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05-06-2008
Jamari França - Globonews.com A tradição encerrou o V Mercado
Cultural em Salvador, depois de sete dias de conferências, espetáculos de
música, dança e teatro na maior mostra da arte independente que acontece na
América Latina. O ex-Mestre Ambrósio Siba trouxe o grupo A Fuloresta – “o
mais novo tem 73 anos” - com um espetáculo de dança com muito coco e
maracatu. De Santiago de Cuba vieram Los Jubilados, encabeçados por Mario
Carcasses e Juan Gualberto Ferrer, cada um levando oitentinha nas costas. Os
velhinhos não decepcionaram, atiçando a platéia durante uma hora com muita
rumba e son, que teve como ponto alto Chan Chan, de Compay Segundo, falecido
em julho último. (© Globo News) Mais de mil artistas passaram pelo evento Jamari França - Globonews.com O Mercado Musical reuniu em Salvador durante seis dias, mais de mil artistas que se apresentaram em 12 pontos da cidade em diversos horários, em alguns casos fazendo interferência no cotidiano, como foi o caso da companhia alemã Angie Hiesl Produktion com seu espetáculo "X-vezes gente cadeira", que colocou pessoas sentadas em cadeiras a 10 metros de altura fazendo coisas do cotidiano como se fosse a coisa mais normal do mundo ver uma senhora pendurada preparando um arranjo de flores.
No Pelourinho, a
muvuca normal das noites do mais badalado ponto turístico da cidade
recebeu centenas de pessoas adicionais a cada noite para quatro
espetáculos que começavam com intervalos de meia hora em três grandes
bares que aqui chamam de praças. Não faltaram, desfiles pela rua que
arrebanharam gente porque baiano não precisa de desculpa para pular
carnaval e assim foi com o Maracatu Nação Porto Rico e o Grupo Boi Axé,
que foram desembocar na Fala, uma feira de artes com 80 estandes onde se
pode comprar de tudo, desde tecidos com padrões africanos a discos de
artistas independentes de todo o mundo, muito artesanato e também
negócios, porque havia estandes de empresários e produtores. Bule Bule, do interior da Bahia, é outra força na natureza, poeta de mão cheia, autodidata, faz músicas e poemas de grande sabedoria e abre o verbo contra o descaso em relação ao artista popular. Houve boas surpresas como o grupo Dona Zica, de São Paulo, liderado por Anelis Assumpção, filha de Itamar Assumpção, que leva a bandeira do pai em músicas que tem humor e crítica social. Da Suíça veio a cantora Laurence Revey mostrar as tradições de seu país com roupagem contemporânea de elementos eletrônicos. Na seara orgânica, o uruguaio Leo Masliah surpreendeu com um espetáculo de muito humor acompanhando-se ao piano, Guinga deu uma aula de sensibilidade e virtuosismo, os componentes do grupo Barbatuques de São Paulo mostraram todas as possibilidades musicais do corpo humano, o único ‘instrumento’ que tocam, quem gosta de rock se divertiu com o peso do grupo Norman Bates do Pará e com o La Sarita do Peru e o Xique Xique baratinho de Alagoas. A Praça Pedro Arcanjo no Pelourinho quase foi abaixo no último sábado com o show da Orquestra Spok de Frevo de Recife, que inova colocando solos jazzísticos no meio das músicas, mas não deixou ninguém parado. Como o tempo dos shows era de apenas 50 minutos e não havia negociação, eles desceram do palco e saíram tocando pela rua, transformando por meia hora o Pelourinho em Olinda, a cidade histórica vizinha a Recife onde brinca-se o carnaval com a mesma disposição dos baianos. Durante seis dias, Salvador deixou de ser a capital do axé para receber arte de qualidade que precisa ganhar mundo com a mesma força que a música industrializada destas bandas. Talento e qualidade há de sobra, como o Mercado Cultural mostrou. E olha que nem falei dos mestres da guitarrada do Pará, do Speak in Tones, do Abuela Coca... (© Globo News)
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