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10/06/2008
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OS ATORES Peter Ketnath e João Miguel protagonizam o filme indicado
pelo MinC a concorrer por uma vaga na disputa pelo Oscar |
Cinema, Aspirinas e Urubus foi o filme
escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Oscar. Agora, o filme do
pernambucano Marcelo Gomes vai concorrer com quase 60 outros filmes por uma das
cinco vagas na lista de indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira
Na última quarta-feira, minutos antes da divulgação oficial, ele recebeu um
telefonema do secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Orlando
Senna. Naquele momento, teve a certeza de que seu filme teria, sim, uma segunda
chance. Cinema, Aspirinas e Urubus, filme de estréia do pernambucano Marcelo
Gomes - que conta a história de um mascate alemão e de um sertanejo que
percorrem o sertão-mundo vendendo aspirinas, durante a Segunda Guerra Mundial -
foi a produção brasileira escolhida pelo MinC para representar o Brasil na
disputa pela estatueta dourada de Melhor Filme em Língua Estrangeira, na 79ª
festa de premiação do Oscar. A escolha, feita por uma comissão formada por sete
profissionais de audiovisual, representa apenas uma indicação do País à Academia
de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que irá selecionar cinco, das
quase sessenta produções de diversos países, para concorrer na categoria. A
seleção final será anunciada em 23 de janeiro.
A idéia de inscrever Cinema, Aspirinas e Urubus veio da perspectiva de que, caso
o filme fosse selecionado, ele poderia ter maior visibilidade. "E teve! Não paro
de dar entrevistas em dois dias, para lugares (veículos de comunicação) em que
não tive espaço quando do lançamento do filme", diz. "A alegria é muito grande.
Como o meu filme foi feito sem concessões - era um filme que queria discutir a
realidade brasileira de um ponto de vista universal -, quando a gente vê que
esse cinema chega ao coração das pessoas e, a partir disso, vem as premiações e
os convites, a gente fica muito feliz". Marcelo diz não ter expectativas em
relação à escolha da Academia. "É muito complicado julgar obras de arte e não
sei quais são os parâmetros deles. Dito isso, não sei se o filme tem chances".
Mas, de qualquer forma, o cineasta pernambucano é lúcido o suficiente
para perceber o que essa pré-indicação significa, para ele e para o cinema que
ele acredita. "O Oscar é um evento para promover o cinema americano no mundo
inteiro. Lá, o cinema é uma grande indústria, e eles precisam de um grande
evento de marketing para divulgar essa indústria. A finalidade do Oscar é essa,
não é divulgar o cinema brasileiro. Mas se esse prêmio - infeliz ou felizmente -
tem uma visibilidade tão grande no Brasil, a gente pode utilizar essa arma que é
o Oscar", diz. Os últimos filmes brasileiros indicados pelo MinC para concorrer
à seleção da Academia foram Olga (de Jayme Monjardim) e Dois Filhos de Francisco
(de Breno Silveira). Nenhum dos dois filmes foi indicado ao prêmio.
A indicação do filme de Marcelo é, no mínimo, irônica. Cinema, Aspirinas e
Urubus é um filme que se propõe a repensar as possibilidades da linguagem
cinematográfica e os limites da narrativa que segue a divisão em três atos, o
clímax, a proximidade. Cheio de silêncios espaciais, planos contemplativos,
cores e luzes bem trabalhadas, o "filme dos urubus" vai de encontro à lógica
repetitiva da engrenagem hollywoodiana. Uma coisa, entretanto, Marcelo promete:
"meu cinema não vai mudar nada com essa divulgação, seja com a premiação ou não.
Meu tipo de cinema não vai mudar. Quer dizer, eu espero (risos). Eu espero
continuar com a minha lucidez".
(©
O Povo)
Cinema autoral surpreende
"O Oscar é
fundamental para qualquer cinematografia. Eu acho que finalmente o governo
brasileiro está tomando consciência da importância que é o cinema para
qualquer país", diz o cineasta Wolney Oliveira
Ouvidos pelo Vida & Arte sobre a indicação do filme brasileiro Cinema,
Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, como filme brasileiro ao Oscar, os
cineastas cearenses Wolney Oliveira, Joe Pimentel e Glauber Filho e a
cineasta Gláucia Soares discordaram quanto a importância da indicação, mas
em um ponto foram unânimes: o filme foge do que normalmente se concorre a
uma estatueta.
"O que eu acho mais interessante é que a gente pode dizer que em comparação
com outras indicações, esse filme não teve tão grande apelo de mídia e isso
de certa forma estimula o cineasta brasileiro a produzir. Mostra que o
cinema brasileiro pode fazer bons produtos sem necessariamente ter grandes
orçamentos", diz Joe Pimentel.
Para Wolney, "é a confirmação que a descentralização da produção é
fundamental. Hoje o melhor cinema esta fora do eixo Rio-São Paulo. Isso é um
resultado da política de descentralização e a prova de que não devemos nada
a ninguém". O cineasta considera que "o Oscar é fundamental para qualquer
cinematografia. Eu acho que finalmente o governo brasileiro está tomando
consciência da importância que é o cinema para qualquer país, para sua
soberania nacional".
Apesar de achar interessante a divulgação que o filme de Marcelo Gomes pode
ter com a indicação, Gláucia acha que a premiação do Oscar não tem nenhum
importância para o cinema brasileiro: "é uma premiação que acontece numa
academia americana, dos caras que fazem o cinema mais vazio que tem no
mundo. Eles trabalham sempre as mesmas fórmulas. Às vezes os filmes
estrangeiros são o que há de melhor no Oscar".
Já Glauber filho gosta da escolha por se contrapor ao que geralmente tem é
indicado para o festival: "O Aspirinas é um cinema autoral. Como cinema
autoral foi uma indicação bastante corajosa, mesmo que não venha a ganhar um
prêmio, eu acho que só o fato de se bancar uma indicação já é uma provocação
interessante".
(©
O Povo)
O Brasil no Oscar
2005
O
Brasil esteve presente no Oscar de 2005 ficou por conta do diretor do filme
Diários de Motocicleta, o cineasta Walter Salles. O trabalho foi indicado ao
Oscar de Melhor Roteiro Adaptado (roteiro de José Rivera, baseado no diário
escrito por Che Guevara durante uma viagem pela América Latina, em 1952) e
Melhor Canção (pela música El Otro Lado del Río, do cantor uruguaio Jorge
Drexler). Por ser considerada uma produção de vários países, o filme não
pôde concorrer ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.
2004
Cidade de Deus, filme de Fernando Meireles, um dos trabalhos brasileiros
mais premiados Brasil afora, conquistou quatro indicações ao Oscar de 2004:
Direção (Fernando Meirelles), Montagem (Daniel Rezende), Roteiro Adaptado
(Bráulio Mantovani) e Fotografia (César Charlone). Não trouxe nada para
casa.
1999
Depois de empolgar o público brasileiro, Central do Brasil foi indicado, em
1999, para duas categorias do Oscar: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor
Atriz. Na primeira, perdeu para A Vida É Bela, do italiano Roberto Benigni.
Na segunda, quem tirou o troféu das mãos de Fernanda Montenegro foi a
norte-americana Gwyneth Paltrow, por sua atuação em Shakespeare Apaixonado.
1998
O concorrente era da Holanda. E no Brasil, a torcida era grande pelo filme
que, de novo, concorria na categoria de melhor Filme Estrangeiro. O indicado
era O Que é Isso Companheiro, filme de Bruno Barreto, ambientado no tempo a
didatura brasileira (1964-1885). O holandês Caráter levou a estatueta para
casa.
1996
O Quatrilho renovou as esperanças do Brasil na conquista pelo Oscar. O filme
de Fábio Barreto, com Glória Pires e Patrícia Pillar brigou pelo troféu de
Melhor Filme Estrangeiro.A história de imigrantes italianos no sul do país
perdeu para o ótimo holandês A Excêntrica Família de Antonia.
1986
O maior prêmio da indútria do cinema veio 23 anos depois, memso assim na
produção O Beijo da Mulher Aranha", cujos créditos de produção foram
divididos entre Brasil e Estados Unidos. O filme teve quatro indicações:
Filme, Roteiro Adaptado, Direção (Hector Babenco) e Ator (William Hurt).
Acabou levando apenas o último. Além de Hurt, estavam no elenco a brasileira
Sônia Braga e o porto-riquenho Raul Julia.
1963
Esse ano foi um marco para a história do cinema nacional, com a primeira
indiação ao Oscar com o filme O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo
Duarte e que tinha no elenco os ator Glória Menezes e Anselmo Duarte. A
estatueta não veio. Quem levou o prêmio de melhor filme estrangeiro foi o
francês Les Dimanches de Ville d´Avray.
(©
O Povo)
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(arquivo NordesteWeb)
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