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15/11/2003
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Bagaceira se apresenta na Mostra Cariri |
A V Mostra
Sesc Cariri de Teatro está acontecendo no Crato. A
programação se estende até o próximo dia 22 e vai contemplar diversas
manifestações artísticas em oito municípios da região. Entre as atrações do
evento, está o grupo Udi Grudi, de Brasília, que traz ao Cariri os
espetáculos O Ovo e Lixaranga
Felipe Araújo
da Redação Felipe Araújo
''A gente começa
trabalhando do nada para chegar em algum lugar que nós não sabemos direito
qual é'', ri-se o ator Márcio Vieira ao tentar explicar a proposta do grupo
Circo Teatro Udi Grudi, uma das companhias que participam da V Mostra Sesc
Cariri de Teatro, que começa hoje no Crato. A mostra, promovida pelo Sesc em
parceria com a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) e prefeituras da
região, se estende até o próximo dia 22 e vai reunir 42 grupos de teatro,
música e dança de 17 estados.
Participante da Mostra Palco Brasil,
um dos eventos que compõem a mostra maior e que vai selecionar apresentações
para o projeto Palco Giratório (iniciado em 1998 pelo Sesc e que faz
circular peças pelo Brasil), o grupo brasiliense vai apresentar o espetáculo
O Ovo. ''É um espetáculo que fala da transformação do lixo
através de personagens que vivem num lixão. É por isso que eu falo que a
gente começa do nada porque esses personagens tentam construir coisas a
partir do lixo. Mas não há um enredo no sentido convencional do termo'',
explica Márcio, que ontem pela manhã conversou por telefone com o Vida &
Arte.
Ovo
estreou em Brasília em setembro e é o mais recente trabalho do grupo, que
desde 1998 vem percorrendo o País com o elogiado O Cano -
unanimidade de público e crítica e vencedor de diversos prêmios no Brasil e
no exterior. ''O Ovo ainda é uma criança, nós estamos
amadurecendo o espetáculo. Nós fazemos uma apresentação, conversamos com o
público e voltamos a prancheta para aperfeiçoar alguns detalhes. É assim que
nossos espetáculos vão ganhando um formato definido'', conta. ''No caso de
O Ovo, não há propriamente um enredo no sentido de um livro
onde você tem o começo, meio e fim de uma história. Ele seria um livro de
poesias''.
Formado por
Márcio, Marcelo Beré e Luciano Porto, além da diretora Leo Sykes,
aluna do dramarturgo italiano Eugênio Barba, o Udi Grudi foi criado no
Distrito Federal em 1982. A idéia era misturar teatro com elementos do circo
e performances musicais, sempre em montagens cujo processo de criação e de
pesquisa se confundem durante os ensaios. ''Algumas cenas, por exemplo,
surgem e amadurecem quando a gente está ensaiando, mas nós não sabemos em
que momento de determinada peça elas serão encaixadas'', afirma.
Além de O Ovo, que
participa da mostra Palco Brasil e será encenado na quinta-feira (20), às
20h, no Teatro do Colégio Objetivo, no Crato, o grupo também vai apresentar
a performance Lixaranga - uma ''charanga do lixo'', na
definição de Márcio -, que desfila na Praça da Sé na sexta-feira, às 17h. Ao
longo da semana, o Udi Grudi e o grupo paulista Lume vão promover uma
oficina de experimentação teatral dentro do programa Terreiro da Pesquisa,
que acontece no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (Urca).
''Eles vão mostrar desenvolvimentos
técnicos na área do teatro. Será um intercâmbio de informações entre eles e
os alunos. Isso vai ser feito na Urca, um lugar acadêmico, que melhor
representa o conhecimento'', define Fernando Piancó, coordenador do
programa. ''Esse evento do Sesc se distingue das outras mostras de teatro do
Estado pelo fato de as pessoas não irem embora. Acontecem as peças e todos
permanecem lá pela semana inteira. Então, há uma oportunidade de conversar e
debater sobre arte'', completa.
''A gente fica muito satisfeito e
participar de uma mostra como essa porque o Cariri é uma região
culturalmente muito rica, é um catalisador cultural das experiências do
Nordeste. E a gente aprende bastante a partir dessa troca de experiência com
outros artistas e outros grupos'', defende Márcio. ''É por isso que nossa
oficina vai transmitir o que as pessoas estiverem a fim de conhecer, seja o
trabalho de clown, seja o trabalho de fabricação de
instrumentos, seja o de direção''.
Junto com O Ovo também
participam da mostra Palco Brasil os espetáculos Beatos, do
grupo Corpus x Corpus (CE); Era uma vez nós dois, do grupo
Mirante (CE); Joguete, da Cia. Buffa de Teatro (BA); As
Bondosas, do grupo MOA (RJ); Bagaceira - A dança dos orixás,
da Cia. Vatá (CE); Agnes de Deus, da Cia. das Artes (PE);
Ensaio No. 2, do grupo Infinito Enquanto Dure (AL); e Vidas
Secas, da Cia. Realce (SP).
Serviço:
V Mostra Sesc Cariri de Teatro. Solenidade de abertura hoje, às 18h, na
Praça da Sé do Crato com presença do governador Lúcio Alcântara. A mostra
permanece em cartaz até o dia 22 com espetáculos de teatro e dança,
performances e exposições em diversos locais de Crato e outros municípios da
região. Informações: (88) 523.4444.
(©
O Povo/NoOlhar.com.br)
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Mostra em
expansão |
A expectativa dos organizadores é que em torno
de 150 mil pessoas participem da programação ao longo dos oito dias de evento
''Ao longo das primeiras
edições, a mostra de teatro do Cariri foi se expandindo e hoje contempla várias
cidades da região além de outras artes como cinema, vídeo, cultura popular, etc.
A idéia é que o evento não se feche em si mesmo, mas se espalhe pelo Cariri
através de um projeto de desenvolvimento e consolidação da cultura na região'',
define Dane de Jade, coordenadora da mostra. ''Ao todo, oito municípios vão
participar diretamente da programação deste ano. Mas o Crato, que é a sede do
evento, vai receber público de todo o Estado''.
Segundo Dane, a expectativa dos
organizadores é que em torno de 150 mil pessoas participem da programação ao
longo dos oito dias de evento. A solenidade de abertura acontece hoje à noite,
na Praça da Sé, no Crato, com a presença do governador Lúcio Alcântara, que
assina a lei que institui a cidade do Crato como a ''capital cultural do Estado
do Ceará''. Serão abertas também as diversas exposições que integram a
programação da mostra. Entre elas, Lampião e sua gente fotografados por
Benjamin Abraão, que fica em cartaz no Conselho de Defesa Social.
Amanhã pela manhã, acontece a romaria ao
Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, onde será apresentado o espetáculo A
saga de Canudos, com a Cia. Arpoadores Ói Nóis Aqui Travêz
(RS). A mostra competitiva, que este ano, só vai reunir grupos da região,
começa na segunda-feira. No total, são oito espetáculos disputando os prêmios de
auxiliar de montagem (R$ 1.000,00), melhor cenário (R$ 500,00), melhor figurino
(R$ 500,00) e melhor espetáculo pelo júri popular (R$ 500,00), além de um prêmio
de reciclagem em Fortaleza para melhor ator, melhor atriz e melhor diretor.
''Nas edições passadas os espetáculos do
Cariri se misturavam aos do resto do Brasil. Como, na maioria das vezes, o que é
de fora chama mais atenção do público, decidimos criar uma mostra específica
para as peças regionais'', explica Fernando Piancó, coordenador da mostra
competitiva. ''A mostra deixou uma contribuição muito grande para a cultura
local. O fato de nós termos reservado a mostra competitiva para grupos da região
foi uma reivindicação dos próprios artistas locais, que já estão organizados'',
reforça Dane.
Também na segunda-feira, começam as
apresentações musicais na Praça da Sé, no Crato, que vão se estender por toda a
semana. Além dos 25 grupos do Cariri que se apresentarão (entre eles, grupos de
reisado, de maneiro pau e de cantoria), o grupo colombiano Imaimaná vai trazer
sua música indígena formada por kuises (flautas) e tambores amazônicos.
(FA)
(©
Estado de S. Paulo)
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(arquivo NordesteWeb)
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