|
10/12/2002
Luiz Gonzaga faria 90 anos na sexta-feira.
Um dos artistas mais importantes da MPB, ganha diversas homenagens, em SP e no Rio, nos
palcos, na TV, em disco
São Paulo - Luiz Gonzaga
do Nascimento, Lua, Gonzagão, o Rei do Baião, faria 90 anos na sexta-feira. Um dos
artistas mais importantes da música popular brasileira, ganha diversas homenagens, em
São Paulo e no Rio, nos palcos, na televisão, em disco. O Sesc Pompéia, em São Paulo,
apresenta, de sexta a domingo, a série São Luiz Gonzaga, espetáculos com vários trios
de música nordestina - o formato instrumental característico de sanfona, zabumba e
triângulo, foi fixado por Gonzaga, na virada dos anos 30 para os 40.
Vai ser uma espécie
de festa de São João fora de época, com shows ao ar livre ou na área de convivência.
Assim, com espaço para a platéia dançar. Amanhã, das 15 às 21 horas, se alternam no
palco do deck do Sesc Pompéia os trios Virgulino e Sabiá; na rua central, tocam os trios
Araripe e Forrómangseco.
Quinta-feira, entre
as 14 e as 17 horas, toca, na área de convivência, o Trio Araripe; no domingo, no mesmo
horário e espaço, apresenta-se o Trio Sabiá. A entrada é franca, para todos o eventos.
O Sesc Pompéia fica na Rua Clélia, 93, telefone (0--11) 3871-7700.
No sábado, o
sanfoneiro Oswaldinho do Acordeon lança, no Sesc Belenzinho, o CD Asa Branca Blues.
Como indica o nome, é uma tentativa de aproximar a música do sertão brasileiro da
também nascida no campo, nos Estados Unidos, usando como ponto de partida a mais famosa
das composições de Gonzaga - Asa Branca tem letra de Humberto Teixeira. O show de
Oswaldinho começa às 21 horas e o Sesc Belenzinho fica na Avenida Álvaro Ramos, 915,
telefone (0--11) 6602-3700. Os ingressos custam entre R$ 5,00 e R$ 10,00.
Filho de Gonzaguinha,
neto de Gonzagão, Daniel Gonzaga é uma das atrações do espetáculo Gonzagão 90
Anos, cartaz da sexta-feira no Armazém 5, no Cais do Porto, centro do Rio (Rua
Rodrigues Alves, sem número). Marcado para ter início às 23 horas, o evento terá
shows, ainda, de Marinês e Sua Gente - Marinês é a Rainha do Xaxado, como a batizou o
próprio Lua, no tempo em que ela participou do grupo dele -, da veteraníssima Banda de
Pífanos de Caruaru - que tem 74 anos de existência - e do grupo neo-xaxante
Forroçacana.
O Armazém 5 tem
capacidade para receber 3.500 pessoas na platéia. A homenagem ao Rei do Baião será uma
festa dançante.
O Quinteto Violado
também tem disco novo, em homenagem a Gonzaga. É Retirantes - De Sanfona e Violadas
(gravadora Atração). A ligação do Quinteto com o homenageado foi duradoura, e a
admiração, recíproca. O grupo pernambucano lançou seu primeiro disco em 1972. A faixa
de abertura era Asa Branca. O arranjo do contrabaixista Toinho Alves trazia um
estranhamento um deslocamento da nota do baixo, no terceiro compasso da melodia. Foi um
sucesso extraordinário e tornou o quinteto, imediatamente, uma das formações
instrumentais mais populares daquele momento.
No novo disco, o
Quinteto regravou Asa Branca, com aquele mesmo arranjo lançado há 30 anos. Todas
as faixas, menos uma, são de autoria ou foram do repertório de Gonzaga. A exceção é São
João de Seu Luiz, composta por Toinho Alves em 1989, quando o compositor morreu. Da
gravação da música participam, entre muitos nomes famosos, Chico César, Elba Ramalho,
Silvério Pessoa, Patrícia França, Xangai, a Banda de Pau e Corda.
Por fim, no sábado a
TV Cultura apresenta, às 21 horas, o documentário inédito As Sanfonas do Lua,
dirigido por Mario Rezende. O programa refaz a trajetória de Gonzaga e mostra que,
incentivador, ele deu mais de 200 sanfonas a músicos jovens, ao longo da vida. Mauro Dias
(© estadao.com.br)
A vida de Gonzagão, na TV Cultura
O programa Doc. Brasil, da TV
Cultura, apresenta, no sábado, às 21 horas, o documentário As Sanfonas do Lua,
em homenagem aos 90 anos do grande compositor pernambucano
São Paulo - O programa Doc. Brasil, da TV Cultura, apresenta, no
sábado, às 21 horas, o documentário As Sanfonas do Lua - bela homenagem aos 90
anos do grande compositor pernambucano. Gonzaga morreu em agosto de 1989. Nos últimos
tempos, vivia de volta na cidade natal, Exu, no sertão de Pernambuco. No dia de seu
aniversário, 13 de dezembro, reunia os amigos na varanda da casa, para uma cachacinha e
muita música. Aliás, reunia os amigos no dia 12 e no dia 13. Era uma festa longa. Depois
de sua morte, os amigos continuaram fazendo a festa. "Era assim ele gostaria que
fosse", conta, no documentário, um deles, sanfoneiro, que ainda mora em Exu.
A direção de As Sanfonas do Lua é de
Mario Rezende, que também fez a pesquisa e o roteiro do documentário, usando imagens dos
arquivos da "TV Cultura", mas viajando, também, a Exu, para mostrar a festa do
13 de dezembro, à qual acorre gente de todo o País - sanfoneiros, muitos deles
discípulos de Gonzaga gente da região, turistas que vão ali para ouvir, cantar e
dançar forró de verdade.
É ótimo, o documentário, que dura 53 minutos e
poderia durar mais. Dividido em três blocos, alterna, com tranqüilidade sertaneja (nada
de linguagem de clipe, cortes bruscos, imagens retrabalhadas) cenas de arquivo, galeria de
fotos, vistas da festa e depoimentos dos discípulos de Gonzagão: Dominguinhos,
Oswaldinho, Waldonys, Zé de Benona, Arlindo dos 8 Baixos, Hildelito Parente, Vital
Barbosa, Luizinho Calixto - dezenas de sanfoneiros, além de Gilberto Gil, que, no ano
passado, lançou o CD São Luiz Vivo, homenagem àquele que foi um de seus mestres.
Foi imitando a respiração do fole de Gonzagão que Gil criou o revolucionário pulso
violonístico da canção Expresso 2222.
Numa idéia brilhante, o diretor Mario Rezende
optou por contar a história de Luiz Gonzaga tendo a sanfona como condutora da narrativa.
Gonzaga era filho de sanfoneiro - Januário, tocador de oito baixos, para quem ele
comporia, mais tarde, o xote Respeita o Januário. Menino, por volta dos 8 anos,
Gonzaga já tocava com o pai. Mas não tinha uma boa sanfona. Um coronel da região viu
que tinha talento e deu-lhe uma. "Ele ficou tão feliz que desmaiou", conta, em
depoimento, a irmã Chiquinha Gonzaga, também sanfoneira, como, por sinal, os outros
irmãos, Severino Januário e Zé Gonzaga (que Luiz considerava o melhor instrumentista da
família).
Gonzaga não esqueceu o gesto do benfeitor. E, ao
longo da vida, todas as vezes em que encontrava um músico de talento que não tivesse
instrumento à altura de sua habilidade, dava-lhe um bom instrumento de presente. Não há
conta precisa de quantas sanfonas deu. Foram mais de 300. Algumas, para nomes hoje
famosos. Gonzaga viu Dominguinhos numa feira, em Caruaru, em 1954. Dominguinhos tinha 8
anos (como ele mesmo tinha, quando ganhou a primeira sanfona). Ficou impressionado com o
talento do moleque e - tome sanfona. Para Oswaldinho, para Pedro Sertanejo, para Waldonys,
conhecidos, anônimos.
Até o início da idade adulta, Luiz Gonzaga ficou
pelo sertão, tocando, ganhando dinheiro nas festas e feiras. Mas apaixonou-se pela filha
de uma família ´remediada´, como diz Chiquinha Gonzaga, que não gostava do namoro com
´aquele preto´. A mãe de Gonzaga proibiu o filho de ver a moça, para não ser
humilhado. Gonzaga fugiu. Alistou-se no Exército, foi parar em Fortaleza, depois Juiz de
Fora, São Paulo e Rio - foram nove anos como corneteiro militar.
No Rio, tocou na zona do baixo meretrício
enquanto tentava chance no rádio. Contratado pela Rádio Nacional, foi proibido de cantar
pelo diretor da emissora, o compositor e jornalista pernambucano Fernando Lobo (pai de Edu
Lobo). Gonzaga era acompanhante, não cantor, conta Dominguinhos. Depois, usava aquele
chapéu de couro, sandálias, gibão. "Mas foi ele quem deu chance ao artista
nordestino de se vestir como nordestino", afirma outro depoente. "Na verdade,
ele se vestia de Lampião; ele viu os cabras de Lampião xaxando, e foi isso que trouxe
para o Sul", completa Dominguinhos.
Sempre de acordo com o discípulo, Gonzaga
cristalizou a linguagem do baião e de suas variações - o xote, o arrasta-pé, o xaxado.
Além de ter inventado uma maneira nova de tocar o acordeão, que preferia chamar de
sanfona. "A puxada de fole dele, ninguém fazia, só ele, foi ele quem
inventou", diz Waldonys - aquele jeito que dava ao toque uma respiração
entrecortada e balançada, o resfolego que ninguém faz igual , e que foi o que Gil
transportou para o violão no citado "Expresso 2222".
Os amigos, familiares e seguidores contam
histórias de Gonzaga, algumas sentimentais, outras engraçadas - numa ocasião, depois de
30 anos gravando pela RCA Victor, queixou-se de que não conhecia o dono da fábrica, só
o cachorrinho (o logotipo de RCA era o desenho de um cachorro em frente a um gramofone).
Já idoso, Gonzaga tinha osteoporose. Usava
cadeira de rodas, mas não deixou de tocar. Perto da morte, disse para Zé Benona:
"Eu vou, mas vocês segurem o baião, porque as outras músicas passam, mas o baião
precisa ficar." O documentário termina com Gonzaga tocando os últimos acordes de Asa
Branca. Termina a música, sorri aquele riso aberto e pergunta: "É preciso dizer
mais?" Mauro Dias
(© estadao.com.br)
| Quinteto Violado grava novo
CD |
Com o disco Retirantes - De
Sanfona e Violadas, em que o grupo homenageia o mestre Luiz Gonzaga, o Rei do Baião Recife - Já está disponível no mercado o novo CD do Quinteto Violado, Retirantes
- De Sanfona e Violadas, em que o grupo homenageia o mestre Luiz Gonzaga, o Rei do
Baião, escolhido personagem do século 20 em Pernambuco e que estaria completando 90 anos
na sexta-feira. O disco marca a data, mas sobretudo prega a preservação da memória
artística do músico que influenciou artistas de diferentes tendências e regiões do
País.
O Quinteto teve a obra de Gonzaga como base da
própria história e conviveu com o artista de 1972 a 1989 - ano da sua morte -, por isso
preferiu fazer um disco a partir de músicas que pudessem contar um pouco desse convívio,
servindo de moldura para os "causos" ligados a cada uma delas. E, para criar um
compromisso do artista brasileiro em manter viva a musicalidade do velho Lua, convidaram
22 artistas que cantam a última faixa do CD, São João de Seu Luiz, do violado
Toinho Alves.
Elba Ramalho, Paulinho Moska, Cleiton &
Cledir, Chico César, Cláudio Lins, Xangai, Silvério Pessoa, Banda de Pau e Corda e os
forrozeiros Alcymar Monteiro, Maciel Melo, Santana e Flávio José são alguns dos
participantes da faixa, que será apresentada no espetáculo por intermédio de um clipe.
"Primeiro pensamos em todos cantando em coro, depois optamos por cada um interpretar
um trecho, revelando os diferentes sotaques e tendências, mostrando que Gonzaga
ultrapassou as barreiras do forró e do Nordeste", observou Toinho Alves.
Gonzaga participou de dois discos do Quinteto e
juntos eles fizeram alguns shows e várias Missa do Vaqueiro, evento musical-religioso que
se realiza até hoje, em Serrita, no sertão pernambucano, em julho, em homenagem a
Raimundo Jacó, primo de Gonzaga e vaqueiro querido e respeitado na região, morto numa
emboscada. "Gonzaga tinha grande carisma e o nosso relacionamento sempre foi
despojado, afetivo, baseado nas afinidades culturais", afirmou Marcelo Melo, outro
integrante-fundador do grupo, lembrando que nas primeiras vezes que tocaram na Missa do
Vaqueiro, viajavam em seu próprio carro, por estradas de barro nem sempre transitáveis e
sem cachê. "O que nos motivava era a identidade com Gonzaga, era a vontade de estar
junto num projeto em que acreditamos."
O Quinteto violado tornou-se conhecido ao gravar Asa
Branca (Gonzaga e Humberto Teixeira) em 1972 e no novo disco, que tem 14 músicas,
repete o mesmo arranjo dessa gravação de 30 anos atrás, atendendo aos pedidos dos fãs.
Embora o repertório não seja convencional, além de Asa Branca composições
conhecidas estão no disco, a exemplo de Que nem Jiló (Gonzaga e Humberto
Teixeira) e A Volta da Asa Branca (Gonzaga e Zé Dantas).
Vigor e alegria são características do CD, que
foi gravado em uma semana e se inicia com a reprodução de uma fala mais que elogiosa de
Gonzaga aos rapazes do Quinteto, durante uma entrevista à "TV Cultura", de São
Paulo, quando ele diz o que o grupo representava no cenário da música brasileira.
"Representa tudo: a sustança, o tutano do corredor do boi, a vitamina, a proteína,
padre Cícero, frei Damião, Ascenso Ferreira, Lampião, Cego Aderaldo (tocador de viola
cearense), Nélson Ferreira, Zé Dantas, tudo isso é o Quinteto Violado."
A primeira música, "Boiadeiro", traz um
aboio na voz de Luiz Gonzaga. A composição abre o repertório, da mesma forma que sempre
iniciava os shows do homenageado. Asa Branca vem na seqüência e depois No Ceará
não "Tem Disso não" (Guio de Moraes), com arranjo latino, misturando salsa e
baião.
A seguinte, Respeita Januário (Gonzaga e
Humberto Teixeira), foi escolhida para servir de pano de fundo para uma das histórias que
Gonzaga contava sempre com muita graça e que serviu de inspiração à música. Na
primeira vez que voltou a Exu, onde nasceu, no sertão pernambucano, anos depois de ter
saído da casa dos pais para ganhar a vida, aos 17 anos, Gonzaga chegou de madrugada e
bateu à porta. Estava escuro e o pai não o reconheceu, perguntando "quem é?",
ao que Lua respondeu: "É Lula, seu Januário, seu filho."
A réplica veio rápida: "Isso é hora de
chegar em casa, corno?" O ABC do Sertão, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, originalmente
um baião, tocada em ritmo de ciranda, fala por si mesma, ensinando sobre a área seca
nordestina. Carolina com K (Luiz Gonzaga) revela o lado conquistador de Luiz Gonzaga e,
segundo o Quinteto, essa Carolina era uma morena bonita que permeava as fantasias do
compositor.
´Jesus Sertanejo´ - Morte do Vaqueiro (Gonzaga e
Nélson Barbalho) faz parte da Missa do Vaqueiro, instituída em 1970 por Gonzaga e padre
João Câncio, da qual o Quinteto participa desde 1976. É um momento mais solene, que
lembra a importância do vaqueiro, também retratada na música que vem a seguir,
"Jesus Sertanejo" (Janduhy Finizola), que transfere a imagem de Jerusalém para
o sertão, com um Jesus vaqueiro. O vaqueiro é o grande referencial e símbolo da unidade
social da região.
Para onde "Tu Vais Luiz?" (Luiz Gonzaga)
serve de cenário para duas histórias que o compositor dividiu com o Quinteto nas suas
andanças e encontros. A primeira é sobre a chegada de um juiz no interior que, querendo
mostrar sua autoridade (antes concentrada no padre e no soldado de polícia), tenta
proibir um matuto de vender faca na feira de mangaio, por se tratar de arma branca.
"Tem que quebrar a ponta." O matuto indaga quantas o juiz quer e a resposta é
"nenhuma".
"Se o senhor que está encomendando não
quer, imagine o povo", rebate ele. Na segunda história, Gonzaga é indagado, numa
emissora de rádio de uma cidadezinha do interior, sobre a maior expressão da música
nordestina. Sem pensar muito no assunto, ele diz ser a banda de pífanos. Ao sair da
rádio, por coincidência, vem pela rua uma banda de pífanos tocando. "Só sendo
corno para tocar isso", comenta ele então.
Gonzaga era um menino medroso, que começou a
tocar sanfona escondido da mãe, Santana, seguindo os passos do pai, Januário José dos
Santos. Diferentemente dos oito irmãos, seu nome é o único que não tem o sobrenome dos
pais. No seu batismo, Januário disse ao padre que ele se chamaria Luiz. O padre sugeriu
então acrescentar o Gonzaga, por conta de São Luiz Gonzaga. Como era mês de dezembro,
nascimento de Jesus Cristo, o padre completou a tarefa e ele recebeu o nome de Luiz
Gonzaga do Nascimento.
O lado romântico de Gonzaga está na faixa
"Qui nem Jiló", primeira música romântico que ele fez - com sucesso.
"Forró de Mané Vito", que a sucede, lembra ao Quinteto um episódio em que o
grupo toca a música só instrumental num ritmo muito rápido. Lua assistia a um
espetáculo em que ela era executada e não se conformava com a ausência da letra. Subiu
ao palco para cantá-la, mas não conseguiu acompanhar.
Por isso, o Quinteto colocou a música, cantada. A
embolada tem no arranjo a presença forte da percussão - lembrando o movimento mangue de
Chico Science, que era excelente embolador - e o berimbau - numa homenagem à Bahia.
O Quinteto também não poderia deixar de incluir
"Sá Marica Parteira" (Gonzaga e Zé Dantas) porque é uma das músicas que
adorava ouvir cantada por Luiz Gonzaga, tendo como acompanhamento apenas "o
resfolego" da sua sanfona. Com seu jeito autêntico, sua musicalidade e linguagem que
expressavam da forma mais genuína o próprio Nordeste, Gonzaga cantava a letra meio que
contando o parto de Sá Juvina, mulher do capitão "Barbino". Quando começam as
dores do parto, o capitão chama o vaqueiro Tonho e o manda ir atrás da parteira.
"Vou cuspir no chão e quando ele secar, quero você de volta", ameaça ele.
Tonho sai apavorado, em disparada, em cima de um cavalo.
A música contém os elementos que caracterizavam
um parto da época, na zona rural, como a presença de rezadeiras pedindo um bom parto e o
costume de botar cebola e fumo no nariz da parturiente para provocar espirros e ajudar as
contrações.
Como seria impossível reproduzir o
"chamego" da sanfona de Gonzaga, e como o Quinteto já nasceu livre e sem
barreiras para fazer uma leitura moderna dos folguedos e da riqueza cultural produzida no
Nordeste, Sá Marica tem acompanhamento inspirado nas trilhas de seriados como
"Fantasma" e "Durango Kid". "A Volta da Asa Branca" (Gonzaga
e Zé Dantas) está presente como proposta da sua permanência, e o "tratado"
musical São João com Seu Luiz, fecha o CD.
O disco foi lançado no Recife na semana passada
com duas apresentações no Teatro Santo Isabel (século 18), reaberto ao público depois
de sete anos em reforma. Uma exposição de 37 fotos de Gonzaga, do acervo do jornalista
pernambucano Tarcísio Regueira, foi aberta na sexta-feira e ficará um mês em cartaz na
sede da Fundação Quinteto Violado, no bairro do Recife Antigo.
Sanfona - A mostra permite uma viagem no tempo,
com Dominguinhos aos 8 anos, recebendo a primeira sanfona de Gonzaga; o casamento de Luiz
Gonzaga com Helena (1948); ele menino tocando ao lado do pai; Gonzagão e seu filho
Gonzaguinha com Milton Nascimento vestindo gibão e chapéu de couro.
E ainda: Gonzaga
tangendo uma boiada; com Chacrinha; em uma cadeira de rodas chegando para o seu último
show, no Teatro Guararapes (Recife) em junho de 1989; com seu parceiro de sucessos Zé
Dantas e no início da década de 30, quando entrou para o Exército.
O show Retirantes, em que o Quinteto vai cantar as
músicas do disco, dividindo com o público suas lembranças e vivências com Gonzaga,
deverá estrear no próximo mês, sob direção do pernambucano João Falcão. A
intenção é percorrer todo o País.
O Quinteto tem uma trajetória de 30 anos e 42
discos. Da sua formação original, mantiveram-se Toinho Alves e Marcelo Melo. Ciano está
há 22 anos e Roberto Mescal há 17. Dudu Alves integra o grupo há 12 anos. Angela Lacerda
(© estadao.com.br) |
Com relação a este tema, saiba mais
(arquivo NordesteWeb)
|
|