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03/08/2001

Elba Ramalho quer engravidar e contesta história sobre ETs

Elba sente discriminação por ser paraibana (Foto: Alexandre Tahira/Terra)

Ricardo Ivanov / Redação Terra

   A cantora Elba Ramalho aporta finalmente em São Paulo para o show de seu mais recente disco, Cirandeira. Aos 50 anos - "podem dizer aí que não parece", diz, rindo -, está pronta para casar com Gaetano, com quem vem se relacionando há cinco anos. "Vamos casar sim e adotar uma criança. Quero ter filhos também. Vamos tentar, ver se vai dar", explica quase ao final da coletiva de imprensa realizada em um hotel de São Paulo. Elba disse estar vivendo um momento muito bonito de sua vida, com tranquilidade: "As águas vão ficando mais claras".

   Inclusive, o casamento vai acontecer na data de aniversário de Elba, no dia 17 de agosto. A cantora chegou na entrevista com o celular no ouvido, resolvendo coisas de última hora. Desculpou-se pelo atraso ("Avião, sabe?") e foi extremamente cordial com os jornalistas - bem como extremamente objetiva ao descrever seus planos de vida.

   Elba está com 21 anos de carreira e diz que ainda vê indícios de preconceito em relação a sua origem "paraibana". "É muito difícil ser nordestina no sul. Me sinto discriminada sim. Já li coisas absurdas da imprensa, por exemplo. Há um pouco de rancor no julgamento. Digamos que são 'lapsos preconceituosos'", brinca a cantora com olhar sério.

   Elba também falou de um recente aborrecimento com a revista Veja, que publicou matéria transformando-a em uma espécie de "abduzida símbolo", adoradora de gurus extra-terrestres. Disse que esse é um assunto judicial e que está processando a revista. "Me divirto com isso tudo", iniciou para depois retomar um tom sério ao falar sobre como supostamente deturparam sua participação em um encontro de ufólogos.

   "Jamais iria a uma revista para falar sobre esse assunto. Dizer que fui 'chipada'? Que absurdo! Foi tudo uma interpretação errônea, pequena. O cara foi um chacal - e o jornalista, na hora, lá na reunião, me pareceu tão bonzinho", disse sobre a abordagem da matéria.

"Sou única"

   "Tirei até uma foto sorridente ao lado do poster do Ashtar Sheran. Mas meu guru é Deus, é Jesus, a Virgem Maria, que acompanho as aparições", explicou a cantora sobre a foto posada ao lado de um desenho de um alienígena loiro, quase alemão. "Posei por que queria fugir um pouco daquela imagem dos ETs 'grey', cinzentos", disse sobre o estereótipo dos extra-terrestres.

   Entre os planos de Elba também está a construção de um orfanato ou abrigo para idosos, provavelmente perto de onde mora. Nesse meio tempo, prossegue com sua turnê que vai ter escala em setembro na Itália e em Portugal. "Ano passado fiquei três meses fora do Brasil e senti muita saudade", afirma. A cantora nascida em Conceição de Piancó tem consciência de seu papel na música brasileira: "Em termos de espetáculo, sou única. Nenhuma cantora faz o que eu faço - não por incapacidade e sim por opção", esclarece, lembrando que tem total controle sobre seu trabalho, desde arranjos em seu disco e produção ao figurino de seus músicos no show.

   Dona de um selo, está finalizando a produção de um CD em homenagem à Virgem Maria, que terá participações de cantores como Chico Buarque, Gilberto Gil e Ney Matogrosso, entre outros.

   Elba se apresenta em São Paulo nos dias 03 e 04 de agosto, no Olympia. (TERRA)

"Sou única", diz cantora Elba Ramalho

Ricardo Ivanov / Redação Terra

   Elba está com 50 anos. Tem 21 de carreira. Vai se casar no dia 17 de agosto com um jovem com 20 anos a menos que a cantora. Quer adotar filhos - e quer engravidar também. Teve de escolher entre continuar os vários bem-sucedidos shows da reunião Grandes Encontros com Zé Ramalho e Geraldo Azevedo e partir para o álbum solo, Cirandeiras. Foi chamada de fanática por alienígenas em uma revista brasileira.

   Bom, nessa salada toda, Elba Ramalho emerge com uma solidez de idéias inabaláveis. Foi assim que se apresentou aos jornalistas em uma coletiva em São Paulo, para divulgar show de seu novo CD, no Olympia, nos dias 3 e 4 de agosto. "O CD e o show estão com a minha cara", vai logo dizendo, sempre simpática. "Em termos de espetáculo, sou única. Não que as outras cantoras não tenham competência, é por uma questão de opção delas mesmo", analisa, pontuando que está em uma fase madura e no controle de tudo.

   Por questões profissionais dos integrantes do Grandes Encontros (reunião de Elba com seus amigos Zé e Geraldo), teve de abandonar várias datas para shows e até requisições internacionais para apresentações. E Elba continua no controle. No disco, não quis produtor metendo as mãos nos arranjos, trazendo partituras feitas para ela interpretar. "Não sou uma pessoa acanhada, que espera as coisas se aprontarem, músicos se prepararem. Gosto de participar", disse, ressaltando que talvez seu lado teatral tenha alguma coisa a ver com isso.

Trabalho à vontade

   "Gosto do produtor do disco Grandes Encontros, com quem já trabalhei antes, mas teve várias coisas que eu não deixaria passar", diz, revelando seu lado perfeccionista. Quando grava uma música do parceiro "véio" Lenine, gosta de sentar com ele, ensaiar descompromissadamente. Assim, deixa os músicos à vontade, criando com ela.

   No show, chega a vestir seus músicos e cuidar pessoalmente da cenografia. Tem uma gravadora, que vai lançar um disco em homenagem à Virgem Maria com cantores como Gilberto Gil, Caetano e Chico Buarque. E está à caça de um novo nome no forró, para lançar no ano que vem. E tudo ainda está nas mãos de Elba.

   Aliás, sobre o gênero, tem várias observações. "Já ouvi muita musiquinha que está por fora. Gosto das bandas universitárias. O que acontece é que um Falamansa vende 1 milhão de copias e aí um monte de outros grupinhos aparecem imitando. E fica um clichê, uma xerox da xerox, um xotinho de pé de serra, sabe?", diz a cantora.

   Elba também falou sobre uma recente matéria da Folha de S. Paulo que escolheu as 30 melhores cantoras brasileiras e não a colocou na lista. "Foi um lapso preconceituoso. Hoje em dia, no entanto, o artista não precisa mais da mídia. Ela pode falar mal, que as pessoas vão aos shows, ouvem as rádios. Mas conheço artistas que se abalam demais com uma crítica negativa", avalia.

CDs mais baratos

   Elba também batalhou junto a sua gravadora para que seu novo CD custasse barato nas lojas, como uma medida para evitar pirateagem e facilitar o acesso ao público menos abastecido de grana. "Prometi fazer um CD com custos baixos e cumpri isso. Mas não tem jeito. Tem a parte da gravadora e o lojista também dá um jeito de encarecer o produto", diz, sabendo ser uma das cantoras mais pirateadas do País. Esse braço-de-ferro Elba perdeu.

   Entre o Céu e o Mar, canção com Elba, faz parte do tema da novela Porto dos Milagres, da Globo. A cantora avalia que isso seja fruto de sua boa relação com Mariozinho Rocha, diretor musical da Globo, que sempre que encontra um tom regional como o da atual novela, chama Elba. "É um chamego dele comigo", diz.

   Controle, pelo conjunto de fatos na carreira de Elba, é isso: um misto de saber o que quer, quando quer e quando ceder. No show, por exemplo, se permite ousadias do tipo colocar três músicas que nunca gravou (Jósé, Paraíba e Homem com H) na abertura. Bem disposta, vai casar no dia 17 de agosto, quando completa 50 anos - no controle total e tranqüilo de sua vida. (TERRA)


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