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03/11/2002
O projeto de Sandroni, intitulado Registro Sonoro de Tradições Musicais de Pernambuco e Paraíba no percurso da Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938, prevê o registro de repertórios e práticas musicais como aboios, banda-de-pífanos, reis de congo, coco e outros sons tradicionais do Nordeste. O programa selecionado da Petrobrás terá como fruto a edição de 6 mil CDs com uma seleção do repertório pesquisado, que será distribuído a instituições culturais. "Vamos poder comparar o material que foi colhido em 38 com o que se faz atualmente na região", comenta o diretor do Centro Cultural São Paulo, onde estão os registros antigos, Carlos Augusto Calil. O material coletado pela equipe de Mário de Andrade está sendo recuperado em parceria entre o Centro Cultural São Paulo e a Vitae. De acordo com o diretor do centro cultural, Carlos Augusto Calil, as gravações, que totalizam 36 horas de música, serão expostas ao público a partir do ano que vem em uma exposição itinerante. "Vamos lançar em São Paulo, em parceria com o Sesc e depois percorrer o Brasil, passando inclusive pelos locais onde foram gravados os registros", adianta Calil. O Centro Cultural São Paulo também foi um dos selecionados pela Petrobrás, em um projeto de restauração e digitalização do acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga, discípula de Mário, que continuou o trabalho de montagem da discoteca iniciada pelo ex-coordenador do departamento de cultura. Serão digitalizados 20 mil discos e 27 mil partituras, a maior parte deles de música brasileira. O acervo será disponibilizado na internet, diz Calil, mas parte das músicas só poderá ser ouvida no centro cultural, devido às restrições de direito autoral. A Petrobrás recebeu 466 inscrições de projetos para o programa. "Foi complicadíssimo para chegarmos aos finalistas. Em alguns casos, tivemos que optar por um projeto devido à urgência", conta a gerente de patrocínios da Petrobrás, Lorena Coelho. Como exemplo, ela cita a recuperação de gravações de músicas em cilindros de cera, feitas na primeira metade do século e guardadas no Arquivo Nirez, de Fortaleza. "Estes registros estão se deteriorando, por isso temos que correr com o trabalho", diz. São 22 mil discos que serão restaurados e depois digitalizados. "Normalmente, os patrocinadores de música voltam suas atenções para os grandes eventos musicais, mas fica faltando o registro de coisas pequenas, que estão guardadas em discotecas ou ainda nem foram gravadas", analisa Lorena. Voltado para este foco, o Programa Petrobrás de Música foi iniciado, de fato, no ano passado, com o apoio à recuperação do acervo de mais de 2 mil partituras da Arquidiocese de Mariana. "Foi o embrião deste trabalho", conta. Um início promissor: o projeto recebe, no fim do ano, o prêmio Rodrigo de Melo Franco, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O primeiro Programa Petrobrás de Música selecionou, além dos três já citados, o Projeto Coleção Documentos Sonoros e o projeto Timbira, com registros de repertórios indígenas; o projeto Banda Musical do Corpo de Bombeiros, com o acervo da corporação no Rio; o projeto Brasiliana, com o acervo de Radamés Gnatalli; a edição das canções de Alberto Nepomuceno; o registro sonoro e virtual do projeto Som da Rua; o projeto Canta meu Boi, com a obra do mestre Manoel Marinheiro, do Rio Grande do Norte; e um resgate da música instrumental brasileira, principalmente na Bahia, do início do século. Além disso, haverá uma gravação de cinco CDs de música brasileira contemporânea. (© O Estado de S. Paulo)
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