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10/06/2008
"Cinema, aspirinas e urubus": esse foi o filme escolhido para representar o Brasil no Oscar. Agora, disputa uma das cinco vagas para concorrer na categoria de melhor filme estrangeiro. Mas o primeiro longa-metragem do diretor Marcelo Gomes já foi longe. O filme, de orçamento modesto – R$ 2 milhões – , já ganhou vários prêmios no Brasil e no exterior. A história é baseada em fatos reais: o ano era 1942; o alemão Johan veio mesmo para o Brasil, para vender aspirinas; e o sertanejo Ranulfo ia mesmo para o Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor.Os dois se encontraram no meio do sertão nordestino. Os dois fugiam de realidades sociais e políticas diferentes, mas igualmente adversas. “Essas duas pessoas se encontram e a partir desse momento você não tem mais um alemão, não tem mais um nordestino. Tem duas pessoas querendo descobrir um caminho melhor para a vida delas, um futuro melhor. Isso é o que todo mundo quer da vida, né?”, explica o diretor, Marcelo Gomes. Mas a amizade improvável só aconteceu quando o estranhamento passou. “Duas pessoas que, a partir do momento em que respeitam as suas diferenças culturais, conseguem ser amigas. O mundo carece disso, o mundo carece desse respeito a culturas diferentes, a religiões diferentes, a modos de viver diferentes”, acredita Gomes. O filme foi lançado no fim do ano passado e ficou seis meses em cartaz nas principais capitais do país. Neste tempo, foi visto por 120 mil pessoas; pode ser pouco para o cinema de maneira geral, mas é muito, para um filme de baixo orçamento como este. Agora, “Cinema, aspirinas e urubus” será relançado. A expectativa dos produtores é que o prestígio conferido pela pré-indicação ao Oscar dobre a bilheteria. Foram sete anos até a estréia, e já são 39 prêmios. “A gente enfrentou milhões de dificuldades. Era o meu primeiro filme, eu sou de Pernambuco, o título do filme assustava um pouco... filmávamos em condições adversas no sertão da Paraíba, 45 graus na sombra, né?”, conta o diretor. “O que a gente quer é que todos os brasileiros assistam o nosso filme, porque ele fala muito da realidade do Brasil e é um espelho da nossa cultura. Importante para conhecer o Brasil de agora, revendo nosso passado”. Pernambuco na briga pelo Oscar
Cinema, aspirinas e urubus, primeiro longa-metragem do diretor Marcelo
Gomes e produzido no Estado, é o filme indicado pelo Brasil Depois de uma das carreiras mais recheadas de vitórias que um filme brasileiro teve ao longo dos últimos anos, Cinema, aspirinas e urubus meio que encerra o seu turno com a indicação anunciada ontem, pelo próprio Brasil (via Ministério da Cultura), como o filme nacional que deverá ser considerado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ao Oscar. Não significa que o filme será obrigatoriamente indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro quando anunciadas as indicações no póximo dia 23 de janeiro de 2007, mas que a academia poderá escolhê-lo, uma vez que o Brasil decidiu destacá-lo oficialmente entre todos os outros filmes nacionais lançados ao longo do último ano. Sabe-se que o filme pernambucano sobre a interessante amizade entre um brasileiro e um alemão (João Miguel e Peter Ketnath) no Sertão dos anos 40 concorreu com treze outros títulos, submetido pelos seus produtores ao MinC. Foram eles A máquina (do pernambucano João Falcão), Árido movie (do também conterrâneo Lírio Ferreira), Anjos do sol, Bens confiscados, Cafundó, Depois daquele baile, Doutores da Alegria, Estamira, Irma Vap - O retorno, O maior amor do mundo, Tapete vermelho, Vida de menina e Zuzu Angel. Filmado no Sertão da Paraíba e projetado pela primeira vez em Cannes na mostra paralela Un Certain Regard (Um Certo Olhar), o filme do pernambucano Marcelo Gomes estreou nacionalmente há exatamente um ano, no Festival do Rio 2005, evento cuja versão 2006 tem início hoje. Depois, foi na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que o longa tornou-se a primeira produção brasileira a vencer o primeiro prêmio daquele festival nos seus 29 anos de realização. Lançado nos cinemas em novembro do ano passado, o filme de Marcelo Gomes foi visto por cerca de 120 mil espectadores no Brasil, uma marca respeitável para um filme de pequeno porte, sem massificação ou atores globais, e lançado com apenas dez cópias. Em termos comparativos, um lançamento grande como O código Da Vinci faz mais de quatro milhões de espectadores com cerca de 450 cópias. “Fiquei surpreso, acreditava que O maior amor do mundo, de Carlos Diegues, seria o escolhido", disse o produtor João Jr. ontem por telefone à reportagem do Jornal do Commercio. Ele estará embarcando para o Rio na próxima semana onde marcará presença na estréia nacional de O Céu de Suely, filme que estreou no último Festival de Veneza, segundo longa de Karim Ainouz (Madame Satã), amigo de Gomes e também co-roteirista de Cinema, aspirinas e urubus. Os dois filmes tiveram como produtor João Jr., da Rec Produtores Associados, que também prepara ao lado de Cláudio Assis o seu novo longa, Baixio das bestas, que, muito provavelmente, terá sua première nacional no próximo Festival de Brasília, em novembro. “A idéia de submeter o filme para a consideração do MinC foi do distribuidor (Imovision) e da produção, pois na eventualidade de isso acontecer, daria mais visibilidade ao filme, disse Gomes ao JC de São Paulo, informando com isso que o filme estará voltando ao cartaz na próxima semana. “Cinema, aspirinas e urubus terminou não sendo visto em muitas praças, como Caruaru e Petrolina, e tantas outras cidades do Brasil”, comemora o diretor, que ficou ao mesmo tempo surpreso e superfeliz com a indicação. Sobre a escolha do MinC, ela pode ser descrita como sã e dotada de bom gosto. Cinema aspirinas e urubus não é exatamente o tipo de filme que alguém automaticamente associaria a uma estatueta dourada em Hollywood, mas é um filme que tem perfil e nível internacional, e isso pode incluir o Oscar. É um pequeno filme autoral, de uma filmografia regional (a brasileira) e que parece prezar o “menos como mais”, algo que não chama a atenção em nenhum dos seus concorrentes de indicação nacional acima listados. Eletrodoméstica também é concorrente MARCELO PEREIRACinema, aspirina e urubus é o segundo filme pernambucano a se credenciar à disputa de uma indicação ao Oscar 2007. Em junho, o curta-metragem Eletrodoméstica, de Kleber Mendonça Filho, foi pré-selecionado ao ganhar o Prêmio Danzante 2006 do 34º Festival de Cine de Huesca, na Espanha, o que lhe valeu a seleção automática para um grupo de curtas que poderão ser considerados a uma indicação ao Oscar.Junho foi um mês importante para Eletrodoméstica, produzido pela CinemaScópio com recursos do MinC e do Funcultura. O curta ganhou seis prêmios no Brasil e no exterior, depois de ter passagens pelos festivais de Clermont Ferrand (França) e Roterdã (Holanda). Recebeu ainda o Prêmio Especial do Júri no Festival de Curtas de Hamburgo e o Grande Prêmio Canal Brasil. Em julho, foi premiado no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte. Os dois filmes pernambucanos agora serão apresentados à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, para o processo que seleciona cinco produções de língua não inglesa para concorrer na categoria de melhor filme e melhor curta-metragem estrangeiros.
VÍDEO:
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