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Museu do Estado entra em nova fase

04/10/2003

Casarão do Barão de Beberibe é restaurado

 

A reforma avança e o local será um dos maiores e mais modernos espaços de exposição do País. A reinauguração será em 20 de novembro com uma mostra de João Câmara

por JOANA AQUINO

   O pólo de arte pernambucana, reconhecido nacionalmente, finalmente ganha um espaço de exposição à sua altura. A reforma do Museu do Estado de Pernambuco (MEP), criado em 1929, avançou bastante e o local já marcou a data para a sua reinauguração: 20 de novembro.

   Este, que é um dos maiores patrimônios culturais de Pernambuco, ganhou um grande projeto estrutural, que o transformou no espaço mais importante de exposição do Governo do Estado e um dos maiores espaços culturais do País. “O Museu ganha um local de preservação de seu acervo, que tem obras raras e que precisam ser mantidas devidamente”, defende o Diretor de Políticas Culturais do Estado, José Carlos Viana.

   A reserva técnica do Museu soma mais de 12 mil peças, entre quadros raros, assinados por artistas brasileiros e estrangeiros, artigos indígenas e uma coleção de mobiliário dos séculos 18 e 19. Além disso, a pinacoteca contém o mais relevante conjunto de exemplares da arte pernambucana. “As obras ainda receberão restauração. Não é só um museu que está sendo inaugurado e, sim, um local de discussão de arte e desenvolvimento cultural”, vibra Sylvia Pontual, diretora do Museu. O Governo investiu R$ 2 milhões na reforma.

   Para a inauguração está prevista a exposição de obras retrospectivas do pintor pernambucano João Câmara, além do próprio acervo do museu. “Nunca houve uma exposição que mostrasse todas estas obras juntas”, comenta o curador da mostra, Emanuel Araújo, ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo. Para ele, um espaço como o Museu do Estado deve ser complementado com uma política cultural bem-trabalhada, com uma gestão comprometida com a arte-educação. “Isto é um bom começo para a arte de Pernambuco, mas é preciso não só ter equipamento, mas também a mão-de-obra”, completa.

   O museu abre com uma estrutura de dar inveja a muitos espaços de arte do Brasil. Com área total de 1.450 metros quadrados, além do antigo casarão do Barão de Beberibe, o museu ganhou um enorme anexo, com uma estrutura da mais alta tecnologia. Iluminação e temperatura adequadas para receber obras de todo mundo são alguns dos pontos de maior vantagem do espaço sobre a atual safra de museus locais (somente o Instituto Ricardo Brennand, que é particular, possui o sistema de luz e climatização mais sofisticado).

   “Isso está nos permitindo realizar projetos de intercâmbio com museus importantes. Nós já temos um contato muito bom para a Espanha e também propostas para levar o acervo do museu para fora também”, revela José Carlos Viana, ainda sem querer adiantar muito sobre as futuras mostras do local.

   E além da grande área de exposição, o local conta ainda com uma lanchonete, elevador panorâmico, um galpão para a reserva técnica e um auditório para 80 pessoas. “Queremos realizar no museu palestras e discussões sobre arte. As exposições também devem ficar um tempo maior, porque temos interesse de fazer visitas educacionais com escolas de todo o Estado”, diz Sylvia Pontual.

   A exposição de João Câmera e do acervo do museu deve ficar em cartaz até março do ano que vem. Também está sendo programada uma exposição coletiva com artistas locais, mas os nomes dos artistas ainda não foram revelados.

(© Jornal do Commercio-PE)


Museu do Estado terá reabertura em duas etapas

A Mansão do Barão do Beberibe, do século 19, só deve ser aberta ao público no primeiro semestre de 2004

   As obras da reforma do Museu do Estado vão completar um ano na sua inauguração. Um tempo até razoável, considerando o fato de ser uma obra estadual e o seu tamanho. Porém, uma parte do projeto final não será concluída em novembro. A Mansão do Barão do Beberibe, que data do século 19, só deve ser aberta ao público no primeiro semestre de 2004.

   “Não quisemos apressar as obras por um motivo de data. A casa vai receber restauração e o trabalho será feito no tempo devido”, esclarece José Carlos Viana. “A idéia é montar uma casa de época com artigos do acervo do museu, que inclui mobiliário do século 18”, afirma a diretora Sylvia Pontual.

   “Todas as obras do museu estão guardadas na casa e depois teremos que passar tudo para o anexo. É aí quando o local começa a ser trabalhado. Não se pode fazer as duas reformas ao mesmo tempo”, explica a arquiteta Betânia Correia, que está acompanhando as obras pela Coordenação de Artes Visuais do Estado. Ela ainda segue o andamento da parte externa da reforma, que inclui um projeto de paisagismo, assinado por Marta Souza Leão, a montagem de uma escultura de 6m de altura, feita por Emanuel Araújo (que será espécie de símbolo do museu), estacionamento e um pátio de eventos. “Neste local estão sendo planejadas as realizações de um feira de antiguidade, de atividades sócio-culturais e de exposições de esculturas”, diz Betânia.

   A reforma está sendo tão bem-cuidada que até a grade do local foi escolhida a dedo. “O gradil era da praça Maciel Pinheiro e é do século 19. Ele está sendo recuperado. Até as pedras que servem de apoio para as grades também foram trazidas”, revela o restaurador Jobson Figueiredo, responsável pela restauração da ponte Maurício de Nassau e pela reforma do Palácio do Governo. Estas obras só foram iniciadas na semana passada e não devem estar prontas para a inauguração do anexo. “Estamos trabalhando com vários materiais de ferro, recuperando muitos trechos. O prazo de entrega é de 90 dias”, completa. “O mais interessante é que todo este trabalho foi incentivado por conta da vinda da exposição de Eckhout. O museu estava se preparando para receber esta mostra, mas não deu tempo. Acabou indo para o Instituto Ricardo Brennand. Só que isso foi bem positivo, pois, apesar das dificuldades de verbas, as obras conseguiram ter conclusão”, comemora Viana.

   CATÁLOGO – Além da restauração e conservação das obras do Museu, o acervo ganha outra boa notícia para a sua longevidade. Ele recebe uma catalogação detalhada, publicada pela série dedicada aos museus brasileiros, do Banco Safra. “É o primeiro museu de Pernambuco a ter este tipo de publicação”, diz Sylvia Pontual. O livro tem lançamento marcado para dezembro.

   São 320 páginas, com 300 fotos de peças do acervo e textos de historiadores pernambucanos sobre as obras do Museu. Entre as peças, destacam-se alguns gravuras retratando a passagem do período holandês em Pernambuco (inclusive obras de Frans Post), objetos de terreiros de cultos afro-brasileiros, mobílias que vão desde o século 17 ao 20 e uma reunião de artefatos indígenas feita pelo cientista, antropólogo e arqueólogo, Carlos Estevão. (J.A.)

Serviço

Museu do Estado – Avenida Rui Barbosa, 960, Graças. Reinauguração no dia 20 de novembro. Fone: 3427.9322

(© Jornal do Commercio-PE)

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