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05-06-2008
Pernambucana empresta versos para coleção da editora Landy (SP) Augusto Pinheiro "Como pessoa, sou totalmente passional, personagem de novela mexicana. Mas, na minha poesia, prefiro ser mais racional e sair de mim", é assim que Micheliny Verunschk, revelação da poesia pernambucana, define sua escrita. Natural de Recife, mas criada em Arcoverde, no Sertão, a poeta Micheliny Verunschk lançou no final de novembro, em São Paulo, Geografia Íntima do Deserto. O livro faz parte da coleção Alguidar, da editora Landy, que publica escritores brasileiros e portugueses contemporâneos. Não deixar as emoções aflorarem no texto, para ela, é uma questão de disciplina. "Tem que se aprender a disciplinar as emoções e canalizar para o ofício de escrever." Mesmo assim ela assume que, inevitavelmente, "há uma emoção pertinente à poesia". "Mas o que rege, o ponto de equilíbrio é a razão." Desde que surgiu com seus dois livros (o outro é O Observador e o Nada, da editora Bagaço), lançados no mesmo período, Micheliny tem sido constantemente comparada com José Cabral de Melo Neto. "Ele foi e é a maior influência literária da minha vida, mas nunca procurei imitar seu modo de fazer poesia. O que temos em comum é a busca pelo vigor, por uma arquitetura de poesia mais seca", diz. O deserto do título do livro pode se encaixar aí, mas Micheliny não gosta de analogias fáceis. "Acho o deserto paradoxalmente fértil. Cristo passou 40 dias no deserto. Tem algo de purificação da alma, é um lugar para a criatividade aflorar", diz. "Tem a ver com a busca da secura que esconde sementes por trás." Os temas dos poemas do livro são diversos, de uma tourada espanhola a instrumentos musicais, passando por desilusão amorosa e gatos, seus animais preferidos. "Acho que o gato é o único animal que pode oferecer amor maduro ao ser humano. O gato lhe ama sem precisar estar em cima de você", opina a poeta, que atualmente não tem nenhum bichano. "Só quando tiver tempo para cultivar a amizade." O livro traz trechos do poema Quadro, do romeno Marin Sorescu, dividindo a publicação em três partes. "Fala de reconhecimento e estranhamentodiante de uma obra de arte, e é assim que me sinto às vezes diante da minha produção." Micheliny, que é professora de história em Arcoverde, começou a escrever aos 10 anos. Em 2001, publicou três contos na revista L'Ordinaire Latino American, publicação da Universidade de Toulouse-le-Miralil e, em 2002, participou da antologia Na Virada do Século (Editora Landy). Serviço Geografia Íntima do Deserto Editora Landy Quanto: R$: 25,00 (© Pernambuco.com)
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