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Gonzaga Leal lança seu tributo ao centenário de Nelson Ferreira

20/12/2002

O cantor Gonzaga Leal

Compositor resgata boleros, valsas, lamentos e sambas-canção menos conhecidos do maestro

   Efemérides são traiçoeiras porque trazem em si uma tentação à homenagem óbvia. O cantor Gonzaga Leal soube fugir desta cruz ao escolher o repertório do seu segundo disco solo – Minha Adoração – Um Tributo a Nelson Ferreira, que ele lança hoje, às 20h, no Teatro Santa Isabel. Famoso pelas marchinhas carnavalescas e por seus frevos, o maestro, cujo centenário transcorreu no último dia 9, é lembrado por seus boleros, sambas-canção, lamentos, valsas e peças eruditas que revelam o talento e a versatilidade, como compositor.

   Minha Adoração - Um Tributo a Nelson Ferreira foi concebido como uma releitura da porção erudita da obra do maestro pernambucano. Com co-produção da Via Som e patrocínio da Chesf, o CD, assim como o show, é um mosaico que contempla parte do repertório de boleros. No palco, haverá 13 músicos que participaram do CD, muitos deles integrantes da Orquestra Sinfônica do Recife. O crítico musical paulista José Miguel Wisnik também vai fazer uma participação especial acompanhando Valsa Azul, ao piano. Foi ele quem fez a letra que está no CD de Gonzaga. A direção cênica do espetáculo é de Romildo Moreira, o figurino de Jan Souza e a iluminação é de Sérgio Caldas.

   Gonzaga Leal também faz outras homenagens. Cantará Recife Cidade Lendária, de Capiba (amigo e parceiro de Nelson), Estrada do Sertão, de João Pernambuco, e uma versão à capela de Assum Preto, de Luiz Gonzaga, cujos 90 anos de nascimento transcorreram também neste mês.

   O mais novo CD de Gonzaga Leal é talvez a tentativa mais honesta de desmistificar Nelson Ferreira como apenas um compositor do Carnaval. Nas primeiras décadas do século passado, compôs valsas que marcaram época nos cinemas, bailes e reuniões familiares de todo o Nordeste. O primeiro sucesso veio em 1924, com a música Borboleta não é ave. No rádio, foi responsável pela criação de grupos e orquestras e produção e apresentação de vários programas. Ao se dar conta da versatilidade hoje subestimada de Ferreira, Gonzaga Leal foi atrás das obras esquecidas do mestre do frevo.

   “O disco é o desdobramento de um antigo projeto meu sobre valsas em geral, que são a minha paixão. Como não consegui captar recursos para esse projeto, preferi fechar o foco na obra de Nelson”, explica Leal. Ao contrário do que imaginou, a maior parte do material que buscava não foi encontrado no Recife, e sim no Ceará, com o pesquisador Nirez Lopes. Gonzaga não encontrou as letras de todas as composições, por isso algumas delas foram escritas por Oswaldo Montenegro e José Miguel Wisnik.

   Lançamento do CD Minha Adoração - Um Tributo a Nelson Ferreira, de Gonzaga Leal, hoje, às 20h, no Teatro Santa Isabel

(© Jornal do Commercio)

Valsas de Nelson Ferreira
 

Por Catia Oliveira

   O que esperar de um CD em homenagem a Nelson Ferreira? Apesar da resposta  sugerir  marchinhas de Carnaval, Minha Adoração - Um Tributo a Nelson Ferreira traz composições de um maestro que transitava  por diversos gêneros musicais como valsas, boleros e suítes. O  autor de  Minha Adoração, com lançamento marcado para próximo dia 20, às 20h, no Teatro Santa Isabel, define o trabalho como uma releitura da porção erudita da obra do maestro pernambucano. O  cantor e compositor Gonzaga Leal explica que o disco “É  uma tentativa de desmistificar Nelson  Ferreira como apenas um compositor do Carnaval.”

 

   Para compor sua pesquisa musical sobre Nelson Ferreira, Leal  teve que buscar material sobre o maestro no Ceará com o pesquisador Nirez Lopes, não encontrando ainda todas as composições do mestre do frevo.

 

   O Disco, que tem apoio da Chesf,  conta com as participações da Oswaldo Montenegro e José Miguel Wisnik assinando letras de algumas músicas. E, completando o repertório, estão Valsa Azul (um diálogo musical com a Valsa Verde  de Cabipa) e Adoração, gravada anteriormente por Francisco Alves e Nelson Gonçalves. “O disco é o desdobramento de um antigo projeto meu sobre valsas em geral, que são a minha paixão”, confessa Leal.

 

   O Maestro Heráclito Alves Ferreira,  Nelson Ferreira, que estaria completando 100 anos, foi responsável  pela criação de grupos e orquestras, além da produção e apresentação de vários programas da era de ouro do rádio. O primeiro sucesso veio em 1924, com a música Borboleta não é ave. Nascido no município de Bonito, em 9 de dezembro de 1902, nas primeiras décadas do século passado, compôs valsas que marcaram época nos cinemas, bailes e reuniões familiares, tendo seu trabalho reconhecido em todo Nordeste.

 

   Minha Adoração - Um Tributo a Nelson Ferreira traz um libreto com textos de vários convidados que participam do CD, fotos do maestro, além dos acordes da Orquestra Sinfonica do Recife, saudando a versatilidade do mestre do frevo.

 

(© A Ponte)

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