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17/12/2002
A artista, conhecida como carpideira pop, lança hoje seu disco independente, no qual deita e rola numa cama de efeitos eletrônicos. Ela gravou o que quis, sem rótulos, e se saiu muito bem desta SCHNEIDER CARPEGGIANI Até para os parâmetros do disparatado universo musical pernambucano, sempre chegado a promiscuidades sonoras e ao esquema tudo e todos ao mesmo tempo agora, Tânia Christal é uma figurinha estranha. Nossa legítima detentora daquele batido rótulo turma do eu sozinho. Quando retornou da Europa, em meados da década passada, entrou em contato com a cena mangue já em ebulição e ganhou o apelido de carpideira pop, ao lado da banda Sô Severino. Mas não era o suficiente. Embarcou em uma carreira solo, sumia e reaparecia, reformulada, quando ninguém esperava. Pois para quem nunca entendeu bem o que a ex-carpideira pop queria, ela completa o quebra-cabeça de uma só vez com seu primeiro CD, Tânia Christal, via Lei de Incentivo à Cultura, que é lançado hoje, com festinha-demonstração, no Centro Cultural Benfica. As pessoas me cobravam algum material, algum registro do meu trabalho. Acho que consegui atender aos pedidos das pessoas com esse disco. E o fato de estar lançando independente, só prova a minha sintonia com o pop atual. O que se faz de mais novo no pop agora segue por caminhos independentes, longe de grandes gravadoras, refletiu Tânia. A produção do CD é de Leo D e William P (ambos do Mad Mud), o que leva a cantora a deitar e a rolar em uma cama de efeitos eletrônicos, transportando o ouvinte a uma viagem musical cheia de possibilidades geográficas. É um pouco o reflexo dos diversos lugares onde já morei na vida, lembrou Tânia, citando uma enorme lista que passa por cidades como Itália, França, São Paulo... CHEIROS E MANIAS O grande trunfo de Tânia foi ter aceitado o risco de fazer um disco sem compromissos com rótulos, direcionamentos, nem nada, e no fim das contas tudo ter ficado coeso, redondo exatamente como aquela fitinha que se grava para aquele melhor amigo, que tem de ter um pouco de tudo, de eletrônica a bossa nova, passando por tango e rock, para só assim contar a história certa e atingir o alvo. É por tudo isso que não causa estranhamento o tango em francês La femme de Lautobus, com direito a sampler da voz de Sônia Braga no filme A Dama do Lotação, abrindo caminho para o quase drumnbass (isso mesmo!) de O Homem Lobisomem. É Tânia flertando e acertando as contas com a pista de dança. E Fleur de rose, um dos hits dos seus shows, ressurge toda fofa, com sua letra sobre essências, cheiros e outras manias similares. O lado mais rocknroll da cantora fecha o CD com Taras, que traz uma croniqueta sobre impulsos amorosos/sexuais, que pega pesado na imaginação do ouvinte - Desenvolvi taras porque/ No seu código de ética/ Eu não tenho a mínima vez/ Vivi coisas raras/ Mas, distante das calçadas noturnas/ É a primeira vez/ Desenvolvi taras porque/ O desejo insatisfeito faz a criação. Por seus diversos flertes sonoros em seu disco de estréia, a ex-carpideira pop continua tão figurinha estranha no ninho (ou na cena) quanto antes. E que continue assim. (© Jornal do Commercio)
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