, o título internacional do filme
terá tradução literal do português.
A partir de amanhã (quinta-feira), Gomes diz se senta com a distribuidora
Global Pictures para avaliar o "lobby" do filme nos EUA. "Vamos conversar
com nossos distribuidores lá fora para saber como eles vão cuidar dessa
questão."
Folha Online - Que características do filme ajudaram na escolha do
Minc (Ministério da Cultura)?
Marcelo Gomes - Meu filme foi feito sem concessões, tem autoralidade,
um jeito de fazer muito próprio e fala de cinema universal. É o encontro de
duas pessoas de culturas completamente diferentes no sertão do Brasil. Fala
de amizade, de solidariedade. De pessoas que estão fugindo de situações
político-sociais antagônicas. Acho que por esses temas, de uma forma ou de
outra, decidiram indicá-lo.
Folha Online - Evitar a caricatura do sertanejo, tão abordada pela TV e
por alguns filmes nacionais, ajudou a criar essa universalidade?
Gomes - Nós queríamos fazer um filme muito verdadeiro, que falasse
muito da alma brasileira, do Brasil. E esse momento que o Brasil estava
vivendo, do Pós-Guerra, tem muito a ver com o momento que vivemos hoje. E
também tem apelo internacional. Não por acaso ele foi convidado para
festivais de 80 países do mundo. Ganhou prêmios em vários deles porque fala
dos sentimentos humanos mais profundos: o medo, a angústia, a solidão, a
amizade, a solidariedade.
Folha Online - No Brasil, o filme teve pelo menos 120 mil espectadores.
Com a indicação, haverá mais visibilidade?
Gomes - Agora que foi escolhido, o que precisa fazer é exatamente
isso. A nossa distribuição foi pequena porque o filme era pequeno, assim
como a quantidade de cópias. Com essa indicação, vamos botar esse filme em
cartaz, principalmente em lugares que ele não conseguiu entrar. Acho que
isso também vai dar visibilidade maior com os exibidores, que têm uma
rejeição muito grande ao cinema brasileiro. Queremos que o filme seja visto
pelos brasileiros, ele foi feito para o Brasil.
Folha Online - Além da dificuldade na distribuição, houve mais alguma?
Gomes - Passamos todas as dificuldades! Passamos dez anos para
conseguir viabilizar o filme. Era um projeto pequeno, estranho. Os diretores
eram desconhecidos. Também era o primeiro longa de quase todo mundo.
Passamos sete anos só para conseguir o dinheiro. Já foi uma alegria muito
grande conseguir exibir. Em nenhum momento, quando estávamos passando por
dificuldade, pensamos em Oscar ou qualquer coisa do tipo.
Folha Online - A Academia do Oscar costuma ser simpática aos filmes que
citam a 2ª Guerra Mundial e o Pós-guerra. Isso pode ajudar "Cinema,
Aspirinas e Urubus"?
Gomes - Não conheço muito os parâmetros deles. Eu só sei fazer filmes
e tentar expor de todas as formas e para um maior número de pessoas
assistirem. Essa especulação, acho que isso deixo para a crítica
especializada.
Folha Online - Vocês já tem algum plano para o lobby do filme lá fora?
Gomes - Vamos conversar com nossos distribuidores lá fora (Global
Pictures) a partir de amanhã para saber como eles vão cuidar dessa questão.
Eles nem estão sabendo da indicação, vou ligar para eles agora. A carreira
do "Urubus" está sendo bem pequena, mas bem bonita.
Folha Online - Você acredita que Ranulpho (protagonista interpretado por
João Miguel) vai ganhar Hollywood?
Gomes - (risos) Ele ganhou o Brasil, e vai ganhar muito mais.
Folha Online - Há algum tempo você diz que possui um novo projeto para o
cinema, mas mantém o mistério. Chegou a hora de revelar?
Gomes - Não posso falar, não. Me pergunta daqui três semanas, e eu te
falo.