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14/10/2003
Uma multidão compareceu ao Centro de Convenções no último fim de semana do evento. Feirantes tiveram até que controlar a entrada de pessoas nos estandes CAROL ALMEIDA A se tomar pelos números, a quarta edição da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco foi o evento mais bem-sucedido desses últimos anos no mercado editorial local. Aproveitando um espaço físico duas vezes maior que na edição anterior, com 10 mil metros quadrados do pavilhão do Centro de Convenções, a Bienal este ano somou 90 estandes de livros e mais de 250 editoras de todo o País. Tudo isso para atender a um público que, estima-se, tenha ultrapassado 350 mil pessoas, cerca de 100 mil visitantes a mais que na feira do ano de 2001. E, quando esses dados são convertidos em retorno comercial, o resultado da equação é um sorriso mal disfarçado nos rostos dos feirantes: “Nunca vi um volume de vendas como esse. Ainda na terça-feira (no quarto dia do evento), já estávamos felizes com o saldo”, admitiu Lameck Gomes de Araújo, diretor presidente de uma das maiores livrarias da bienal, a Pernambooks, representante de várias editoras nacionais. Neste último fim de semana, a Pernambooks teve que controlar o número de pessoas dentro de seu estande, devido à superlotação. “Só no sábado, passamos duas horas e meia regulando grupos de 10 em 10 no estande”, disse Lameck. O entusiasmo da Pernambooks era compartilhado pelos vendedores da outra grande distribuidora e livraria pernambucana, a Via Livros. “Houve um aumento significativo de público e um crescimento maior ainda de vendas”, afirmou Renato Coutinho, um dos sócios da Via Livros, que estava dando descontos de 15% à vista e possibilidades de parcelamentos mais extensos, dependendo da compra. Os abatimentos eram ainda mais significativos quando a compra era feita direto em editoras segmentadas ora em livros universitários, ora em títulos técnicos, como de informática, medicina ou direito. Em estandes institucionais, como o do Centro Cultural Banco do Brasil, a diferença de preço em catálogos de arte era substancial: edições vendidas normalmente por R$ 70, chegaram a ser comercializadas por até R$ 20. Mesmo com o volume de vendas e os descontos oferecidos, a bienal ainda guarda algumas queixas do público. “A maior vantagem aqui é a variedade de títulos. Conseguimos livros mais baratos em alguns lugares, mas a diferença não é tão grande em relação aos do comércio. Em alguns lugares, os preços eram os mesmos das livrarias lá fora”, disse a estudante Lívia Figueiredo. A mãe de Lívia, a professora da rede pública Margarida Figueiredo, comprou algumas edições com o bônus de R$ 50 que a prefeitura do Recife deu, mas confessou: “Nem todos os estandes aceitaram esse bônus”. Mesmo assim, mãe e filha saíram do Centro de Convenções com mais de 10 livros na sacola. Apesar do sucesso comercial, a Bienal do Livro de Pernambuco deixou um pouco a dever em sua programação de discussão literária: alguns dos nomes listados para participar do evento não vieram, como os jornalistas Heródoto Barbeiro e Daniel Piza e até mesmo o presidente da República, Lula. Os convidados que vieram já haviam comparecido à feira em anos anteriores, a exemplo de Carlos Heitor Cony, Pasquale Cipro Neto, Ignácio de Loyola Brandão e Luiz Vilela. “Precisamos sim trazer pessoas novas, esse é um dos nossos objetivos no próximo ano”, declarou um dos organizadores do evento, o presidente da Associação das Distribuidoras e Editoras do Nordeste (Adene), Thiago Coutinho. Segundo Coutinho, para o ano de 2005, a idéia é trabalhar com uma consultoria do eixo Rio-São Paulo. Ausências e alguns déjà vu de lado, a bienal conseguiu reunir um público expressivo em seus dois espaços reservados para debates e apresentações. Tanto o auditório Casa-Grande & Senzala, como o Café Literário colocaram lado a lado profissionais da área, tietes da literatura (alguns deles carregando até máquinas fotográficas) e interessados em geral. O que atrapalhou um pouco foi a ausência de isolamento acústico, o que às vezes deixava o debate com o eco do barulho da multidão do lado de fora do estande. Porém, como bem definiu o escritor e filósofo pernambucano Jomard Muniz de Brito: “A Bienal do Livro pode não ser Paris, mas é uma festa: aglutina, diversifica, atualiza e, sobretudo, nos diverte”. (© Jornal do
Commercio-PE)
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