Notícias

26/07/2001

Terra Bárbara: Novos perfis de cearenses

   A Fundação Demócrito Rocha lança mais cinco volumes da Coleção Terra Bárbara. Nesta nova fornada, a biografia do jurista Clóvis Beviláqua, do industrial Delmiro Gouveia, do escritor José de Alencar, da voluntária Jovita Feitosa e do frei Tito de Alencar. Noite de autógrafos hoje, a partir das 19 horas, no CCBN.

   Eles nasceram no Ceará, mas ficaram conhecidos bem além de nossas fronteiras. Alguns ficaram esquecidos, outros nem tanto, mas todos merecem voltar outra vez à cena cotidiana. Porque, através desses personagens, pode-se ter uma percepção mais plural de como se formaria o Brasil de hoje. É com este objetivo que a Fundação Demócrito Rocha criou a Coleção Terra Bárbara, livros de tamanho pequeno, leitura acessível mas bem escritos e fundamentados, para que mais leitores, de todos os níveis, possam ter acesso a essas mulheres e homens do passado que vislumbraram para além de seu tempo. Cinco novos volumes da coleção têm lançamento hoje à noite, no Centro Cultural Banco do Nordeste.

   Fazem parte desta fornada os perfis de Clóvis Beviláqua, autor do Código Civil Brasileiro (escrito por César Asfor Rocha); Delmiro Gouveia, pioneiro da eletrificação rural, em texto de Aírton de Farias; o romancista José de Alencar, autor de Iracema, Minas de Prata, O Guarani, Guerra dos Mascates e Lucíola, dentre outros clássicos da literatura brasileira, foi percebido pela ótica de Mona Gadelha; Jovita Feitosa, que se travestiu de homem para se engajar nas tropas em guerra contra o Paraguai, tem sua curta vida revelada por Kelma Matos; e Tito de Alencar, frade dominicano preso e torturado pela ditadura militar, tem sua tragédia contada por Socorro Acioli.

   "A Coleção Terra Bárbara é composta de livros que unem o prazer de ler ao resgate da memória e da cultura cearense. Livrinhos de bolso que guardam histórias imensas'', diz Lira Neto, coordenador editorial da Fundação e mentor da Coleção Terra Bárbara. Já foram lançados os seguintes volumes: Adolfo Caminha, Alberto Nepomuceno, Bárbara de Alencar, Benjamim Abrahão, Beato Zé Lourenço, Chico da Silva, Irmãos Aniceto, Jáder de Carvalho, José Albano, Juarez Barroso, Lopes Filho, Moreira Campos, Natanael Cortez, Padre Cícero, Patativa do Assaré e Senador Alencar.

   Já estão agendados, para os próximos volumes da coleção, os perfis do historiador Capistrano de Abreu, do rabequeiro Cego Oliveira, do advogado e pilheriador Quintino Cunha e do Padre Ibiapina, que inspirou tanto Antônio Conselheiro quanto o Padre Cícero. A coleção está aberta a sugestões, para compor um painel o mais amplo possível desses antepassados que deixaram sua marca singular na memória do País. O lançamento dos novos volumes, com a presença dos autores (à exceção de Mona Gadelha, que trabalha em São Paulo) acontece logo mais, às 19 horas, no auditório do Centro Cultural Banco do Nordeste. Os volumes estarão à venda na loja da Fundação Demócrito Rocha (avenida Aguanambi, 282), no local e nas melhores livrarias da cidade.


SERVIÇO

Coleção Terra Bárbara - Lançamento dos volumes Clóvis Beviláqua, Delmiro Gouveia, José de Alencar, Jovita Feitosa e Frei Tito de Alencar, com presença dos autores. Edição Fundação Demócrito Rocha. Preço por exemplar: R$ 5,00. Hoje, às 19 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro). Informações: 255 6270. E-mail: edr@opovo.com.br



FOLHEANDO

Clóvis Beviláqua - O maior jurista brasileiro, nascido em Vila Viçosa, interior do Ceará, foi perfilado por César Asfor Rocha, ministro do Superior Tribunal de Justiça desde 1992. Tradutor, jornalista, historiador, literato, filósofo, orador inspirado, Beviláqua foi o autor do Código Civil Brasileiro (escrito em 1900 e sancionado 16 anos depois). Ao longo de 85 anos de vida, escreveu mais de 700 textos. Ele gostava de trabalhar de madrugada e foi com a caneta nas mãos que a família o encontrou, morto, na manhã de 26 de julho de 1944.

Frei Tito de Alencar - A tragédia do dominicano Frei Tito não foi apenas pessoal, mas parte de um contexto maior, de arbítrio e exceção que torturou e matou centenas de brasileiros durante os anos da ditadura militar. A trajetória política de Tito já foi bem documentada, mas faltavam aspectos de sua infância e juventude em Fortaleza, agora recuperados neste texto preciso e emocionado de Socorro Acioli. Ela coordena, no Ceará, a Rede Infanto-Juvenil de Correspondentes Internacionais Brasil/Moçambique, em parceria com o Unicef.

Delmiro Gouveia - Nascido no Ipu, Delmiro viveu uma infância de necessidades em Pernambuco, terra de sua mãe. Trabalhou em trem, foi comerciante de peles e tropeiro, até fundar um império do nada, em Recife. Perdeu tudo, mas conheceu outra vez a riqueza em Pedras (atual Delmiro Gouveia), Alagoas. Construiu a primeira hidrelétrica do rio São Francisco. O ``Rei do Sertão'' foi assassinado aos 54 anos de idade e este crime continua mistério. O bacharel em Direito Aírton de Farias é quem traça a história de Delmiro e investiga as razões de sua morte.

José de Alencar - Neto da revolucionária Bárbara, da Confederação do Equador, José de Alencar também foi um guerreiro. O cenário de suas lutas era, de um lado, o Senado, de outro, as redações dos jornais e ainda os palcos do teatro. Escritor prolífico, deu conta, pelo viés literário, da formação do Brasil. Romances como Iracema e O Guarani eram avidamente devorados pelo público leitor de folhetins. A trajetória do maior escritor brasileiro do século 19 está pontuada pela jornalista, compositora e cantora Mona Gadelha.

Jovita Feitosa - A menina nasceu em Brejo Seco, no ramo pobre do rico clã dos Feitosa, donos do sertão dos Inhamuns. Órfã, a mocinha corta os cabelos a faca, aperta os seios e parte com um grupo de Voluntários da Pátria: quer defender o Brasil, que está em guerra com o Paraguai. Chegando com a tropa ao Rio de Janeiro, sua condição de mulher é revelada. Ela se recusa a seguir para o front como enfermeira. A história da jovem heroína, morta aos 19 anos, é contada por Kelma Matos, professora-adjunta da Unifor e doutoranda em Educação pela UFC.
(O POVO)


Veja sites de autores nordestinos na seção LITERATURA

Google
Web Nordesteweb