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26/10/2003
No estilo que marcou a cena mangue, a trilha sonora de Amarelo Manga foi feita na base da ‘brodagem’, a velha ‘mãozinha’ dada por amigos JOSÉ TELES A trilha sonora de Amarelo Manga (YBrasil), premiado filme de Cláudio Assis, traz de volta ao disco a brodagem dos primeiros anos da cena mangue. Assim como aconteceu nas trilhas de Enjaulado, curta de Kleber Mendonça Filho, ou em O Baile Perfumado, de Lírio Ferreira, os músicos reuniram-se para tirar um som, sem pretensões, a não ser colaborar para pontuar sonoramente o filme de um amigo: “Não pretendemos incluir música do disco em shows do Nação Zumbi”, descarta Lúcio Maia, principal autor da trilha com Jorge du Peixe. “Cinco anos atrás, Cláudio Assis me encontrou nas paradas por aí e falou, com aquele jeito bem dele, que eu iria fazer a música de um filme que planejava dirigir. Tempos depois, mostrou o roteiro pra gente. Passou-se mais um tempo até que finalmente descolou grana para o filme e começamos a trabalhar na trilha”, relembra Lúcio Maia. Acrescenta que ele e Jorge du Peixe receberam cópias, sem áudio: “Cada qual foi para sua casa e trabalhou em separado. Em cinco dias terminamos o básico”. O disco é marcado pela assinatura sonora atual da Nação Zumbi (participam também Toca Ogam, Jr.Areia, Pupilo, Dengue, Gilmar Bolla 8), com o tempero particular de Zeroquatro, da Mundo Livre S/A, Fernando Catatau (da cearense Cidadão Instigado), Ganja Man, Tejo Damasceno e Rica Amabis (cérebros pensantes do Instituto), BNegão e Otto.“É bom lembrar que a música que se ouve no filme não é igual ao que se escuta no álbum com a trilha. No disco, a turma do Instituto fez um upgrade na qualidade de som. Enquanto Cláudio Assis deu preferência pela coisa mais crua, por estar mais dentro do contexto do filme”, esclarece Maia. Portanto, neste, mais do que em outros discos, assistir ao filme e escutar a trilha não é simplesmente um complemento à apreciação da obra de arte. Por exemplo, a faixa-título Amarelo Manga cantada por Otto, não está no filme (em compensação foi incluída no CD que ele lança no início de novembro): “A gente ouviu esta música, Otto cantando na rua. Ele tem esse costume. Quando faz uma letra fica cantando alto. No entanto, não conseguiu terminar a tempo. Quem canta, no filme, à capela, é Mateus Nachtgaerle. Já com Fred Zeroquatro foi diferente. Encomendamos a música e ele preparou rapidinho, dentro do prazo”, continua o guitarrista da Nação Zumbi. Amarelo Manga, o CD, tem vida independente do filme. A maioria das faixas é formada por moods. Dollywood, por exemplo, é cerzida por um órgão hammond e guitarras à western espaguete, óbvias influências do trabalho de Enio Morricone: “A gente é maníaco por cinema. Não acho que hoje a música possa ser dissociada da imagem. Mas tem uma coisa que é preciso apontar nessa trilha. Não usamos instrumentos como a rebeca, sanfona, para que fosse reconhecida como uma música do Recife. E é música do Recife, mas procuramos um universalismo”, esclarece Lúcio Maia. (© Jornal do Commercio-PE)
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