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Noite de gala para La-Boheme

01/11/2003

Giacomo Puccini, o autor italiano de La Bohème

 


MARCOS TOLEDO

   O Teatro Santa Isabel, tesouro do patrimônio cultural de Pernambuco, após muitos anos volta a ser palco de um espetáculo contemporâneo de sua época de fundação. Também depois de quase duas décadas, o Recife recebe uma ópera clássica, La Bohème, de Giacomo Puccini, numa produção de grande porte que integra recursos modernos ao estilo mais tradicional do gênero e contempla um número seleto de cidades brasileiras. Aqui, conta participação da Orquestra Sinfônica do Recife (OSR) e do coro infantil Pequenos Cantores de Olinda. As apresentações acontecem de quinta-feira a domingo, às 20h.

   Esta montagem de La Bohème, da Rio Amazonas Produções, reúne elenco de Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com destaque para a apresentação da soprano ítala-brasileira Patrizia Morandini. O Recife é a segunda cidade do País a conferir o trabalho, já apresentado apenas na Capital Federal.

   A última vez em que foi encenada uma ópera no Recife foi há 17 anos. A lembrança mais nítida é a do regente da OSR, o carioca Osman Giuseppe Gioia, que, coincidentemente, regia a orquestra quando da montagem de Lo Schiavo, de Carlos Gomes, em 1986, pelo extinto Teatro de Ópera de Pernambuco.

   À frente da OSR como regente titular desde 2001, o maestro Gioia é um dos principais entusiastas desta nova encenação na cidade. “Para mim, a ópera é um espetáculo que une todas as artes”, afirma. “Quando entrei aqui (na OSR), era uma questão de honra montar uma ópera.” La Bohème o empolga ainda mais, especialmente, pois ele considera esta obra “o ponto alto do Romantismo na ópera”. “É uma obra extremamente emocionante”, diz.

   O Recife entrou no programa da turnê já com o projeto em desenvolvimento, após as encenações em Brasília, nos três últimos dias de agosto passado. A montagem, no entanto, chega aqui com a promessa de empregar os mesmos recursos destinados a todas as cidades contempladas, de Norte a Sul do País.

   Com apoio do Fundo da Arte e da Cultura do Distrito Federal, a Rio Amazonas Produções preparou este espetáculo lírico que segue em detalhes a obra original, de 1896. Além de reproduzir na íntegra o texto do compositor italiano Giacomo Puccini (1858-1924), em quatro atos, a montagem brasileira traz um elenco que inclui solistas de experiência internacional que interpretam seus papéis tendo ao fundo cenários confeccionados por uma das maiores empresas do ramo no mundo, a La Bottega Veneziana. Na prática, são dois elencos que se revezam entre os vários dias de exibição. Segundo o diretor-geral da produção, Francisco Ferreira Filho, a concepção do figurino, assinada pela Mayrink & Jäger, também obedeceu a um estudo de época sobre o trabalho de Puccini.

   Devido à dificuldade de se transportar a trupe de uma cidade para outra – cada montagem exige um intervalo de, no mínimo, um mês entre uma e outra cidade –, em cada praça, a orquestração e acompanhamentos de corais ficam a cargo de artistas locais. Ao todo, mais de 80 artistas devem atuar no palco e no pequeno fosso do Teatro Santa isabel, reformado especialmente para este espetáculo. Treze deles, entre cantores líricos sopranos, tenores, barítonos e baixos, revezam-se no elenco principal, com o apoio, no Recife, do coro infantil do Centro de Educação Musical de Olinda. “A idéia é usar cada vez mais gente daqui”, explica Gioia.

Jornal do Commercio-PE)


Encenação pode levar à retomada da ópera no Recife

   De parte da Orquestra Sinfônica do Recife, devido às reduzidas dimensões do fosso do Teatro Santa Isabel, apenas pouco mais de meia centena de músicos integram o espetáculo. Ainda assim, o grupo conta com a participação de convidados, com destaque para a harpista Mônica Cury, da orquestra da Universidade Federal da Paraíba, devido à ausência deste tipo de instrumentista na OSR. O maestro Osman Gioia espera que esta série de apresentações represente um marco na cidade que incentive grupos locais a novamente se organizarem em prol de viabilizar produções do gênero.

   Entre as novidades neste tipo de apresentação, sem dúvida a que deve atrair maior curiosidade é o processo de legendagem eletrônica. Sendo a recitação do texto cantado no original em italiano, o público contará, além do libreto que conta a história, com legendas em português numa tradução atual. “Traduzimos de uma forma mais interessante, desde que não alterasse a idéia original. Isso possibilita a compreensão total do espetáculo”, diz o diretor-geral da produção, Francisco Ferreira Filho.

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História de amor em meio à tormenta

   La Bohème é uma das 12 óperas compostas por Giacomo Puccini do fim do século 19 para o início do 20. A história de amor, situada no bairro do Quartier Latin, em Paris, traz em seu primeiro ato a apresentação dos personagens, grupo de profissionais que hoje seriam denominados como ‘liberais’ e que passam por dificuldades financeiras: o poeta Rodolfo (interpretado pelos tenores Marcos Paulo e Wagner Costa), o artista plástico Marcello (os barítonos Leonardo Páscoa e Francisco Frias), o filósofo Colline (os baixos Maurício Luz e Alexander de Paula) e o músico Schaunard (o barítono Marcelo Coutinho), que vivem numa mesma mansarda e têm na cola o senhorio Benoît (o barítono Adriano Oliveira), que vive reclamando do aluguel atrasado. Numa melancólica véspera de Natal, todos saem e Rodolfo acaba encontrando sua vizinha Mimi (as sopranos Patrizia Morandino e Luciana Tavares), que pena também pela dificuldade de sobrevivência. Nasce um amor entre ambos.

   O segundo e terceiro atos destrincham o dia-a-dia dos personagens durante o inverno parisiense, destacando o relacionamento de Marcello com a volúvel Musetta (as sopranos Rose Provenzano e Vilma Bittencourt) e os contratempos na paixão entre Rodolfo e Mimi, que tem seu estado de saúde agravado. Na última parte da encenação, os amantes vêem seu amor se esvair em um desfecho desolador.

   Com os intervalos, esta encenação chega à duração de aproximadamente duas horas e meia. A próxima cidade, ainda este ano, a receber a montagem de La Bohème é a catarinense Joinville. Em 2004, o espetáculo será mostrado em Belo Horizonte, São Paulo e, possivelmente, Salvador.

Montagem da ópera La Bohème. De quinta a domingo, às 20h, no Teatro Santa isabel. Ingressos: R$ 40 (platéia), R$ 30 (camarotes/frisas) e R$ 10 (‘torrinha’/geral), todos com direito a meia-entrada

Jornal do Commercio-PE)

 
  Ouça
» Che Gellida Manina
» Si, mi chimano Mimi
» Dunque é proprio finita?


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