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Alceu Valença, agora ao lado dos jornais

26/11/2002

Alceu Valença e a capa de seu último CD, ‘De janeiro a Janeiro’: cada vez mais distante da indústria fonográfica nacional

O músico pernambucano está vendendo o 26.º disco de seus 30 anos de carreira, 'De Janeiro a Janeiro', nas bancas de jornal e revistas de todo o Brasil. O novo álbum traz nove canções inéditas e cinco releituras, que contemplam vários ritmos, entre eles o frevo, o xote e até o blues americano

   Já está nas bancas de todo País. 'De Janeiro a Janeiro', o 26.º disco dos 30 anos de carreira do pernambucano Alceu Valença, lançado pelo seu próprio selo, Tropicana, vem encartado na revista 'Música e Atitude', editada pelo jornalista Miguel de Almeida - e o pacote sai por R$ 14,90.

   Em plena forma, Alceu oferece um punhado de nove canções inéditas e outras cinco releituras, todas com sua marca registrada, ou seja, cada uma das faixas com identidade própria e contemplando uma sonoridade diferente.

   O álbum passa pelo xote (em 'Flor de Tangerina' e 'Balanço de Rede'), esbarra no blues norte-americano (na suave 'Blue Baião'), mas, no geral, traz todo o calor nordestino - seja nas melodias, nas letras ou nos arranjos.

   Alceu explica que a opção por vender os discos nas bancas de jornais deve-se ao seu distanciamento, cada vez maior, da indústria fonográfica. "Há anos eu venho me afastando dela e ela de mim. Explico: onde ela vai, eu não vou e, onde eu vou, ela não vai", diz. "Só tive sintonia com a indústria em 1980, com a gravadora Ariola, em que o marketing era feito em cima das pessoas e não em cima dos segmentos. Não me enquadro em nenhum segmento e, dessa maneira, passei por todas as gravadoras e vi elas investirem em brega, axé, pagode, sertanejo. Na medida em que eu não fazia parte desses segmentos, minha música não era trabalhada e não tocava no rádio."

   Foi pela Ariola que Alceu lançou alguns dos seus discos mais bem-sucedidos de sua carreira: 'Coração Bobo' (1980), 'Cinco Sentidos' (81), 'Cavalo de Pau' (82) e 'Anjo Avesso' (83).

   Mas o distanciamento da indústria não chega a comprometer a popularidade de Alceu e ele comemora o fato de já ter se apresentado para 926 mil pessoas em 2002.

   "Sou o múltiplo do singular porque sou quatro em um. No período de São João, eu cultuo a tradição junina e o forró", enumera. "No carnaval, me apresento com uma banda com muitos metais e percussão, para tocar frevo, maracatu, coco e ciranda. Em teatros, me apresento com uma formação de cordas e coloco músicas mais cerebrais. E pelo Brasil, toco com guitarras e sintetizadores.

   As quatro modalidades cultuam a música popular brasileira."

   Para demonstrar a influência do blues em sua música - já explicitada anteriormente em 'Andar, Andar' (de 1990) -, Alceu diz que vê proximidade do gênero norte-americano com a toada nordestina. "Na música americana, existem algumas coisas que têm a ver com as nossas. O blues é um exemplo.

   'Juazeiro', do Gonzagão, por exemplo, parece blues". RAMIRO ZWETSCH

(© Jornal da Tarde)

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