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Cobra cearense

05-06-2008

O ator cearense Rafael Martins de Oliveira

   Um cearense aparece na lista dos classificados do Prêmio Funarte de Dramaturgia 2003. Rafael Martins de Oliveira participou com o O Auto da Cobra

   O ator cearense Rafael Martins de Oliveira, 22, fez as vezes de dramaturgo. E se saiu bem no papel. Em 2003, três de seus textos foram encenados - Caio e Leo, O Livro e Dèjá Vu. Um outro, O Auto da Cobra, foi classificado em segundo lugar na categoria Teatro para Infância e Juventude, região Nordeste, do Prêmio Funarte de Dramaturgia 2003.

   ''Esses concursos são importantes porque parecem certificar o teu trabalho. É como se agora me reconhecessem como autor teatral. Também é interessante pela visibilidade que dá ao texto. Pessoas de diferentes lugares terão acesso e podem se interessar em montar. Porque o sentido da dramaturgia é virar teatro'', explica o premiado.

   Rafael Martins receberá um incentivo em dinheiro e ainda verá sua obra publicada pela Funarte, distribuída em escolas, universidades, grupos teatrais, instituições culturais.

  Foram 30 contemplados em todo o Brasil. Mais de 900 se inscreveram. Os prêmios foram divididos por regiões (Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste). Em cada uma delas foram escolhidos três textos na categoria Adulto e outros três na categoria Teatro para Infância e Juventude. Os classificados de cada região devem receber R$ 8 mil, R$ 5 mil e R$ 3 mil respectivamente.

   Um único cearense foi contemplado. Rafael conta que sua formação começou no grupo Encena, com Nazaré Fontenele, em 1992. Nove anos depois, ele ingressou no Colégio de Direção Teatral. A primeira peça foi escrita nessa mesma época. Coisinha curta. Chamava-se Metade. ''Participei com ela do Festival de Esquetes do Carri Costa (no Teatro da Praia). Foi bem recebido. O ator Jailton Feitosa ganhou o prêmio de melhor ator e eu levei o de melhor texto'', conta.

   Foi quando os papéis começaram a se inverter. Em 2001, escreveu Eu e o Mar, um monólogo premiado pela Academia Cearense de Letras na categoria conto. Aliás, que se registre, sua grande influência é a literatura. A escrita introspectiva de Clarice Lispector, por exemplo. A dificuldade é então levar isso para o palco. Conseguir transformar essas questões em ação dramática. Mas conta com a ajuda preciosa do dramaturgo Marcus Barbosa, dos diretores Aldo Marcozzi e Yuri Yamamoto.

   Este último atua com o ator/dramaturgo no grupo Bagaceira. ''Um grande espaço para a experimentação'', como define. A companhia montou no último Festival de Esquetes o textos de Rafael - Dèjá Vu. Do Teatro da Praia, a peça foi parar nas ruas de Portugal, montado pelo grupo X-Actor. ''Fiquei sabendo que um grupo da Rússia e outro da França também estão interessados em montar. Não sei onde meus direitos autorais foram parar mas de todo jeito esse retorno é interessante'', acredita.

  Em Fortaleza, Dèjá Vu ficou em cartaz como parte do espetáculo 4 Anos D.C, do Bagaceira, ao lado de outras esquetes como ''Tatuagem'' e ''Estranhos''. No Rio de Janeiro, foi montado pelo cearense Thiago Arrais, que atualmente cursa mestrado na UFRJ.


   O texto Caio e Leo também ganhou montagem da Companhia de Teatro em Construção. ''Fui escrevendo enquanto estava no Colégio de Direção. Mostrei para o Aldo que se interessou em levar para o palco. Também trabalhei como ator ao lado de Eduardo Lopes. Durante a montagem fui fazendo os retoques finais. Uma das minha características é ir adaptando minha escrita ao trabalho do ator'', diz.

   Caio e Leo ficou em cartaz no Teatro Sesc Emiliano Queiroz, durante o segundo semestre deste ano. E volta a entrar em cartaz em janeiro de 2004, sempre à meia-noite de sexta-feira, no Teatro do Centro Dragão do Mar.

   E foi no meio de todo esse burburinho que chegou a notícia do concurso da Funarte. Rafael procurou na gaveta algum rascunho. Encontrou O Auto da Cobra. ''Foi uma das primeiras peças que escrevi mas tinha uma série de problemas. Resolvi reformular. E sem nenhuma pretensão enviei para o prêmio'', lembra.

   Trata-se de um típico auto nordestino que conta a história de uma família pobre do interior. Uma viúva arranja novo marido que está de olho na atrevida enteada. O texto brinca com palavras e costumes cearenses. ''É diferente de tudo o que já escrevi. Não é nada parecido com o meu lado mais introspectivo'', diz Rafael.

   O Auto da Cobra deve ser montado no início do próximo ano pelo grupo Mirante, da Unifor. O elenco já está com o texto e deve começar a ensaiar em breve.

   Outros textos de Rafael estão na boca de cena. A esquete ''O Livro'', apresentada no Festival de Esquetes do Teatro da Praia em julho último, foi ampliada pelo autor e deverá voltar ao palco com a Companhia do Teatro em Construção. Enquanto isso, o grupo Bagaceira ensaia Lesados, a ser dirigido po
r Yuri Yamamoto, e Clara e seu Lugar Escuro, a ser dirigida pelo próprio autor.

(© NoOlhar.com.br)

 

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