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03/08/2001

Desbocada e afinadinha: é a Nana de sempre

Bernardo Araujo

   A história já começa inusitada. Nana Caymmi estava no Rock in Rio, em janeiro, quando teve uma idéia: mudar de gravadora. Conversou com o presidente da EMI, onde havia acabado de renovar contrato, e foi criar-se na Universal. Era o começo de uma nova vida, outro desafio, outra filosofia...

   — Não mudou coisa nenhuma — corta Nana, deitada num sofá na nova companhia, onde enfrenta uma gripe e a regulamentar maratona de entrevistas. — Estou trabalhando com velhos amigos, os mesmos músicos. Até os horários que reservara em um estúdio quando ainda estava na EMI foram usados no CD.

   Nana está lançando “Desejo”, composto majoritariamente por músicas inéditas. Ela mesma admite sofrer alguma insegurança ao apresentar um novo repertório ao público, mas encara o desafio:

   — Tinha que ser assim, né? — diz. — Já vinha preparando este repertório há um bom tempo e, ao longo da gravação, foram surgindo mais canções, algumas muito boas. Já tenho um bom baú para 2002.

   O CD começa com “Saudade de amar”, do mano Dori Caymmi, composta em inglês e vertida para o português por Paulo César Pinheiro.

   — Queria abrir arrasando, com “Frases do silêncio”, de Marcos Valle e Erasmo Carlos, mas tive que usar o gancho da novela — diz, lembrando que “Saudade...” é tema da personagem Adma (Cássia Kiss) em “Porto dos Milagres”.

   No disco, Nana conta com o piano de Ivan Lins em duas faixas e com o amigo Zeca Pagodinho, na bela “Vou ver Juliana”, de Dorival Caymmi, em versão mais balançada.

   — Sou fã do Zeca há muitos anos, tenho até fotos minhas com ele em casa — diz Nana. — Queria gravar com ele desde que não consegui participar de um “Casa de samba” em que cantaríamos juntos.

   A escolha da canção veio de um episódio familiar.

   — Eu vivia falando da Juliana ( sua sobrinha, filha de Danilo Caymmi ), dizendo “Juliana isso, Juliana vai parir”, até que lembrei da música. Era óbvio.

   Apesar da canção mais animada, Nana lembra que seu métier é a música romântica.

   — Gosto é de dançar junto, de coxear — diz. — Sou muito a favor de um coito. (O GLOBO)


Com relação a este tema, veja também:

Sites de NANA CAYMMI e de outros artistas nordestinos em MÚSICA (ELAS)
Sites de outros membros da família CAYMMI em MÚSICA (ELES)

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