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Rapazes de Florianópolis fundam o Chico Science Futebol

04/10/2003

Tatiana Nascimento
DA EQUIPE DO DIARIO

   Chico Science já recebeu inúmeras homenagens País afora. Mas talvez nenhuma como a promovida por um grupo de jovens de Saco dos Limões, bairro de classe média de Florianópolis (SC). Fãs do movimento Manguebeat, os rapazes da comunidade preservam a memória do músico pernambucano na ponta das chuteiras. Eles formam o Chico Science Futebol, time que desde 1997 participa de festivais e campeonatos locais - em quadra, no campo e nas areias de Floripa - e tem como meta disputar a liga amadora da capital catarinense em 2004.

  O presidente do clube, Geovani de Pinho, conta que a idéia de batizar o time de peladeiros com o nome do músico veio em março de 1997, três semanas após o acidente fatal sofrido pelo autor de A Cidade e Da Lama ao Caos. "A gente ia participar de um torneio e queria um nome. Um integrante sugeriu o de Chico e logo foi aceito. Mas o registro mesmo veio no dia 25 de setembro", explica o auxiliar administrativo de 24 anos, que não conhece Pernambuco, nem chegou a assistir a uma apresentação ao vivo de Science.

  Os outros jogadores do clube - que têm as profissões mais variadas, de vendedor a farmacêutico - também não viram o músico de perto. Mas para eles isso pouco importa. O Chico Science Futebol já comemora a conquista de 18 troféus e os jogadores planejam uma grande festa para esta semana. Querem celebrar em grande estilo os seis anos de estrada do clube, completados na última quinta-feira. Será mais uma oportunidade para apresentar as outras facetas do time.

  Além dos 14 integrantes da equipe principal, outros 14 adolescentes da comunidade atuam pelo time de aspirantes. A bola da vez agora é a equipe feminina, formada por 17 garotas de Saco dos Limões que jogaram cinco vezes este ano. Não pára por aí. Os pais, tios e até avôs da primeira geração do Chico Science treinam para entrar em campo num time de veteranos. "E toda vez que tem campeonato infantil, montamos uma equipe com as crianças do bairro", lembra o presidente.

  Enquanto isso, Geovani e os colegas da equipe principal tentam entrar em contato com familiares do músico pernambucano para conseguir a liberação do uso do nome Chico Science e garantir a inscrição do clube na liga amadora de futebol de Florianópolis. "A autorização da família é muito importante porque queremos que nossos filhos levem essa homenagem adiante", afirma Geovani, que também corre atrás de patrocínio para pagar principalmente a arbitragem nos jogos com mando de campo.

Os uniformes já existem e foram bancados com dinheiro dos próprios atletas e seus parentes. A sede improvisada funciona na casa do presidente do clube e guarda quadros, fotos e textos sobre Chico Science, além da bandeira com o símbolo do time: um caranguejo, é claro. O jornalista e músico Renato L. - que junto com Chico e Fred 04 foi um dos responsáveis pela criação do conceito mangue - ficou surpreso com a existência do clube. E mais surpreso ainda por ter sido fundado tão distante de Pernambuco.

  "Achei a idéia maravilhosa. Apesar de ter sido um perna-de-pau, Chico sempre gostou de futebol. Ele iria ficar muito feliz com a homenagem". No final dos anos 80 e início dos 90, o trio costumava se reunir para divagar sobre arte, mulheres e futebol. Já dona Rita Marques de França, mãe de Chico, disse estar gratificada e emocionada. E garantiu que, se depender dela, os jovens de Floripa podem seguir utilizando o nome do filho sem problemas. "É uma demonstração de carinho. Me sinto privilegiada por ser mãe dele", declara.

(© Pernambuco.com)

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