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21/10/2000

Homenagem ao cordel

    FORTALEZA - Abençoada pelo maior poeta popular do Nordeste, a Bienal Internacional do Ceará abriu as portas esta semana deixando os best-sellers em segundo plano e celebrando a literatura de cordel. Patativa do Assaré, o grande homenageado do evento, não pôde prestigiar a feira pessoalmente devido a problemas de saúde, mas participou por vídeo-conferência da cerimônia de abertura, que aconteceu na noite de terça-feira, no Centro de Convenções Edson Queiroz, em Fortaleza.

   Aos 91 anos, cego, e andando com o auxílio de muletas, Patativa emocionou o auditório lotado ao fazer um longo discurso, direto de Assaré, todo em forma de poesia. "Sou o poeta do amor. Todos me querem e eu quero todos", disse ele, arrancando aplausos do público. Pouco depois, Raimundo Fagner subiu ao palco e cantou músicas compostas a partir de poemas de Patativa. Em sua quarta edição, a Bienal, que termina depois de amanhã, deve ficar marcada como um momento de afirmação dos autores cearenses. "Nossa intenção é abrir o canal dos escritores locais com os convidados internacionais", diz o secretário Nilton Almeida. "Com isso os novos talentos podem aproveitar as janelas que estão sendo abertas". Nilton diz que a Bienal pode consolidar a carreira de escritores que vêm obtendo destaque no Nordeste. "Além do Patativa, temos outros nomes importantes, como o poeta Francisco Carvalho e o contista Moreira Campos, que já faleceu, mas deixou coisas muito interessantes’, destaca.

   No total, são 113 estandes ocupando uma área de 8 mil metros quadrados. A Secretaria investiu R$ 310 mil e espera que até domingo 250 mil pessoas circulem pelos pavilhões do Centro de Convenções, superando a marca de 210 mil visitantes em 1998. A exemplo das edições anteriores, a entrada para a feira é gratuita.

   Além dos poetas de cordel e dos demais escritores cearenses, os destaques deste ano são os cubanos Pedro Juan Gutierrez, autor de Trilogia suja de Havana (Companhia das Letras), e Francisco López, presidente do Sindicato dos Artistas e Escritores de Cuba. Também participam da Bienal o antropólogo francês Marc Augé, o holandês Joseph Luyten, o angolano José Eduardo Agualusa e os portugueses Antônio Valdemar, Urbano Tavares e Jorge Couto, este último presidente do Instituto Camões. "A presença dos autores estrangeiros dá um caráter internacional ao evento e cria um diferencial em relação às outras feiras do Nordeste", analisa o secretário Nilton Almeida. (Rodrigo Alves, JB)

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