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Baque Solto - Independente, sim. Alternativo, não

05-06-2008

 

Formatado a partir de experiências bem sucedidas de festivais europeus, o mercado de salvador é um grande encontro mundial de produtores e artistas. e traz para nós o know how de quem já trabalha há muito tempo com música e que não faz parte do top hits

Lula Queiroga
lula@lulaqueiroga.com.br

   Aconteceu, durante a semana passada, a quinta edição do Mercado Cultural de Salvador. Um evento que a cada ano vem consolidando sua força como difusor da produção artística alternativa do Brasil nesses últimos anos (e de diversos outros países como Cuba, Peru, Suécia, EUA, Venezuela, Suíça, Alemanha, México, Argentina, Uruguai, França, Bolívia e Senegal). Foi uma semana inteira de debates, palestras, exposições, espetáculos, shows em teatros e a céu aberto e muita, muita informação. Eu usei a palavra alternativa aí de cima, (que seria a palavra certa), mas na verdade é uma maldade rotular desse jeito uma mostra de tamanha envergadura. Até porque se trata de uma palavra desgastada e vulgarizada pelo uso indiscriminado que se faz dela.

   Chama-se de alternativo qualquer coisa que não pertença ao mercado oficial. Mas aí é que tá. Em meio a profusão de acontecimentos eu pude ver que a coisa está muito além. Principalmente na modalidade que me toca, a música.

   Formatado a partir de experiências bem sucedidas defestivais da Europa, o Mercado de Salvador é um grande encontro mundial de produtores e artistas. E traz pra nós o know how de quem já trabalha a muito tempo com música que não toca na rádio convencional nem faz parte do top hits, do paradão de sucessos. De quem atua na contramão da padronização cultural (que os veículos da grande mídia sempre nos empurraram goela abaixo).

   Esse conhecimento é muito bem vindo aqui, exatamente nesse momento em que a indústria do disco vai mal das pernas, no Brasil. Enquanto as gravadoras dormiam, o mercado independente floresceu, ganhou fôlego com a internet, caiu na rede e hoje se vê o que eu vi em Salvador. Profissionalismo, criatividade e credibilidade.

   E o mais importante: além de formar produtores e artistas, esse tipo de iniciativa traz à tona um público próprio. Que lotou quase todos os eventos e circulou pelo Espaço Fala (a feira de stands do festival). Essa galerinha (a maioria jovem) não deixa de ir a um show porque não conhece a banda, ou não ouviu no rádio, naTV. Ao contrário, ela vai exatamente pra conhecer. Ela quer a novidade. Ela está na rede. Trocando figurinhas em tempo real, estabelecendo contatos, abrindo novos links. É sério. E irreversível.

   E Pernambuco era moeda forte em meio à festa. Da tradição do maracatu Nação Porto Rico à competente Orquestra de frevo de Spock. Show do Comadre Fulozinha, nos arredores do Pelourinho. Siba e Fuloresta do Samba na sala principal do Teatro Castro Alves. Silvério Pessoa quebrando tudo na Concha Acústica do mesmo teatro, que aliás, encerrou as atividades exatamente com show de Lenine.

   Nós também tocamos lá. E saímos de Salvador, segunda de manhã, com a sensação de ter vislumbrado um horizonte mais amplo, uma nova ordem de coisas. Mais de 30 CDs novos na bagagem, material de divulgação de tudo que é canto, pessoas que eu nunca ouvi falar e que hoje estão tocando no meu ouvido. O V Mercado Cultural é um exemplo do que se pode criar em outras cidades do país. Porque não em Recife ? Afinal, somos independentes.

   Passadisco Que legal, mais uma loja de discos na galeria-shopping Sítio da Trindade, na Estrada do Encanamento. É a Passadisco, de Fábio Cabral. Fábio é um apaixonado colecionador de raridades e louco pela música pernambucana. A loja inaugurou há algumas semanas mas já tem um acervo bem diverso de artistas de todo o Brasil. Valeu, Cabral. Sucesso.

   Moraes e Vanildo no Seis e Meia Hoje tem Projeto Seis e Meia no Teatro do Parque. O mestre Moraes Moreira, ex-Novo Baiano e autor de músicas que o Brasil inteiro canta de cor, vai estar apresentando novos e antigos sucessos pra moçada. O show de abertura fica por conta de Vanildo de Pombos que é uma figuraça e fez o maior sucesso em Nova Iorque, tocando no Lincoln Center Festival, meses atrás.

   Sopa em Salvador Roger e a turma do Som da Sopa viajaram pra Bahia e filmaram os principais espetáculos do V Mercado Cultural de Salvador. Foi uma maratona de entrevistas e shows que registrou mais de dez horas em vídeo digital e vai começar a rolar já no programa de domingo, na TV Universitária, as 11 da manhã. A rapaziada viajou conectada ao site girocultural.pe.gov.br que manteve um stand pernambucano durante todo o festival.

(© Pernambuco.com)

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