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10/06/2008
Cineasta Marco Hanois começou a gravar Incenso, filme que presta homenagem ao poeta O Engenho Massangana, no Cabo de Santo Agostinho, foi moradia do escritor e abolicionista Joaquim Nabuco até os oito anos e é uma das construções mais representativas do Pernambuco do século 19. O espaço, atualmente funcionando como centro cultural, emprestou suas particularidades históricas ao início das gravações do novo curta de Marco Hanois, Incenso, no último sábado. O filme presta homenagem à obra de Ascenso Ferreira e busca, segundo o diretor e roteirista, “resgatar as peculiaridades orais do texto do poeta e reviver um período da história pernambucana, que ficou esquecido”: as primeiras décadas do século 20, com suas beatas, coronéis, crendices e o espanto diante da modernidade tardia que o Brasil começava a vivenciar. Uma das cenas de Incenso mostra a perplexidade dos personagens diante de um zeppelin rasgando os céus de um Pernambuco ainda rural. Apesar de Ascenso Ferreira ter nascido em Palmares, o curta de Hanois não se fecha numa cidade específica. Sua proposta é ter como cenário um interior arquetípico, que traga pormenores de todas as cidades pernambucanas do início do século passado sendo apresentadas ao espectador durante os 20 minutos da trama. Dessa forma, as filmagens, que se prolongam até o próximo mês, terão como cenário ainda os casarões antigos e ruas do Poço da Panela. O primeiro dia de filmagens de Incenso registrou os diálogos entre os atores Alexandre Zachia e Tuca Andrada. Zachia interpreta um personagem chamado apenas de Coronel, que funciona como uma espécie de “alter ego” do próprio Ascenso. O poeta costumava dizer que um dos seus sonhos era ter sido coronel de engenho, figura das mais representativas do imaginário nordestino. Tuca vive Zé Estribeiro, que serve como elo das várias tramas do curta. Amigo de longa data de Hanois, Tuca explicou que, por pouco, ficou de fora do elenco de Incenso devido à sua apertada agenda, que divide espaço entre a novela Cidadão brasileiro e a turnê da peça Orlando Silva, o cantor das multidões. “Eu queria muito fazer esse curta, tanto por minha amizade com Hanois quanto pela homenagem que ele faz à obra de Ascenso, um poeta importantíssimo. Foi um verdadeiro milagre que neste fim de semana eu tenha conseguido participar das gravações”, explicou o ator, durante uma das pausas da filmagem. Incenso tem um elenco numeroso com mais de 30 atores, que conta ainda com nomes como Bruno Garcia, Aramis Trindade e com as cantoras Lia de Itamaracá e Mônica Feijó. No caso de Mônica, que atualmente participa do elenco de Páginas da vida, ela volta a Pernambuco nas próximas semanas especialmente para gravar sua participação em Incenso. A atriz Patricia França foi um nome cotado para atuar no curta, mas acabou ficando de fora por problemas na sua agenda. Patricia, nos anos 80, trabalhou em projetos teatrais de Hanois. Todos os diálogos de Incenso são permeados por fragmentos de textos de Ascenso. O título do curta faz referência ao poema Mês de maio: “O incenso queima diante do altar,/ o mês de maio vai terminar.../ Com seus deliciosos braços nus,/ as rosas fazem o sinal-da-cruz.../ Amém...” - presente no livro Catimbó, de 1927. Ao fragmentar diversos textos de Ascenso, segundo o diretor, o curta resgata para toda uma nova geração a oralidade típica da obra do poeta. O roteiro do curta foi vencedor do prêmio Ary Severo-Firmo Neto, concedido pela Prefeitura do Recife no ano passado, e foi orçado em R$ 80 mil. Durante a fase de gravação, o filme está contando ainda com apoio de, entre outras instituições, Chesf e Fundação Joaquim Nabuco, que cedeu gratuitamente a utilização do Engenho Massangana. No entanto, a equipe ainda procura recursos para a etapa de pós-produção. Marco Hanois chega a Incenso depois de trabalhos bem-sucedidos como Objeto abjeto e Cassino Americano, que recebeu Menção Honrosa no festival Internacional de Vídeo promovido pela JVC em Tóquio. Sua homenagem a Ascenso será lançada no primeiro semestre de 2007. “Ainda não sei se a estréia será no Festival de Cinema do Recife, mas quero muito que ele faça parte da programação do evento”, afirmou o diretor. (© JC Online) Brasil domina festival de cinema em Washington Seis filmes do País concorrem na 27.ª edição do Festival de Cinema Latino-americano de Washington, entre eles "2 Filhos de Francisco"
Seguindo o Brasil de perto estão México e Argentina, com quatro longas cada um. Segundo a coordenadora da mostra, o elevado número de filmes brasileiros se deve à qualidade e à diversidade dos filmes realizados no Brasil. Todd Hitchcok, um dos organizadores do festival, reforça essa tese. "´Em se tratando da produção atual de filmes brasileiros, parecem não faltar opções." A cada sessão, o público dá notas para os filmes em exibição. O longa que obtiver a melhor cotação é eleito o melhor do festival. A julgar pelos longos aplausos destinados a "2 Filhos de Francisco", o longa-metragem de Breno Silveira tem boas chances de sagrar-se o favorito, uma vez que pareceu cair nas graças do público americano. "Achei muito bom. Teria potencial para fazer sucesso se fosse lançado por aqui. É uma bela história", disse Ron Risk à BBC Brasil na saída da sessão deste domingo. Amy Nunn, que contou ter vivido no Brasil por alguns anos, disse ter amado o filme e julgou que o longa tem "apelo universal". Sua amiga, Gilligan Moregon, endossou a opinião, acrescentando que o longa, que mostra como a dupla Zezé di Camargo e Luciano venceu a pobreza para atingir o megaestrelato, "poderia fazer sucesso nos Estados Unidos porque carrega muito dos ideais do sonho americano e tem uma mensagem positiva, de esperança". A atriz Dira Paes, uma das protagonistas de "2 Filhos de Francisco", viajou a Washington a convite do festival. Ela disse acreditar que o interesse pelo festival entre a audiência americana se deve tanto ao fato de que o cinema dos Estados Unidos está mudando como também ao gosto do próprio público americano. "As coisas estão mudando. Hoje em dia, nem sempre os filmes americanos feitos para fazer sucesso acabam tendo êxito. Os filmes realizados nos Estados Unidos hoje em dia refletem uma influência externa. E o gosto do público daqui está mudando também. Estamos bem próximos de chegar a uma linguagem universal no cinema", afirma. No ano passado, o Festival de Cinema Latino-americano de Washington atingiu seu público recorde: 6 mil pessoas. A cifra pode parecer modesta, mas é vultosa se levado em conta que a vida cultural em Washington é bem mais tímida que a de Nova York ou Los Angeles, por exemplo. Assim como neste ano, em 2005, o Brasil também dominou a seleção, com seis longas na mostra, entre eles "Meu Tio Matou um Cara", "Olga" e "Cazuza - O Tempo não Pára". A mostra é realizada anualmente em Silver Spring, cidade situada nas imediações de Washington.
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