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28/10/2000

Arqueólogos acham novos objetos históricos na Sé

   SALVADOR - Reiniciadas em agosto, as escavações arqueológicas na Praça da Sé, centro histórico da capital baiana, continuam desvendando o dia-a-dia dos colonizadores dos séculos 16, 17 e 18. A equipe de técnicos do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal da Bahia encontrou, recentemente, vários objetos interessantes como fragmentos de louças e miudezas de costura. Um velho banco e parte do antigo calçamento de pedra da Igreja da Sé, construída a partir de 1549 e demolida em 1933, também foram achados pelos arqueólogos.

   Nessa segunda fase de prospecção (a primeira ocorreu em 1998, localizando os alicerces da Igreja da Sé e vários esqueletos de pessoas sepultadas nas vizinhaças do templo) as equipes estão trabalhando em dois pontos: nas imediações da antiga Sé e numa área próxima à lateral da Catedral Basílica, trecho que motivou esta etapa do projeto, pois tenta descobrir as fundações do Colégio dos Jesuítas, uma das primeiras construções de Salvador, erguida pelo padre Manuel da Nóbrega.

   As fundações ainda não foram localizadas, mas numa área histórica como a Praça da Sé é muito difícil terminar uma pesquisa sem se descobrir nada. O chefe da equipe, o arqueólogo Carlos Etcheverne se entusiasma ao mostrar uma faiança (louça de barro esmaltada) portuguesa, achada na área do Colégio dos Jesuítas. "É uma peça do século 17 e está em bom estado de conservação", explica.

   No trecho da antiga Sé já estão à mostra as pedras do calçamento situado onde era a parte da frente do templo e um banco localizado entre a igreja e o Palácio Arquiepiscopal, prédio colonial que ainda hoje embeleza o local. "Também achamos fragmentos de louças brasonadas (ilustradas com brasões) e objetos de costura (dedais, alfinetes e agulhas)", disse.

   São objetos semelhantes aos descobertos na primeira pesquisa, que servem para traçar o perfil dos moradores dos séculos passados.

   Os arqueólogos esperam concluir o trabalho até janeiro para que o local possa ser transformado em memorial, com a preservação dos achados. Os objetos menores enriquecerão a mostra permanente da Sé, exposição com o resultado do trabalho da primeira etapa de pesquisa que pode ser conhecida no Museu de Arqueologia e Etnologia, situado no antigo prédio da Faculdade de Medicina, Terreiro de Jesus, centro histórico. (Tribuna da Imprensa)

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