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10/11/2003
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Cena de Conceição, filme de Heitor Dhalia
(1999)
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Filmes de Paulo Caldas e de Marcelo Gomes buscam
consolidar uma estética. Em São Paulo, Heitor Dhalia comprova versatilidade
dos autores pernambucanos
MARCOS TOLEDO
A realização de quatro novos
longas-metragens (um quase pronto, dois sendo rodados e outro em
pré-produção) por cineastas pernambucanos prepara o caminho para colocar
novamente o Estado na vitrine do cinema nacional. Árido Movie, de
Lírio Ferreira, Cinema, Aspirina e Urubus, de Marcelo Gomes, e
Deserto Feliz, de Paulo Caldas, apostam na estética do Sertão e flertam
com vários pontos em comum. Já a produção paulista Nina, do recifense
Heitor Dhalia, sobressai como uma obra de linguagem universal.
Além de Árido Movie, que
começou a ser rodado no último sábado, na região dos Cariris Velhos
(Paraíba), as filmagens de Cinema, Aspirina e Urubus continuam a todo
o gás e entram em sua quinta semana de um total de sete. Longa de estréia de
Marcelo Gomes (Maracatu, Maracatus, Clandestina Felicidade), a
produção toma emprestado o fato da chegada da Aspirina no Sertão para,
segundo o diretor, tratar do relacionamento entre pessoas de culturas
diferentes.
A ação se passa em 1942, ano no
qual o Brasil declara guerra à Alemanha. E é justamente o alemão Johann
(vivido pelo ator Peter Ketnath), um dos protagonistas da trama, que viaja
do Rio de Janeiro para o Sertão nordestino vendendo frascos de Aspirina e
portando filmes de propaganda do produto. No caminho, ele cruza com Ranulpho
(o baiano João Miguel), que faz o caminho inverso, em busca de uma vida mais
promissora na então Capital Federal. O destino une os dois.
Produzido pela Rec Produtores
Associados (PE) e Dezenove Som & Imagem (SP), o projeto visita até o fim
deste mês 37 locações divididas entre cidades como Cabaceiras, São João dos
Cariris, Patos (todas na Paraíba) e Recife. “Está sendo uma experiência (do
primeiro longa) muito boa. Estamos trabalhando com uma equipe muito
entrosada”, afirmou Marcelo, por telefone, num mais que breve intervalo
entre as filmagens.
Quando todos os filmes desta nova
safra made in Pernambuco estiverem prontos vai ser no mínimo
interessante observar as interseções entre os projetos de Lírio Ferreira,
Marcelo Gomes e Paulo Caldas. Além da temática em comum, poderemos ver nos
créditos, por exemplo, que Paulo também assina o roteiro de Cinema,
Aspirina e Urubus ao lado de Marcelo e de Karim Aïnouz (Madame Satã),
nos três filmes, há um personagem alemão, e tanto Marcelo quanto Lírio já
combinaram de fazer referência nos diálogos à fictícia cidade ‘Deserto
Feliz’, que dá título ao filme de Paulo.
FELIZ – Paulo Caldas (O
Baile Perfumado, O Rap do Pequeno Príncipe contras as Almas Sebosas)
vive a fase de preparação de Deserto Feliz animado com essa
congruência cinematográfica dos três trabalhos. “A idéia da gente é criar
uma linguagem e estética que sejam o espelho do que nós somos”, declara.
“Mais do que o Sertão como tema, tem a questão de se voltar para o homem, a
sociedade, a cultura daqui.”
Curiosamente, no entanto, a
história de seu terceiro longa partiu de uma idéia distante, obtida numa
conversa com o veterano cinemanovista Paulo César Saraceni – sobre um filme
coreano que vira na Itália – para elaborar o roteiro de Deserto Feliz
(reescrito pelo menos mais cinco vezes com Manuela Dias, Xico Sá e Marcelo
Gomes). Ao insight de Saraceni, adicionou o caso de um sertanejo
preso por caçar um tatu e a inversão de um nome de um município alagoano que
o intrigou: Feliz Deserto. “Acho interessante, pois une elementos
contrários.”
O filme, que vai ser rodado em
junho e julho de 2004, passa-se na encruzilhada sertaneja de ‘Jualina’, como
o diretor chama a região que une os municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina
(PE), separadas pelo Rio São Francisco, mas unidas por uma mistura da
cultura arcaica típica do Sertão com a cultura hi-tech da riqueza
provocada pela atividade agroindustrial e do desenvolvimento urbano. “Isso
causou uma mudança grande na região que é desconhecida no Brasil”, acredita.
Neste ambiente, Biu (personagem de
Chico Diaz, único nome confirmado), tratorista de uma moderna vinícola
local, enfrenta com a esposa manicure Maria, a enteada Jéssica e mais duas
filhas os tais ‘elementos contrários’ do choque cultural. A relação do
protagonista com um traficante de animais e o simples fato criar um tatu em
casa, prática comum na região, leva-o para a cadeia.
Outro elemento conflitante é a
relação de Biu com Jéssica, que acaba em estupro. A garota toma o rumo da
capital e, daqui, viaja para Berlim na companhia de um alemão. Paulo
pretende, assim, proporcionar também um reflexão sobre o papel da mulher
nordestina e denunciar o turismo sexual. Para o desenrolar da história na
Alemanha, a equipe brasileira que reúne a Camará Filmes, Rec Produtores e
Combogó Filmes pretende se aliar ao um produtor europeu. Um contato foi
feito com a produtora Road Movies (do cineasta Wim Wenders) e as negociações
estão em andamento.
(©
Jornal do Commercio-PE)
Heitor investe numa abordagem mais universal
Autor de um dos
trabalhos que mostraram a cara do Recife na tela grande nos anos 90 – o
curta-metragem Conceição –, Heitor Dhalia se desprendeu de sua
realidade natal e é o único dos cineastas pernambucanos que realiza uma obra
sem referências ao Estado. Em São Paulo, onde trabalha há uma década com
publicidade, Heitor finaliza seu longa de estréia, Nina, uma
adaptação livre do romance Crime e Castigo (do escritor russo Fiódor
Dostoiévski), ambientada no tempo atual e protagonizada pela atriz Guta
Stresser (a Bebel da série A Grande Família).
Heitor Dhalia conta que, logo após
lançar Conceição, começou a escrever outros roteiros, mas em nenhum
se dedicou tanto quanto Nina. “Ele se impôs”, conta.
A idéia surgiu quando o cineasta
assistiu à montagem da peça Mais Perto, de Hector Babenco, na qual
Guta interpretava uma stripper perdida e sem esperanças. Apaixonado
pela presença de palco da atriz, o pernambucano a convidou para estrelar um
filme publicitário e, numa noite, teve a idéia de realizar uma releitura de
Crime e Castigo com a artista no papel principal.
O roteiro escrito com Marçal
Aquino, e que recebeu 12 tratamentos em dois anos de elaboração, toma o
drama do pobre estudante Raskolnikov – que, no submundo da São Petesburgo do
século 19, cria para si um mundo de dor e sofrimento com desdobramentos
trágicos – e transporta para a São Paulo atual, mais precisamente o Centro
da mais complexa capital do País, lugar, segundo o diretor, de extrema
decadência humana. “Passei seis meses lá, pesquisando, e nunca vi tanta
miséria”, testemunha.
A exemplo de Raskolnikov, Nina é
uma pessoa com “dificuldade para lidar com o mundo exterior e entra numa
paranóia”, diz o autor. “Ela se acha mais extraordinária que as outras e
acaba cometendo um crime.”
A semelhança com a obra de
Dostoiévski, no entanto, limita-se praticamente à base da trama. “Tanto que
não é adaptação”, diferencia Heitor. “Há apenas alguns moods
(condições) em comum, como a doença, a situação financeira deteriorada e a
obsessão pela ‘velha’ (personagem de Miriam Muniz da qual Nina é
inquilina).”
O diretor aguarda o recebimento das cópias do filme, que ficam prontas em
dezembro, para iniciar o processo de lançamento, primeiramente em festivais
no exterior. No Brasil, a idéia é começar pelo Recife. Seu próximo projeto é
a adaptação do romance O Cheiro do Ralo, do quadrinhista Lourenço
Mutarelli. (M.T.)
(©
Jornal do Commercio-PE)
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Pernambuco transpira cinema |
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O cenário é o Sertão. Com muito
suor para conseguir recursos e sol a pino a iluminar os sets de
produção, Pernambuco realiza quatro filmes que marcam os dez anos da
retomada do cinema local
MARCOS TOLEDO
O Sertão nordestino se
apronta para virar um mar. De película. Dez anos após o início da
chamada ‘retomada do cinema pernambucano’, quando teve a origem do
projeto do longa-metragem O Baile Perfumado – o primeiro após uma lacuna
de quase duas décadas – quatro produções de cineastas do Estado, três
delas rodadas no Sertão, despontam para dar fôlego à produção local e
espantar de vez o fantasma dos ciclos que marcaram toda a história do
cinema em Pernambuco.
Árido Movie, de Lírio
Ferreira, Deserto Feliz, de Paulo Caldas, e O Cinema, a Aspirina e os
Urubus, de Marcelo Gomes, têm em comum as locações no interior seco
nordestino e, fazendo uso de uma linguagem moderna, reverenciam a
temática dando-lhe ares de movimento. Em São Paulo, Heitor Dhália (do
curta Conceição) corre por fora com seu longa de estréia, Nina, uma
livre adaptação de Crime e Castigo, de Dostoiévski, ambientada na ‘Terra
da Garoa’ do século 21.
Numa feliz analogia, Paulo
(que realizou O Baile Perfumado ao lado Lírio, que em 2004 ainda roda um
documentário sobre o músico Cartola), compara o processo de evolução
recente do cinema do Estado com o da música. O manguebeat, segundo ele,
teria se esgotado enquanto movimento, mas deixou de herança a
profissionalização da música local. “Queremos fazer isso com o cinema”,
afirma. Em meio ao trabalho com seus novos filmes, os cineastas discutem
a década de uma retomada que começou em mesa de bar, após sessões de
arte de cinema e aulas na faculdade, suas dificuldades, realizações e
possibilidades.
(©
Jornal do Commercio-PE, 09.11.2003)
O árido caminho de uma geração
Os cineastas Paulo
Caldas e Lírio Ferreira enfrentaram com obstinação a falta de recursos
técnicos e econômicos para realizar o sonho de fazer longa-metragem no
Estado
Em Arcoverde, porta do sertão
pernambucano, a menos de uma semana antes de dar início às filmagens de
seu segundo longa-metragem, Árido Movie, o cineasta Lírio
Ferreira, de tênis, bermuda, camiseta de malha e bronzeado, recebeu a
reportagem do JC para falar do filme e dos dez anos da retomada
do cinema local. Um novo direcionamento que recolocou o Estado na lista
de fomentador de longas-metragens e criou uma forma de auto-sustentação
que inclui a formação de mão-de-obra especializada e compartilhamento de
informações que viabilizem a captação de recursos para os projetos.
A retomada tem como base o ano
de 1993, quando germinou a idéia de O Baile Perfumado. Lírio,
contudo, voltou mais uma década, até 1983, ano em que ele ingressou no
curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
e conheceu a ‘turma’ que seria protagonista de uma nova maneira de se
fazer cinema no Estado. O núcleo dessa turma tinha nomes como Paulo
Caldas, Valéria Ferro, Samuel Holanda e Adelina Pontual, jovens que
almejavam, acima de tudo, fazer cinema. Cláudio Assis, aluno do curso de
Economia, desgarrou-se para o lado dos colegas que sonhavam com a Sétima
Arte.
De passagem pelo Recife, onde
trabalha na pré-produção de seu terceiro longa, Deserto Feliz,
Paulo Caldas (que hoje mora no Rio de Janeiro) lembra das diferenças que
tinha em relação aos seus companheiros – que, na época, formaram o grupo
Vã-Retrô. Paulo já chegou à UFPE com a experiência no ocaso do Ciclo do
Super 8, tendo dirigido os curtas Frustrações (1981) e Morte
no Capibaribe (1983), considerado o último trabalho na bitola
amadora no Estado. Um movimento marcado, segundo ele, por
“documentaristas” e “anarquistas”.
“Eu cheguei a ver muitos Super
8 e imagino que tenha influência destes dois estilos”, reconhece. De
fato, a História do cinema nos últimos 20 anos mostraria que, enquanto
seus colegas se dedicariam quase exclusivamente à ficção, Paulo se
dividiria entre tramas ficcionais e documentais. Mas é certo que o o
cineasta, paraibano radicado no Recife, fez uma ponte entre os novos
realizadores e as gerações anteriores, que tinham entre seus
protagonistas Fernando Spencer, Amin Stepple e Jomard Muniz de Brito,
somente para citar alguns nomes.
“Paulo funcionou pra gente
como esse referencial, essa possibilidade de se fazer”, sintoniza Lírio,
que, com o Vã-Retrô, desenvolveu o projeto do curta Biodegradável,
nunca realizado. “Logo depois, ele se juntou a gente e comecei a
trabalhar nos filmes dele (Nem Tudo São Flores e a homenagem a
Spencer, O Bandido da Sétima Luz).”
Esses curtas de Paulo Caldas
estimulou o grupo Vã-Retrô a se inserir na cena cinematográfica de modo
mais objetivo. Cláudio Assis já havia rodado o documentário Henrique?,
no qual participaram Valéria, Adelina e Lírio, que, na mesma época,
escreveu o roteiro de seu primeiro curta, O Crime da Imagem. “Foi
aglutinando”, diz Lírio.
O lento processo de
amadurecimento dos novos realizadores coincidiu com um período rico para
o curta-metragem no Brasil, com a promoção de concursos a cada três
meses pela extinta Embrafilme. “Começou essa coisa de o cinema
pernambucano ter sempre um filme premiado”, recorda Lítio. Em 1987,
Paulo Caldas realizaria ainda Chá e Cláudio Assis Soneto do
Desmantelo Blue. Com o fim da Embrafilme e o sucateamento do cinema
no governo do ex-presidente Fernando Collor, Lírio só conseguiria lançar
O Crime da Imagem em 1992. “Esses filmes viraram nossa faculdade
de cinema”, explica o realizador. “Em Pernambuco aprendia-se a fazer
cinema fazendo. Não havia a possibilidade de ter um estudo teórico a não
ser com livro e indo ver filme pra caramba.”
Instigados, os amigos se
dividiam nas funções técnicas de seus filmes, ora ‘importando’ um ou
outro técnico, e atuavam em atividades correlatas, seja em publicidade
ou em campanhas políticas. E eis a principal diferença entre esta
geração e as que a antecederam: enquanto os realizadores do Ciclo do
Super 8, por exemplo, eram comunicadores e artistas que encaravam fazer
cinema como atividade paralela, os novos cineastas colocavam o cinema
como seu objetivo maior. Assim, os curtas-metragens serviriam de
trampolim para um sonho maior, algo quase impensável no período: rodar
um longa, algo que não se encarava há mais de uma década.
“No caminho de Piedade até o
Centro do Recife, eu disse: ‘Paulo Caldas, vamos fazer um
longa-metragem?’. Ele disse: ‘Vamos!’.” Paulo contou a Lírio a idéia de
Spencer de fazer o curta Repórter das Arábias, sobre o fotógrafo
Benjamin Abrahão, que teria filmado o cangaceiro Lampião e seu bando.
“Foi aí que a gente se juntou a Hilton Lacerda (roteirista) e Frederico
Pernambucano de Melo (historiador) e começou a engendrar o que seria o
primeiro tratamento de O Baile Perfumado”, lembra Lírio. (M.T.)
(©
Jornal do Commercio-PE, 09.11.2003)
O fantasma dos ciclos ainda assusta
Para que a produção de cinema em Pernambuco não sofra nova estagnação é
preciso investimento na profissionalização e atração de empresas e
investidores privados
Apontado pela crítica como um
dos principais longas-metragens responsáveis pela retomada do cinema
brasileiro, O Baile Perfumado, de Lírio Ferreira & Paulo Caldas se
tornou um símbolo da possibilidade de se fazer filmes em Pernambuco e um
exemplo a ser seguido pelas novas gerações. Abarcando toda dificuldade
imaginável, a produção, contudo, foi um sucesso e marcou definitavemente
uma nova maneira de se realizar audiovisual no Estado. “O sucesso se
deu, sobretudo, pela força da cultura pernambucana”, analisa Paulo. “Os
filmes são o retrato fiel da cultura que representa.”
Apesar do número ínfimo de
longas-metragens finalizados desde então – depois vieram apenas O Rap
do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas, Paulo Caldas & Marcelo
Luna, e Amarelo Manga, de Cláudio Assis – algumas dezenas de
curtas foram rodados, quantidade bem superior à média anterior a O
Baile. Porém, com cautela, Paulo reconhece que ainda é cedo para
afirmar que o fantasma dos ‘ciclos’ foram exorcizados de vez da produção
audiovisual do Estado. “Os ciclos são um fenômeno pernambucano, mas
também brasileiro e da cinematografia do Terceiro Mundo, que é frágil e
sofre com a descontinuidade”, explica. “A gente ainda corre o risco de
se esgotar.”
O cineasta aponta como uma boa
medida para permitir a continuidade a iniciativa do Governo do Estado de
enviar profissionais para se especializarem no exterior, a fim de criar
aqui, na volta, um pólo de audiovisual. “Se criarem mecanismos que dêem
continuidade, vamos superar os ciclos”, acredita. “A gente também tem
que depender menos do Estado e mais do mercado.”
Para Lírio, o objetivo
principal dos autores deve ser a de ter sempre boas idéias. “A gente tem
que se preocupar é com a qualidade dos filmes, com a criatividade e a
experimentação. E não ficar com esse compromisso de correr atrás das
coisas.” Ainda assim, a geração do Vã-Retrô e amigos contribuiu bastante
para a formação de mão-de-obra especializada no Estado, promovendo
cursos a cada nova produção e atraindo novos interessados na produção de
cinema.
Do sertão paraibano, onde
filma seu O Cinema, a Aspirina e os Urubus, Marcelo Gomes
(diretor do curta Maracatu, Maracatus) chama a atenção que, numa
primeira fase, os realizadores das décadas de 80 e 90 foram responsáveis
pela formação de muitos técnicos para curtas-metragens. “Para longa, é
diferente. Acho que, agora, estamos formando gente para longas.” O
cineasta considera a continuidade da produção “um verdadeiro milagre”. “O
Baile deu uma certa visibilidade ao trabalho da gente. Mas ainda é
um cinema de guerrilha, de resistência.”
Apesar das dificuldades que
persistem, pré-produzindo seu terceiro longa Paulo Caldas testemunha uma
perspectiva diferente para os cineastas locais. “Hoje, a partir do que
já foi feito, a gente já conta com uma maneira diferente de ser visto.
Isso já um respeito e a gente vive os problemas de outra forma”, diz.
O diretor, que sofreu com a
resistência a seu longa-metragem anterior, O Rap do Pequeno Príncipe,
devido à temática, confessa que já encontra uma abertura maior para
Deserto Feliz. “Agora, a gente já está na primeira divisão”, diz com
confiança. (M.T.)
(©
Jornal do Commercio-PE, 09.11.2003)
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Filmografia básica
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(arquivo NordesteWeb)
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