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Frevo de cara nova

10/06/2008

 

Em seu segundo disco dedicado ao frevo, Nóbrega alia-se aos músicos e compositores que modernizam o gênero

JOSÉ TELES

Antonio Carlos Nóbrega é tido e havido como conservador. Em lugar de “show”, prefere “espetáculo”. Opta por “florilégio” em vez de “pot-pourri”, mas está sendo um dos responsáveis por modernizar e tirar o frevo da letargia em que o gênero imergiu há décadas, regravando de Nelson Ferreira a Moraes Moreira. De hoje a domingo, 21h (no domingo, às 19) no Teatro da UFPE (minitemporada que se repete no próximo final de semana, com ingressos a R$ 20 e R$ 10, meia entrada), Nóbrega faz o lançamento nacional do segundo volume de Nove de frevereiro, com os quais antecipa-se às celebrações dos cem anos do frevo, que acontece em 2007. “Este é um disco mais autoral, tem quatro frevos meus, só ou com parceiros. Os restantes, preferi músicas que não fossem muito conhecidas, com algumas exceções, e apresentar compositores modernos que escrevessem frevo de características diferentes”, sintetiza Nóbrega.

Ele convidou para participar do disco figuras carimbadas da MPB, entre as quais Gilberto Gil e Chico Buarque: “Todos se mostraram bastante receptivos, por este ou outro motivo não puderam participar, mas tive o prazer de contar com muita gente boa, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Chico César, Claudionor (Germano)”. Desta “gente boa” que participa do disco, a maioria está em na faixa Florilégio, que reúne uma série de frevos-canção, indo de Dia azul (Capiba) a Evocação (Nelson Ferreira), entremeadas por Vai pegar fogo (Manoel Gilberto/Zé Menezes), Roda e avisa (J. Michiles/Edson Rodrigues), Desembaça aí (Moraes Moreira) e Isso aqui tá bom demais (Dominguinhos/Nando Cordel).

O disco coloca novamente lado a lado Antonio Nóbrega e músicos da SpokFrevo Orquestra, encabeçando um movimento, não oficializado, de levar o frevo bem além de Pernambuco, e tocá-lo o ano inteiro: “Acho que Spok, mais do que eu, deu muita visibilidade ao frevo, não apenas regional como também nacionalmente. Tem também a orquestra do maestro Forró, da Bomba do Hemetério, que está fazendo um trabalho novo com o frevo. Mas a repercussão ainda é pequena, embora o fato de eu e a orquestra de Spok termos ganhado o Prêmio TIM tenha ajudado muito na divulgação do frevo”. E na divulgação, ele colabora no encarte (ilustrado por fotos de passistas, feitas por Pierre Verger, em 1946), com um minidicionário de nomes importantes ligados ao frevo.

Outro conceito para seleção do repertório foi o de que as músicas não se referissem necessariamente ao Carnaval: “A perspectiva é esta, tornar o frevo uma música que transcenda a esta temática. Há uma tendência dos compositores em fazer referências às ladeiras de Olinda, às ruas do Recife. Se a gente quiser desregionalizar o frevo tem que criar outros tipos de letras, assim como Carlos Fernando vem fazendo”, analisa. Mais um sinal deste renascimento do frevo, aponta Nóbrega, está em composições da velha guarda, e cita como exemplo, Clovinho no frevo, do maestro Clóvis Pereira: “Uma composição que nem é tão nova assim, mas que tem características bem modernas”.

Um dos obstáculos para o frevo ser cantado em sua própria terra, ressalta, Antonio Nóbrega, é o fato de não tocar no rádio (a não ser em programas especializados): “Isto faz com que a gente escreva uma música nova, lance o disco e na hora de cantar, no palco, não vai ter adesão da platéia, é como se fosse uma inédita, porque não foi tocada no rádio”, lamenta. Outra dificuldade para levar o frevo a palcos mais distantes é a crise atual do mercado de show no País. Ele está amparado por três patrocinadores fortes (Phillips do Brasil, Sesc e Petrobras), mesmo assim a quantidade de pessoas que participa do espetáculo dificulta uma turnê mais prolongada (entre técnicos, músicos, dançarinos, são 35).

“Poderia fazer aqui com um grupo menor, mas quis assim para dar mais dignidade ao frevo. Porém para viajar torna-se proibitivo, só músicos são 19, mais cinco dançarinos”, comenta Nóbrega. Esta trupe, porém, vai estar completa quando ele for gravar o DVD Nove de frevereiro, com direção de Walter Carvalho: “O local mais provável para a gravação será São Paulo. Será o mesmo que vamos mostrar no Recife, porém a gravação será sem público. O espetáculo tem muita coreografia, muita sutileza, vai exigir muito da equipe que o produzirá”.

DISCO – Frevo, que abre o disco, contém os novos elementos com os quais Nóbrega acredita que o gênero irá livrar-se do estigma de música sazonal (arranjo de Clóvis Pereira). Falta-lhe um refrão contagiante como os de Vai pegar fogo (Manoel Gilberto/Zé Menezes), ou Roda e avisa (J. Michiles/Edson Rodrigues). O CD, que fecha com Melodia sentimental, de Villa-Lobos, leva o frevo a ser inserido na classificação de MPB, livrando-se da categoria “música regional”. Porém, pela vulgaridade do que faz sucesso atualmente, este CD acaba, infelizmente, sendo um trabalho para poucos. Até porque Nóbrega, embora procure dançar e cantar tentando falar na mesma linguagem do povo que criou o frevo, ainda guarda muito do erudito que está na origem do seu trabalho.

(© JC Online)


Antônio Nóbrega lança segundo CD do projeto Nove de Frevereiro

O multiartista Antônio Carlos Nóbrega antecipa as comemorações do Centenário do Frevo, que acontece em 2007, lançando o seu mais novo trabalho, o CD Nove de Frevereiro - Volume II. No repertório, estão 16 faixas inéditas, incluindo frevos instrumentais e cantados, frevos clássicos, frevos de compositores pouco conhecidos e frevos de autoria de Nóbrega. O show vai ser realizado no Teatro da UFPE nos próximos dois finais de semana (22, 23 e 24/09 e 29, 30/09 e 1º/10). Nas sextas e sábados, o evento começa às 21h, já nos domingos, tem início às 19h.

Com o artista no violino e na voz, o CD tem participação de grupos e artistas convidados que fazem diferentes leituras do "universo frevístico", como a Banda Mantiqueira (SP), Quinteto da Paraíba (PB), Quinteto Villa Lobos (RJ), Sujeito a Guincho (SP), Papo de Anjo (SP), Orquestra de Frevo comandada por Spok (PE), Orquestra Retratos (PE) e Toninho Ferraguti.

No novo álbum, a faixa especial "Florilégio", traz uma coletânea de frevos na voz de grandes nomes da música brasileira e pernambucana: Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Dominguinhos, Chico César, Claudionor Germano, Dalva Torres, Expedito Baracho, Melissa Dias, Ná Ozzetti, Nena Queiroga, Silvério Pessoa, Suzana Salles, Valéria Moraes e Vanessa Oliveira.

Este é o sétimo CD de Antônio Nóbrega, músico, dançarino e ator que tem como característica transformar seus discos em espetáculos. O primeiro trabalho do Projeto Nove de Frevereiro, que foi lançado em 2005, recebeu o Prêmio TIM de Música 2006, na categoria Melhor Disco de Música Regional.

SERVIÇO:
Lançamento do CD Nove de Frevereiro - Volume II de Antônio Carlos Nóbrega
Dias 22, 23, às 21h e 24/09, às 19h e dias 29, 30/09, às 21h e 1º/10, às 19h
Teatro da UFPE - Câmpus universitário - Recife.
Telefone: (81) 2126.8077
Ingressos: R$ 20 (inteira ) e R$ 10 (meia), à venda no teatro e nas lojas VR, do Shopping Recife, e Spelunkas do Tacaruna e Casa Forte.

(© JC Online)


Coração mata o artista Marcílio Lisboa, aos 45 anos
 

O cantor, compositor e apresentador pernambucano Marcílio Lisboa, 45, morreu ontem, por volta das 15h, de uma parada cardíaca. Ele se sentiu mal, e pediu ao seu motorista levá-lo para a emergência do Hospital Português, porém faleceu antes de ser atendido pelos médicos. Valorizar os elementos que compõem o universo cultural pernambucano. Essa era a premissa do Pernambucanidade, projeto que ele tocou durante quinze anos. O Pernambucanidade nasceu em 16 de julho de 1991, quando Marcílio tomou a iniciativa de fazer um show composto apenas por músicas do estado. Encampado por empresários paulistas, ele levou o Pernambucanidade, com vários artistas locais, pra apresentações no Sudeste.

Marcílio Lisboa surgiu na cena musical pernambucana nos anos 80, e teve seu maior sucesso com Bruxinha (parceria com Sílvio Oliveira), gravada pela Turma do Balão Mágico, que virou um clássico do repertório infantil brasileiro. Ele gravou vários discos, entre LPs e CDs, mas o projeto musical no qual mais se empenhou foi mesmo o Pernambucanidade, que começou quase por acaso, quando foi convidado para participar de um programa na Rádio Capibaribe, no qual selecionaria dez músicas de MPB. Marcílio optou pelo que chamava de MPP (música popular pernambucana). Daí partiu outro convite para que ele apresentasse um programa com artistas locais. O Pernambucanidade foi apresentados em várias emissoras, inclusive na TV Jornal, ininterruptamente, até 2002, quando Marcílio Lisboa foi obrigado a parar para se tratar de um problema de insuficiência renal provocado pela diabete. Bastante debilitado pela doença, Lisboa mudou o formato do programa, que passou a ser apresentado em inserções de 30 segundos durante a programação da TV Globo.

O presidente do Caxangá Ágape, Jaime Lielson, do qual o cantor foi diretor, anunciou que seu tradicional prêmio anual, conferido a personalidades do estado, já a partir deste ano receberá o nome de Prêmio Marcílio Lisboa.

(© JC Online)

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