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Próxima parada: gravuras de Aldemir Martins

11/11/2002

Um dos gatos típicos da obra de Aldemir: “Tenho uma caixa de charutos cheia de papéis anotados. O dia em que conseguir fazer a metade do que está ali, serei um homem rico”

Para marcar os 80 anos do artista, mostra itinerante poderá ser vista pelo público em muitas estações de metrô de São Paulo, começando pela Estação Brás

CAMILA MOLINA

   Dia 8 de novembro foi o aniversário de 80 anos do artista cearense Aldemir Martins. Para tal ocasião, foi preparada uma dupla-homenagem: a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o Metrô e o Grupo Santander Banespa inauguraram uma exposição itinerante com 70 gravuras dele, que primeiro fica em cartaz na Estação Brás das duas companhias de transporte coletivo; depois, no começo de dezembro, vai à Estação Sé; passa, no mês de janeiro, na Estação Largo Treze da CPTM; e, por fim, chega a uma agência do Banespa ainda não definida. A mostra tem curadoria de Umberto Mateus. A outra homenagem é a da Galeria Augôsto Augusta, que abriu anteontem uma exposição com obras de Aldemir Martins, Tuneu e Jean Emile.

   Nas duas mostras, o que se pode perceber são os temas sempre tratados pelo artista - paisagens, flores, flores e vasos, frutas, mulheres, pássaros, peixes, e a tão recorrente figura do gato, entre outros - e sua grande relação com as cores fortes, apesar de sua preferência se restringir ao vermelho, preto e branco. Nascido na cidade de Ingazeiras, Vale do Cariri, Martins dedicou mais de 50 anos de sua vida à carreira artística.

   Desenhando desde menino, foi somente no início da década de 40 que Aldemir Martins iniciou sua trajetória. Talvez o marco seja a criação da Sociedade Cearense de Artistas Plásticos, em 1941, com o ideal de renovar o ambiente artístico cearense, iniciativa acompanhada por Mário Barata, Barbosa Leite e Antonio Bandeira, entre outros. No ano seguinte, em 1942, Martins mostrou pela primeira vez suas criações, quando participou do 2.º Salão de Pintura do Ceará. Ao mesmo tempo, fez também ilustrações para jornais, mudou-se para o Rio e somente em 1946 fez sua primeira exposição individual, em São Paulo, onde vive até hoje, no bairro de Perdizes.

   Sobre o reconhecimento como artista, pode-se destacar o Prêmio de Desenho Dona Olívia Guedes Penteado, que Aldemir Martins recebeu na 1.ª Bienal de São Paulo, em 1951. E cinco anos mais tarde, ganhou o prêmio mais importante de sua vida, ou seja, foi o escolhido pela Bienal de Veneza para ganhar o Prêmio Internacional de Desenho. Desde então, não parou mais e atualmente continua pintando suas telas em seu ateliê.

   Sobre seu processo de trabalho, Aldemir Martins conta, em entrevista ao jornal Artes, que às vezes, olhando para o chão, a "idéia está desenhada, pintada, refletida." Brincando, diz que "fazer pintura é muito fácil" e continua atestando: "O desenho derrota mais, o desenho me humilha." Ainda de seu processo, Aldemir Martins tem o costume de anotar futuras criações em pedaços de papel. "Tenho uma caixa de charutos cheia de papéis anotados. O dia em que conseguir fazer a metade do que está ali, serei um homem rico", brinca novamente.

(© O Estado de S. Paulo)

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