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24/10/2000 São Francisco: ministro justifica desmatamento "O desmatamento de 430 hectares não é nada, corresponde a uma pequena fazenda, frente à importância da obra", afirmou o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Rio de Janeiro - O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, criticou hoje o resultado do Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (Rima) do projeto de transposição do Rio São Francisco. "O desmatamento de 430 hectares não é nada, corresponde a uma pequena fazenda, frente à importância da obra", afirmou o ministro, após reunião com conselheiros da Associação de Comércio do Rio de Janeiro. "O projeto é viável do ponto de vista ambiental e essa questão é prioridade absoluta". Dos 49 impactos ambientais analisados pelo Rima, 38 foram considerados negativos. O relatório encomendado pelo Ministério da Integração Nacional está em estudo pelo Ibama, que, a partir de novembro, vai convocar audiências públicas com as populações dos Estados beneficiados pela mudança de curso do rio (Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba) e dos Estados doadores (Minas Gerais, Alagoas, Sergipe e Bahia) para discutir a transposição. "Tecnicamente os senhores podem se assustar, eles listaram até o risco de picada de cobra durante as obras como risco ambiental", alertou Bezerra, durante a reunião com os conselheiros. "Mas o impacto da água chegando ao nordeste será sempre positivo". De acordo com o Secretário Nacional de Infra-Estrutura Hídrica, Rômulo Macedo, as mudanças que a transposição pode causar ao meio ambiente serão monitoradas. Há um projeto nesse sentido orçado em R$ 42 milhões. O ministro afirmou que a perda de geração de energia elétrica em alguns Estados - outro impacto negativo identificado pelo Rima - será "largamente compensada". O projeto de compensação prevê a construção do Canal do Sertão, em Alagoas, duplicação da adutora que abastece Aracaju, além de investimentos de R$ 1,2 bilhão na Bahia, Estado que mais tem feito oposição à transposição do São Francisco. Bezerra também aproveitou a ocasião para ironizar o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Pesquisas recentes sobre uma possível candidatura à presidência indicaram que ele perde na preferência do eleitor nordestino justamente por se mostrar contra a transposição", afirmou o ministro. "Espero que ele siga a instrução dos seus assessores e pare de criticar o projeto". |
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