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Vanildo de Pombos corre atrás do sucesso

05-06-2008

O forrozeiro Vanildo de Pombos

   O forrozeiro Vanildo de Pombos estava em casa, preparando-se para dormir, quando foi despertado pelo produtor, que queria saber: "Vanildo, você está sentado?" Ele respondeu que estava deitado, quase dormindo. "Vanildo, você vai para Europa!". "Nessa noite, fui dormir com os olhos cheios d'água", diz o forrozeiro. Isso foi no início de 2002. Vanildo havia acabado de gravar o disco que tanto desejou, Caminhos do Forró, o segundo, mais bem acabado, preparado. "Chamei Genaro, convidei Genival Lacerda e Jorge de Altinho para participar", diz ele, sobre o CD que marca sua trajetória de luta, trabalho e amor a Deus.

  "Nessa sua maldade irás envelhecer, sem conseguir vencer minha simplicidade, quem fraqueja é covarde, a inveja é do cão, quem nasce para ser forte trás o dote na mão. Pode falar de mim que não estou nem aí", diz a letra da música Não Tô nem Aí. Com o disco na mão, Vanildo estava um pouco perdido, sem saber, então, que caminho seguir. Foi quando pintou o convite para a tour na Europa. Uma semana depois, Vanildo embarcava para Alemanha, em sua primeira viagem de avião, mais precisamente para Essen, onde participou da Womex, uma das maiores feiras de negócios da indústria fonográfica do mundo.

  Depois, fez show em Colônia, Amsterdã e Bruxelas. "Minha vida mudou", conta o artista, que pouco antes havia conquistado certa fama no seu próprio estado. Foi ele quem, a cada vitória do Brasil na Copa do Mundo, incluindo a grande final, apareceu no programa esportivo da TV Globo, entoando repentes temáticos sobre o evento.

  Voltando da Europa, a carreira do músico seguia como se tivesse tomado rumo próprio. Em dezembro de 2002, participou do Mercado Cultural (Salvador). Em julho, estava em Nova York. Na volta, Sesc Pompéia (SP). Em setembro, Portugal, junto com Zeca Baleiro. E o negócio tá andando, cada vez mais rápido.

(© Pernambuco.com)


Moraes Moreira e Vanildo de Pombos reabrem o Seis e Meia

Projeto resgata programação de shows no Parque

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   Moraes Moreira é o mais pernambucano dos baianos, é o que diz o marketing cultural, disseminado espontaneamente, e que de fato envolveu o compositor numa espécie de aura protetora, que o exclui da guerra fria que ainda envolve parte da comunidade artística pernambucana e baiana. Moreira devolve o carinho reverenciando a cultura local. Na parte final do show que apresenta logo mais, reinaugurando o Projeto Seis e Meia, em dobradinha com o forrozeiro Vanildo de Pombos, ele faz Evocação, Tapioca de Olinda, Pernambuco Meu, entre outras que reforçam sua relação com Pernambuco. O show é baseado nas músicas do último disco, Meu Nome É Brasil que, além das letras contundentes, tem foco no violão.

  É um show solo, apesar do disco contar com outros instrumentos, tem músicas inéditas, mas também várias releituras", antecipa Moraes. As regravações são de Januário, Gente Humilde, Trem das Onze e Aos Pés da Cruz. "O violão faz com que o show fique com esse lado mais intimista, costumo dizer que é o Carnaval da alma", defende ele, que vem empolgando platéias pelas capitais do Nordeste. O fato de colocar o violão em primeiro lugar não significa que as letras ou a mensagem tenham menor importância. "Na verdade, acho que focar no violão fica mais pessoal, até as músicas de outros autores ficam parecendo minhas", diz Moraes, explicando sua opção meramente estética.

  Uma das canções que, para o compositor, deixa claro que suas letras também têm forte impacto dentro de sua obra é a recente Indagações de um Analfabeto. Como sugere o título, é uma bandeira levantada contra um dos maiores problemas da sociedade brasileira, que atinge cerca de 50 milhões de pessoas no país. "Então tem a música, mais a ligação social, as questões alinhavadas pelo violão", explica.

  Moraes Moreira tem 34 anos de carreira. Começou com os tropicalistas, gravando o primeiro disco com os Novos Baianos. O seu trabalho antológico veio depois, com Acabou Chorare, gravado no início dos anos 70. Ali destacava-se como compositor, cantor e instrumentista. Em 1975partiu então para uma carreira solo, embalado e empurrado pelo sucesso de Pombo Correio, que, à essa altura já embalava o Carnaval baiano, vivendo a novidade dos trios elétricos de Dodô e Osmar, que tinha como primeiro cantor, quem? Moraes Moreira.

  De lá até aqui foram 34 discos gravados, com quase 500 músicas. Foram muitas fases e um público fiel e crescente. Dos trios elétricos baianos, Moraes partiu cada vez mais para uma popularização do seu trabalho. Apesar da lista de sucessos que não poderiam ser listados aqui, ele não abre mão das inéditas, como as que estão no novo disco e que serão apresentadas no Recife. "Das 13 músicas do disco, canto oito, mas não podemos frustrar nosso público", diz.

Serviço
Projeto Seis e Meia, com Moraes Moreira e Vanildo de Pombos
Onde: Teatro do Parque (rua do Hospício, 81, Boa Vista. Fone 3423.6044)
Quando: Hoje e amanhã, às 18h30
Quanto: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia)

(© Pernambuco.com)

Projeto Seis e Meia está de volta ao Recife
Shows de Moraes Moreira e Vanildo de Pombos marcam o início da nova fase do projeto musical a preços populares

JOSÉ TELES

   O Projeto Seis e Meia recomeça hoje, no Teatro do Parque, com apresentações de Moraes Moreira e de Vanildo de Pombos. Inspirado no antigo Projeto Pixinguinha, os shows do projeto, como o nome indica, começam sempre às 18h30, com ingressos a preços populares.

   O cantor e compositor baiano Moraes Moreira foi uma escolha acertada para reiniciar o projeto. Ele participou tanto do Pixinguinha quanto da primeira edição do Seis e Meia e, na década de 90, passava longas temporadas no Recife. As raízes da sua música estão no frevo pernambucano e em Luiz Gonzaga, às quais incrementou com sotaque baiano (nasceu em Ituaçu, Sertão da Bahia).

   Com 34 anos de carreira, Moraes Moreira foi o principal vocalista do lendário grupo Os Novos Baianos. No final dos anos 70, partiu para carreira solo e foi um dos mais bem-sucedidos artistas da MPB nos anos 80 e um dos responsáveis pela explosão do Carnaval de Salvador.

   Embora atualmente não seja visto com muita freqüência na mídia, Moraes Moreira continuou fazendo shows, e gravando. Seu último disco, Meu Nome É Brasil, foi lançado há dois meses, pela MZA. Nele, o baiano reafirma sua fé no País, ilustrando-a com composições próprias e alguns clássicos como Respeita Januário (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), Aos pés da cruz (Zé da Zilda/Mariano Pinto) ou Gente humilde (Vinicius/Garoto, Chico Buarque).

   É um disco quase voz e violão, Moraes Moreira usou o instrumento como guia para os arranjos e a produção de Mazzola. A música de Moraes Moreira sempre teve como alvo os ritmos nordestinos – frevo, xote, baião – e o samba, com tempero baiano.

   No show de hoje, ele mostra quase todas as canções do CD novo, e mais os inevitáveis sucessos do início de carreira solo e da época de Os Novos Baianos. Uma canção é obrigatória, Preta pretinha, um clássico do antológico álbum Acabou Chorare (1972), considerado o melhor de Os Novos Baianos. Outra que canta do seu antigo grupo é Eu sou o caso deles, uma parceria com Galvão, regravada no último CD, com a participação do filho David Moraes. o frevo Pombo correio é outra obrigatória, foi a música que sedimentou a carreira solo de Moraes Moreira, e até hoje é cantada nos carnavais pelo País afora.

   PRATA DA CASA – Desde os anos 80 na estrada, Vanildo de Pombos só recentemente começou a aparecer fora de sua região, o Agreste. Vanildo Cavalcanti de Albuquerque é paranaense, mas criado em Chã de Cajazeira, um pé de serra localizado na cidade de Pombos, onde comandou um programa de rádio de grande audiência, O Forró do Gereba.

   O primeiro disco, Meu Horizonte, Vanildo gravou quando tentava a sorte no Sudeste. A partir daí foram mais três discos (o segundo somente lançado em 1996), mais de 300 composições. Descoberto pelo pessoal da África Produções, Vanildo de Pombos fez parte do Projeto Pernambuco em Concerto e passou a cantar para um público novo, o do manguebeat.

   Em um show na Rua da Moeda, Vanildo conta que sentiu que sua vez tinha realmente chegado: “Aquele show vai ficar na minha memória para sempre. Eu perguntava ao povo se queriam que eu fosse embora, e eles respondiam que não”, lembra o forrozeiro.

   Com o impulso dado pela África Produções, Vanildo de Pombos gravou, no ano passado, seu melhor CD, Caminhos do Forró. Caminhos que o levariam mais longe do que até então imaginara. Depois de lançar o CD no Pátio de São Pedro, Vanildo de Pombos carimbou o passaporte para fazer sua primeira viagem ao exterior. Aliás, também a primeira vez que viajou de avião. Na Alemanha, ele participou da Womex, um dos mais importantes encontro de produtores do mundo, tocou ainda na Holanda e na Bélgica e nos Estados Unidos. Ainda em 2002, participou do Mercado Cultural, em Salvador, que lhe rendeu mais um convite para o exterior.

   Em julho passado ele fez parte da comitiva de artistas pernambucanos que se apresentou no Lincoln Center, em Nova Iorque, com direito a uma gravação para um programa de TV no Central Park. E Vanildo de Pombos continuou célere pelos caminhos do forró. De volta dos Estados Unidos, fez show com dona Selma do Coco e Mestre Salustiano no Sesc Pompéia. Dois meses mais tarde cruzou novamente o oceano, para apresentações em Portugal.

   No show que faz hoje no Seis e Meia, serão mostradas cenas dessas viagens, e muito forró de pura raíz nordestina de Vanildo de Pombos.

Serviço
Projeto Seis e Meia, com Moraes Moreira e Vanildo de Pombos, no Teatro do Parque, 18:30h. Ingressos: R$15 (inteira), R$7,50 (meia).

(© Jornal do Commercio-PE)

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