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26/10/2003
Isaar de França e Karina Buhr agora são o corpo e a alma da Comadre Fulozinha, acabam de receber o CD Tocar na Banda e o lançam oficialmente no próximo dia 7 MARCOS TOLEDO Um grupo em constante transformação. Assim é a dinâmica do Comadre Fulozinha (ex-‘Florzinha’), que, depois de quatro anos, chega a seu segundo CD, Tocar na Banda (YBrazil Music/Trama). A trupe, encabeçada pela dupla Isaar de França (voz, percussão e gaita) e Karina Buhr (voz e percussão), resistiu a mudanças expressivas de integrantes e, a julgar pelo novo disco e apesar da sutil mudança no nome, faz permanecer a autenticidade do trabalho iniciado há seis anos. O show de lançamento está marcado para 7 de novembro, no Espaço Cultural Usina. Numa banda que desenvolve um trabalho autoral, a saída de algum integrante é sempre uma prova de fogo para a preservação da originalidade, sobretudo em se tratando de uma obra reconhecidamente de boa qualidade. Quando lançou seu primeiro álbum, a Comadre Fulozinha já não contava com duas de suas fundadoras (as ‘estrangeiras’), a acordeonista paulista Renata Mattar e a percussionista alagoana Telma César. Depois, de modo menos traumático, deixaram o grupo as também percussionistas Maria Helena Sampaio e Alessandra Leão. “A gente não queria acabar o trabalho”, afirma Isaar. E Karina explica: “Logo que as meninas saíram, tomamos o trabalho pra gente e achamos um formato mais simples.” O “formato simples” optado pelas remanescentes efetivas, consiste em concentrar o trabalho de criação na dupla e, para shows e gravações, convidar outras componentes. Duas das ‘comadres afetivas’ são mais ou menos fixas: as percussionistas Kássia Pajeú – que gravou para o novo CD –, 15 anos, e Rosana, 17. “Elas sempre tocam, mas não deixam de fazer seus trabalhos”, diferencia Karina. Menores de idade, Kássia e Rosana precisam da autorização dos responsáveis sempre que são convidadas para viajar com o grupo. Com a Comadre Fulozinha já se apresentaram em shows em Paris, Porto Alegre e São Paulo. “A base é percussão e voz”, define Karina, “mas não está fechado”, e destaca a inclusão recente do cavaquinho. Em estúdio, como sempre foi característico no grupo, o trabalho abre um leque maior de possibilidades. As participações especiais em Tocar na Banda, incluem a rabeca de Siba Veloso, o violão de Gustavo Lenza, o cavaquinho de Maurício Tagliari (estes dois, produtores do álbum ao lado de Karina) e a percussão de Guga Cutelo. Outros ex-integrantes da Comadre, como Alessandra e os saxofonistas Mavi e Lourdinha, contribuem em participações e composições. Diferentemente do primeiro disco, o novo traz, em sua maioria, composições de Karina e Isaar que mantêm a alegre estética sonora anterior enfatizando apenas o fundamento rítmico. Completam o repertório canções de Erasto Vasconcelos (Obá), Adoniran Barbosa (Tocar na banda), Corumba & Venâncio (É ou não é), Alessandra Leão & Mavi (Merengue pra Jesus), Lourdinha (Clarineto) e um tema de autor desconhecido (Eu também sei atirar). Nesta última, Karina e Isaar tomaram emprestado uma estrofe de um folguedo popular mineiro e fizeram uma composição diferente da original. Das 14 faixas, quatro são inéditas inclusive em shows. Outro destaque que mantém a unidade do trabalho da Comadre Fulozinha é a identidade visual. Mais uma vez, o encarte do CD é baseado em ilustrações de Karina. Ela e Isaar adiantam que, ainda este ano, o disco deve ser lançado na Europa pelo selo Stern, o mesmo que comercializa por lá o trabalho do DJ Dolores. O contrato com a gravadora YBrazil é de três anos e prevê mais um disco. Aqui no Recife, a banda se apresenta no próximo dia 7, no Espaço Cultural Usina (Poço da Panela), a partir das 22h. Participam deste show, além de Karina e Isaar, Kássia, a cavaquinista Moema Macêdo e a percussionista Hildinha Brandão. Depois, o grupo viaja para mostrar o novo trabalho em Salvador (no 5º Mercado Cultural, de 2 a 7 de dezembro), São Paulo (no Teatro Oficina) e no Rio de Janeiro (com a Eddie, dia 25 de novembro, no Ballroom). (© Jornal do Commercio-PE)
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