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Osman Lins é homenageado em Recife

14/11/2003

Osman Lins Arquivo NordesteWeb

 

da Folha de S.Paulo

   O escritor e teatrólogo pernambucano Osman Lins (1924-1978) é homenageado este ano no 6º Festival Recife do Teatro Nacional.

   O autor de "Lisbela e o Prisioneiro" será tema de segmentos paralelos, como seminário, leitura e lançamento do livro "Osman Lins: O Matemático da Prosa", de Ivana Moura.

   A montagem carioca de "Novas Diretrizes em Tempos de Paz", texto de Bôsco Brasil, com Tony Ramos e Dan Stulbach, abre o festival hoje, no teatro Santa Isabel.

   Ao todo, serão apresentados 15 espetáculos. De São Paulo, participam "A Terra Prometida", "Quem É Ernesto Varela" e "Ânsia".

   Entre os espetáculos da região Nordeste, estão o cearense "Minha Irmã" e os pernambucanos "A Caravana da Ilusão", "Sou Feio e Moro Longe", "Agnes de Deus", "Fernando e Isaura", entre outros.

   A coordenação geral do festival é assinada por Antônio Cadengue, Albemar Araújo e Lúcia Machado. A curadoria foi feita pelo dramaturgo paulista Aimar Labaki. Com orçamento de R$ 450 mil, o festival é uma realização da Prefeitura do Recife.

6º FESTIVAL RECIFE DO TEATRO NACIONAL
Quando:
de hoje a 23/11
Quanto: R$ 10
Informações: 0/xx/ 81/2424-5429

Folha Online)

Santa Isabel sobe o pano para a excelência teatral

Novas Diretrizes em Tempos de Paz, com Dan Stulbach e Tony Ramos, levou prêmios Shell no RJ e SP

JANAÍNA LIMA

   Todo o silêncio vai ser pouco, hoje, durante a apresentação da peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz. O espetáculo, que abre o 6º Festival Recife de Teatro, às 21h, no Santa Isabel, é um drama sobre o ator polonês Clausewitz, que tenta refugiar-se no Brasil e se depara, na alfândega, com um funcionário sisudo (Segismundo), nem um pouco disposto a ajudá-lo. Apenas dois atores permanecem em cena, com um birô e duas cadeiras.

   O bom comportamento da platéia é indispensável para que a encenação possa ser degustada plenamente: nada de abrir as portas de camarotes, mexer em caixinhas de chicletes ou conversar com o vizinho, portanto.

   O texto do dramaturgo Bosco Brasil foi escrito especialmente para o ator Dan Stulbach, que é descendente de poloneses. “Foi um presente. Conversamos uma vez sobre a história da minha família e as dificuldades de se adaptar num país estrangeiro. Dias depois, ele me ligou dizendo que escreveria uma peça sobre o que falamos. Em três dias, fez o texto, depois ensaiamos e logo fomos para o palco”, revela Dan Stulbach, que ganhou projeção nacional na pele do malvado Marcos, de Mulheres Apaixonadas. Na peça, ele contracena com Tony Ramos, no papel do burocrata.

   Em cartaz há dois anos, com direção de Ariela Goldmann, a peça cumpre uma trajetória de sucesso desde a estréia, na Mostra de Novos Dramaturgos (SP). Recebeu os prêmios de Melhor Autor e Ator (Dan Stulbach) pela Associação Paulista de Críticos de Arte, o Prêmio Shell Rio de Janeiro de Melhor Ator (Tony Ramos) e o Prêmio Shell São Paulo de Ator (Stulbach), Autor e Iluminação (Gianni Ratto). “Isso nos dá muita alegria. A peça é talvez a mais premiada nos últimos dois anos. E não tem segredo: é um espetáculo simples, que discute a condição humana. Mesmo sendo um drama, as pessoas riem muito das coisas inóspitas da sociedade”, conta Tony Ramos.

Jornal do Commercio-PE, 13.11.2003)


Festival respira a obra de Osman Lins

Homenageado é mote de seminário, livro e duas leituras dramáticas. Programação paralela traz ainda cursos gratuitos e série de palestras

   Após Novas Diretrizes iniciar o festival hoje à noite, as atenções recaem para as atividades paralelas do evento, que começam na sexta de manhã. É bom salientar que este ano a programação de seminários, palestras e cursos mereceram atenção e investimento especial e dividem a atenção com os espetáculos.

   As principais atividades estão relacionadas ao homenageado da mostra, o dramaturgo Osman Lins. É dedicado à obra do autor o primeiro evento, um seminário, que acontece amanhã, sábado e domingo, das 9h às 12h, no Centro Apolo-Hermilo. O complexo teatral é uma espécie de Q.G. do festival.

   O primeiro dia é destinado a detalhar o teatro de Osman, suas principais peças e montagens. No sábado, a produção em prosa do escritor é investigada e, no domingo, o mote é o ‘pensamento’ do autor pernambucano. A cada dia, participam do seminário pesquisadores de São Paulo e do Recife, a exemplo de Ermelinda Ferreira, Lourival Holanda, Arthur Nestrovski e Marisa Balthasar Lins.

   A partir de segunda-feira, começam no festival três cursos e uma série de palestras. Serão ministradas aulas de Iniciação à Dramaturgia (com Samir Yazbeck), Direção Teatral (com Luiz Arthur Nunes) e Fundadores do Teatro Moderno: Direção e Dramaturgia (com Elena Vássina). As aulas serão na Fundaj do Derby, de segunda a sexta, e as inscrições são gratuitas.

   O Ciclo de Palestras será de amanhã, das 10h às 12h e tem como objetivo traçar um panorama dos principais encenadores e dramaturgos do século 20. Elena Vássina vai abordar Stanislávski, o jornalista Marcelo Tas (ele mesmo, o do Vitrine) vai tratar de Eisenstein, Rubens Ruche abordará Brecht e o diretor Luiz Arthur Nunes, que já montou muitas obras de Nelson Rodrigues, é o encarregado do autor pernambucano.

   Não está programado apenas ‘blá-blá-blá’, na quarta, às 18h30, está programada a leitura dramática Romance dos Dois Soldados de Herodes, sob o comando do diretor pernambucano Carlos Reys.

N   a sexta, 21h, às 20h30, acontece mais uma leitura. O texto escolhido foi Salão do Automóvel. A leitura será feita por alunos do curso de Direção Teatral, ministrado durante a semana por Luiz Arthur Nunes. No mesmo dia, às 19h, a jornalista Ivana Moura lança o livro Osman Lins: O Matemático da Prosa. O lançamento mantém a tradição do festival de lançar uma publicação a cada ano: foi feito isso com Barreto Júnior, em 2002, e com Joaquim Cardozo, em 2001.

Informações e inscrições: Centro Apolo-Hermilo, fones: 3424.5429/3224.1114

Jornal do Commercio-PE, 13.11.2003)


Musical representa Brasil em Portugal

Maria e Duran, com Pedro Oliveira e Thina Cunha, participa de festival na cidade do Porto

   A dupla Pedro Oliveira e Thina Cunha leva o espetáculo Maria e Duran à 6ª Mostra Internacional de Teatro – Entretanto MIT Valongo, que acontece durante toda semana, em Valongo, cidade do Porto, Portugal. A produção é a única representante brasileira no evento, que recebe grupos da Europa, África e América.

   Baseado em Brasileiro: Profissão Esperança, de Paulo Pontes, o musical Maria e Duran tem direção do jornalista Orismar Rodrigues e está em cartaz há dois anos no Recife. A estréia foi em setembro de 2001, em show na Arcádia, com renda revertida para a Associação dos Amigos do Peito.

   Depois disso, a montagem cumpriu temporada no Teatro Armazém, marcando o recorde de lotação da casa de espetáculo.

   O repertório do show reúne 15 músicas, de autoria de Dolores Duran e do pernambucano Antônio Maria. Fim de caso, Castigo, Noite do meu bem, Ternura antiga, Manhã de carnaval são algumas das canções mais conhecidas.

   Poesias e crônicas de Maria pontuam a encenação, que tem ainda a participação de uma banda. Na apresentação em Portugal, apenas três músicos acompanham os cantores.

   “Tivemos muita dificuldade em conseguir todo o dinheiro necessário para a viagem”, ressalta o ator Pedro Oliveira. O grupo viaja apenas com o apoio do Ministério da Cultura.

Jornal do Commercio-PE, 13.11.2003)


Dramaturgia é o eixo do Festival Recife de Teatro

JANAÍNA LIMA

   A temporada teatral pernambucana, que este ano só tomou fôlego no segundo semestre, é coroada amanhã com a abertura do 6º Festival Recife do Teatro Nacional. A mostra começa com a apresentação da peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz, às 21h, no Teatro Santa Isabel. A produção é um dos espetáculos mais bem-sucedidos dos últimos dois anos no País – recebeu uma chuva de elogios da crítica e os prêmios de Ator e Autor da Associação Paulista de Críticos de Arte. No elenco, estão dois astros da novela Mulheres Apaixonadas: Dan Stulbach (Marcos) e Tony Ramos (Teo). Antes da encenação, será prestada uma homenagem ao autor Osman Lins, a quem o evento é dedicado.

   A edição 2003 do festival inova no formato e vai surpreender especialmente ao público que buscava na mostra as produções das grandes companhias e os espetáculos de maior sucesso no País. Em vez disso, foram convidadas montagens menos conhecidas, com poucos atores no palco (com raras exceções). “O eixo do festival este ano é a dramaturgia e as várias formas como ela vem sendo exercitada no País. Selecionamos adaptações de clássicos, autores brasileiros contemporâneos e uma montagem na linha performática, que é a de Marcelo Tas”, explica Antonio Cadengue, diretor de ação cultural da PCR. Até o próximo dia 23, serão apresentadas 23 peças em cinco teatros.

   O conceito da mostra foi idealizado por um curador único, o diretor teatral Aimar Labaki. Ele trabalhou em conjunto com uma curadoria local, formada por Ivonete Melo (Sated-PE), Socorro Raposo (Apacepe), Roberto Carlos (Feteape) e Kalina de Paula (UFPE). Foram eles os responsáveis pela seleção das peças pernambucanas, o maior número desde a criação do evento. São quatro trabalhos: Agnes de Deus, Sou Feio e Moro Longe, Fernando e Isaura e A Caravana da Ilusão.

   A mostra traz produções ainda de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Ceará e Paraíba. O público infantil conta com uma atração (no Teatro Santa Isabel, o que merece atenção especial). O evento não terá espetáculos de rua, gênero contemplado com um festival específico no mês de outubro.

   O orçamento da mostra é 450 mil. Caixa Econômica, Eletrobras, Chesf e Ministério da Cultura apóiam o evento.

   FORMAÇÃO – Também para responder a uma cobrança da classe teatral, a mostra investiu pesado em atividades paralelas. Estão programados cursos, seminário, palestras e leituras dramáticas. “Era uma cobrança antiga dos profissionais locais. Esse ano conseguimos dar mais atenção a isso, inclusive em relação a investimentos”, contou Cadengue.

   E aproveitando a badalação em torno da obra de Osman Lins, autor de Lisbela e O Prisioneiro, o maior evento na área das Artes Cênicas em Pernambuco presta homenagem ao dramaturgo. A obra do autor é tema de seminário e do livro Osman Lins: O Matemático da Prosa, escrito pela jornalista Ivana Moura.

Jornal do Commercio-PE, 12.11.2003)

 

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