Tatiana Nascimento
DA EQUIPE DO DIARIO
Chico Science já recebeu
inúmeras homenagens País afora. Mas talvez nenhuma como a promovida por um grupo de
jovens de Saco dos Limões, bairro de classe média de Florianópolis (SC). Fãs do
movimento Manguebeat, os rapazes da comunidade preservam a memória do músico
pernambucano na ponta das chuteiras. Eles formam o Chico Science Futebol, time que desde
1997 participa de festivais e campeonatos locais - em quadra, no campo e nas areias de
Floripa - e tem como meta disputar a liga amadora da capital catarinense em 2004.
O presidente do clube, Geovani de Pinho, conta que a idéia de batizar o time
de peladeiros com o nome do músico veio em março de 1997, três semanas após o acidente
fatal sofrido pelo autor de A Cidade e Da Lama ao Caos. "A gente ia participar de um
torneio e queria um nome. Um integrante sugeriu o de Chico e logo foi aceito. Mas o
registro mesmo veio no dia 25 de setembro", explica o auxiliar administrativo de 24
anos, que não conhece Pernambuco, nem chegou a assistir a uma apresentação ao vivo de
Science.
Os outros jogadores do clube - que têm as profissões mais variadas, de
vendedor a farmacêutico - também não viram o músico de perto. Mas para eles isso pouco
importa. O Chico Science Futebol já comemora a conquista de 18 troféus e os jogadores
planejam uma grande festa para esta semana. Querem celebrar em grande estilo os seis anos
de estrada do clube, completados na última quinta-feira. Será mais uma oportunidade para
apresentar as outras facetas do time.
Além dos 14 integrantes da equipe principal, outros 14 adolescentes da
comunidade atuam pelo time de aspirantes. A bola da vez agora é a equipe feminina,
formada por 17 garotas de Saco dos Limões que jogaram cinco vezes este ano. Não pára
por aí. Os pais, tios e até avôs da primeira geração do Chico Science treinam para
entrar em campo num time de veteranos. "E toda vez que tem campeonato infantil,
montamos uma equipe com as crianças do bairro", lembra o presidente.
Enquanto isso, Geovani e os colegas da equipe principal tentam entrar em
contato com familiares do músico pernambucano para conseguir a liberação do uso do nome
Chico Science e garantir a inscrição do clube na liga amadora de futebol de
Florianópolis. "A autorização da família é muito importante porque queremos que
nossos filhos levem essa homenagem adiante", afirma Geovani, que também corre atrás
de patrocínio para pagar principalmente a arbitragem nos jogos com mando de campo.
Os uniformes já existem e foram bancados com dinheiro dos próprios atletas e seus
parentes. A sede improvisada funciona na casa do presidente do clube e guarda quadros,
fotos e textos sobre Chico Science, além da bandeira com o símbolo do time: um
caranguejo, é claro. O jornalista e músico Renato L. - que junto com Chico e Fred 04 foi
um dos responsáveis pela criação do conceito mangue - ficou surpreso com a existência
do clube. E mais surpreso ainda por ter sido fundado tão distante de Pernambuco.
"Achei a idéia maravilhosa. Apesar de ter sido um perna-de-pau, Chico
sempre gostou de futebol. Ele iria ficar muito feliz com a homenagem". No final dos
anos 80 e início dos 90, o trio costumava se reunir para divagar sobre arte, mulheres e
futebol. Já dona Rita Marques de França, mãe de Chico, disse estar gratificada e
emocionada. E garantiu que, se depender dela, os jovens de Floripa podem seguir utilizando
o nome do filho sem problemas. "É uma demonstração de carinho. Me sinto
privilegiada por ser mãe dele", declara.
(©
Pernambuco.com)
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