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15/08/2001 O violoncelista pernambucano Antonio Meneses realiza quatro concertos no País
BEATRIZ COELHO SILVA RIO - Os quatro concertos que o violoncelista Antonio Meneses faz no Brasil, de hoje até o fim do mês, podem ser o início de um abrasileiramento de sua carreira. Hoje, ele toca no Teatro Municipal do Rio, com a Orquestra Petrobrás Pró-Música; na sexta-feira, com renda revertida em prol da Associação para Crianças e Adolescentes com Tumor no Cérebro (Tucca), ele estará no Teatro São Pedro, em São Paulo; e, no fim do mês, apresenta-se com as filarmônicas de Manaus (no dia 26) e do Nordeste (no dia 27, no Recife). Apesar de ter Villa-Lobos no programa do
concerto paulista, Meneses pretende, a médio prazo, voltar-se para outros autores
brasileiros. No Rio, é a primeira vez que Meneses toca com a Pró-Música, da qual fazem parte seus quatro irmãos. A orquestra foi fundada há 15 anos pelo maestro Armando Prazeres e, após a morte dele, é dirigida por Roberto Tibiriçá, que veio da Orquestra Sinfônica Brasileira. "Para os músicos, especialmente os de cordas, tocar com Antonio Meneses é como uma master class", elogia o maestro. O solista retribui lembrando que, no difícil mercado da música erudita do Brasil, a Pró-Música se destaca. "É um grupo que vem crescendo e encontrando seu espaço. Há casos assim no Rio e em São Paulo, embora a gente saiba que as condições são complicadas para o músico brasileiro." Max Bruch e Schumann foram os compositores escolhidos por serem do período romântico e estarem no repertório tanto de Meneses quanto da Pró-Música. "Kol Nidrei, de Bruch, é uma peça da liturgia judaica, hiper-romântica, mas dá a impressão de haver pouca intimidade do compositor com o violoncelo, parece feita no piano e transposta. E o Concerto em Lá Menor, de Schumann, é um dos mais bonitos que ele fez, já na maturidade, quando começava a dar sinais da loucura que o levou ao hospício. Mas é uma peça de quem tinha bastante conhecimento do violoncelo", ensina Meneses. Segundo ele, o número de peças
compostas para seu instrumento é limitado e, por isso, não é possível dedicar-se a um
gênero ou a um compositor, mas abranger todas as áreas. "Assim, quero ver o que
acontece no mundo hoje, especialmente entre os brasileiros", diz. Meneses conta que
vem ao Brasil pelo menos três vezes ao ano e aproveita os concertos para conhecer o
País, de onde saiu no fim dos anos 70 já premiado, para estudar na Alemanha. Meneses vem de uma família de músicos. Seu pai era trompista da OSB, mas não quis que nenhum dos filhos estudasse seu instrumento. "Foi ele quem escolheu o violoncelo para mim. Hoje, tem mais um que toca cello e outros três, violino. Às vezes eles tocam juntos, mas é a primeira vez que me apresento com eles", conta. Sobra pouco tempo, já que sua carreira o faz viajar o tempo todo, dando concertos, cursos ou master classes. Hoje, ele não passa mais horas e horas debruçado sobre seu instrumento, um Matteo Goffriler do século 18 (que está para o violoncelo como o Stradivarius está para o violino). "Estudo o necesário. Como meu calendário é muito apertado, estou sempre revendo ou aprendendo peças novas. E tenho, claro, minha vida pessoal, fora da música." Ele só não se interessou ainda pela música popular, que aprecia como ouvinte, mas nunca tocou, apesar de seu instrumento estar cada vez mais presente nos arranjos desse gênero. "O violoncelo é um elemento exótico na música popular, que sai e entra na moda. Até hoje, não tive nenhuma proposta que me atraísse nessa área", comenta. Como passa pouco tempo no Brasil, geralmente em concertos, ele se surpreende ao saber que cresce o número de jovens interessados em estudar música erudita e também violoncelo. "Pode ser um modismo, mas é sempre bom. O importante para o músico não é o instrumento escolhido, mas sim o prazer que a pessoa tem com a música e sua relação com o sentimento que pode extrair dela." (O Estado de S. Paulo) Com relação a este tema, veja também: |
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