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Começa na Bahia o 5.º Mercado Cultural

05-06-2008

Lenine, talvez o mais famoso de toda a turma

Maratona artística, que ocorre até domingo, contará com atrações de todos os tipos

BIAGGIO TALENTO
Correspondente

   SALVADOR - O normalmente quente verão baiano, que na verdade começa na primavera, vai pegar fogo nesta semana com o 5.º Mercado Cultural, maratona artística que reunirá, a partir de hoje e até domingo, 1.500 participantes do Brasil e de diversos países em teatros, galerias, casas de shows e ruas da cidade. O Instituto Casa Via Magia, que organizou o evento, espera a presença de 60 mil espectadores/dia para as apresentações ao ar livre (nas praças do Pelourinho) e 30 mil nos eventos fechados.

  Não será apenas de diversão o 5.º Mercado: produtores, artistas, autoridades e mecenas discutirão os principais aspectos do mercado cultural como distribuição, pirataria, selos independentes e políticas governamentais para o setor. Além disso, muitos negócios devem ser fechados entre artistas e agentes para futuras apresentações em outras cidades. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, e 50 líderes mundiais do métier aproveitam o evento para lançar oficialmente o 1.º Fórum Cultural Mundial, marcado para o próximo ano em São Paulo.

  Como sempre, a grande característica do Mercado é a diversidade, o que se traduz numa programação para todos os gostos, desde os tradicionais batuques baianos do Ilê Aiyê, Male Debalê e Muzenza, blocos afros que são destaques do carnaval baiano, ao Mladinsko Theater, grupo teatral da Eslovênia que apresentará a peça Silence, Silence, Silence, passando por instrumentistas, músicos, dançarinos, pintores e fotógrafos.

  Lenine, talvez o mais famoso de toda a turma, formada predominantemente por artistas independentes e talentosos, mas pouco conhecidos, subirá no palco para um duo com a cantora folk americana Ani Franco (repetindo a participação especial no CD Falange Canibal do pernambucano) enquanto o grupo Los Jubilados mostrará o melhor da tradicional e dançante música cubana. Destaque também para as atrações Barbatuques, DonaZica e Bojo. Nas principais galerias da cidade, exposições de artes plásticas saciarão a fome dos amantes desse gênero. Os shows ao ar livre são grátis, enquanto os espetáculos em ambientes fechados custarão de R$ 5 a R$ 10. Estima-se que o 5.º Mercado gere recursos da ordem de US$ 6 milhões.

  Com os tradicionais ensaios de blocos e festas regulares que ocorrem em Salvador até o carnaval, o 5.º Mercado certamente vai entreter o público formado por baianos e os turistas que já começam a invadir a cidade.

  Contudo, se as pessoas quiserem mais farra, na segunda-feira ocorre a tradicional festa de Nossa Senhora da Conceição, a primeira do ciclo de eventos populares do verão de Salvador.

(© O Estado de S. Paulo)

"Feirão" exibe as grandes ofertas nas artes

 
Mercado Cultural começa hoje em Salvador e peneira nomes representativos do cenário cultural independente

ISRAEL DO VALE
ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR

   A maior vitrine da produção artística independente montada no Brasil ganha sua quinta edição a partir de hoje, em Salvador. Desde seu surgimento, quase "sigiloso", o Mercado Cultural cresceu enormemente, na contramão da crise que abraça o mercado mundial da música -foco principal do evento, também dedicado à dança, teatro e artes plásticas.

   O "feirão" consagra uma mentalidade diferenciada na área cultural, por criar pontes entre conteúdos artísticos novos e/ ou pouco conhecidos e agentes culturais do Brasil e do exterior.

   Neste quesito, estima-se que cerca de 700 "olheiros" (produtores, empresários e diretores de festivais) estarão embrenhados no cardápio de 900 artistas que será folheado nos seis dias.

   Ter um trabalho "autoral", desapegado de fórmulas, é determinante. E opções não faltam. Basta dizer que a seleção deste ano foi garimpada entre 800 discos.
Na esfera nacional, passaram pela peneira artistas de atuação tão diversa quanto Bojo, Barbatuques, Dona Zica, Stela Campos (todos de SP), Siba, Lenine e Comadre Fulozinha (PE), Guinga e Jongo da Serrinha (RJ) e Mariene de Castro e Moisés Santana (BA).

   As atrações internacionais somam 19 nomes: 14 na música, três na dança e duas no teatro. O perfil é igualmente centrado em artistas de trabalho sólido e de pouco neon, como The Luckman Jazz Orchestra (EUA), Ani DiFranco (EUA), Tricycle (Bélgica) ou Los Jubilados (Cuba), na música, a companhia de dança Au Ments (Ilhas Baleares) ou o grupo teatral esloveno Mladinsko.

   O aspecto transformador da proposta, contudo, está no conceito que norteia a programação. Desde seu surgimento, o Mercado atua sobre a lógica das redes de promotores culturais, sistema associativista com base no apoio mútuo entre agentes do setor.

   É uma "revolução silenciosa" que já mobiliza 300 escritórios em todos os países da América Latina e do Caribe com representações na Venezuela, Colômbia e no Brasil, onde é encabeçada pelo Instituto Cultural Casa Via Magia, organizador do Mercado Cultural.

   Articular isso exige um estado de alerta permanente. "Ainda há vícios assistencialistas ou sindicais, uma expectativa de que a rede tenha papel representativo, com decisões centralizadas", conta Ruy Cesar Silva, 47, idealizador do evento e responsável pela vinda ao Brasil do 1º Fórum Cultural Mundial em 2004.

   O trabalho das redes ataca os gargalos da produção independente: distribuição (circulação) e difusão (visibilidade). E rompe com a dependência do poder público (com quem mantém relação colaborativa, mas independente) e até com patrocinadores.

   Este pano de fundo da engrenagem que move a roda da cultura estará em discussão no ciclo de conferências do evento. O destaque é o encontro, amanhã, de cerca de 50 líderes mundiais de governos e da sociedade civil sobre a agenda do Fórum Cultural Mundial, em junho de 2004, em SP.


5º MERCADO CULTURAL. De hoje a domingo, em 11 espaços de Salvador. Quanto: até R$ 5.

Veja a programação no site oficial

O jornalista Israel do Vale viajou a convite da organização do Mercado Cultural

(© Folha de S. Paulo)

 

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