Notícias

18.10.2000
   
Casal Falcão traz "A Máquina" à cidade 

   Depois do sucesso no Recife, Curitiba e Rio, estréia no Sesc Belenzinho peça de Adriana Falcão dirigida por João, seu marido, que conta história de um homem que inventa engenhoca para não perder a sua amada

   Uma história de amor, do tipo que nada tem a ver com os romances que recheiam as novelas de tevê e os filmes de Hollywood, entra em cena esta noite no Sesc Belenzinho. Essa história de amor diferente põe em foco um casal de namorados, Karina e Antônio. Eles moram na pequena e esquecida Nordestina, no sertão.

   Karina, como toda menina, sonha com uma vida diferente da que leva. Deseja vir para o Sul, tornar-se artista de televisão, conhecer o mundo.

   Desesperado, para evitar sua partida Antônio resolve encontrar um jeito de levar o mundo até Nordestina. Com esse objetivo, inventa uma máquina.

   A Máquina, romance da talentosa escritora e roteirista Adriana Falcão, foi levado para o teatro por seu marido, João Falcão. Estreou no Recife em fevereiro, passou em março pelo Festival de Teatro de Curitiba, onde foi um dos campeões de bilheteria, e chega a São Paulo depois de uma temporada de salas lotadas no Rio.

Sem globais

   Embora o público de São Paulo tenha conhecido João Falcão como diretor de Marieta Severo, Marco Nanini, Andréa Beltrão e outros globais famosos, o sucesso de A Máquina não se deve à presença de um ator estelar.

   Seu elenco é formado por seis intérpretes jovens, recrutados na Bahia e em Pernambuco. São eles Lázaro Ramos, Gustavo Lago, Wagner Moura, Felipe Koury, Vladimir Brichta e Karina Falcão.

   O êxito do espetáculo deriva da montagem inventiva de Falcão, que dispõe a platéia em quatro módulos, ao redor de um palco giratório movido pelo elenco, da bela trama de Adriana Falcão e do talento dos integrantes do elenco, que misturam técnicas teatrais com dança, mímica e circo.

   "A idéia do espetáculo nasceu do romance", diz João Falcão. "Comecei a imaginar o espetáculo enquanto Adriana escrevia o livro. Pensei em expressar uma multiplicidade de pontos de vista, apresentando uma distorção da realidade natural. Por isso, coloquei mais de um narrador para viver Antônio." Na verdade, cinco pessoas intepretam o narrador. Falcão diz que a dinâmica estabelecida entre eles derivou dos desafios "de cantadores do Nordeste, que podem passar toda uma noite improvisando".

Longe da estética shopping

   Falcão quis trabalhar com um elenco "que não tivesse agenda nem tevê pela frente. Queria artistas fora do sistema. Em pouco, o grupo estava com cara de companhia."

   E buscou para o visual do espetáculo figuras que fugissem da cara do Nordeste na tevê, romântico mas paternalizado.

   "A peça mostra um Nordeste antigo falando do tempo de hoje, mistura barro e terra com tecnologia. Queria distância da estética dos shopping centers", diz. Como verá o público de A Máquina, ele conseguiu. Nunca houve peça tão pouco nordestina quanto esta, gerada e nascida no Nordeste. (Alberto Guzik, JT)

Serviço

A Máquina' - Sesc Belenzinho (Av. Álvaro Ramos, 991, tel.: 6096-8143). De 4ª a sáb., 21 h, dom., 20 h. Até 26/11. Ingressos: de R$ 10 a R$ 20.

Google
Web Nordesteweb