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Marco Maciel é eleito para a ABL

05-06-2008

 Otávio Magalhães/AE

 Nélida Piñon (E) e Carlos Heitor Cony (D) observam o novo imortal Marco Maciel, que recebe os cumprimentos de Arnaldo Niskier

   Rio de Janeiro - Durou meia hora e um só escrutínio a eleição do senador Marco Maciel (PFL-PE) para a cadeira nº 39 da Academia Brasileira de Letras, cujo último ocupante havia sido o jornalista Roberto Marinho. Ele teve 28 votos e seu principal oponente, o jornalista Fernando Morais, nove, resultado que surpreendeu os dois. Os outros 11 candidatos não foram votados. "Foi acima do que eu esperava", disse Maciel.

   Fernando Morais não escondeu a decepção com os nove votos recebidos. Ele não contava com a vitória, mas esperava que houvesse, no mínimo, dois dos quatro escrutínios permitidos no regulamento da ABL. Por isso, não pretende se candidatar outra vez. "Nove votos é muito pouco. É uma declaração de que a Academia não me quer e não se entra à força na casa de ninguém", comentou ele ao saber do resultado no hotel Copacabana Palace, onde esperava o resultado da eleição na companhia de amigos cariocas.

   Imbatível desde quando concorria ao Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Maciel cumpriu o ritual de visitas aos imortais. Segundo sua mulher, Anna Maria, que aguardou o resultado junto com ele, essa é a eleição mais tranqüila da carreira política de Maciel. "Não dá para comparar, as outras são muito mais tensas", disse ela. Ainda assim, ele mostrou ser uma raposa política ao conquistar o escritor Ariano Suassuna, que tem posições políticas opostas às suas. "Ele foi um dos primeiros a me dar o voto", contou o senador. "O Pernambuco está representado, com o Ariano, paraibano que vive lá, Marcos Villaça e Evanildo Bechara."

   O senador pretende fazer a ponte entre o Congresso e a Casa de Machado de Assis, especialmente na campanha para ampliar o ensino da língua portuguesa e da literatura no ensino médio e fundamental. "Sou totalmente solidário a esta proposta pois, como dizia Santo Tomás de Aquino, o homem é plenamente humano graças a sua cultura", argumentou. "Mas é bom lembrar que a Academia já está no Congresso. Seu presidente, José Sarney (MPDB-AP), já faz parte desta Casa."

   Maciel estava desde o início da semana no Hotel Glória, onde recebeu amigos, acadêmicos e candidatos a imortais, como o jornalista Márcio Moreira Alves e a arqueóloga Maria Beltrão. Ambos concorrem, em 4 de março do ano que vem, à vaga que foi do professor Marcos Almir Madeira, numa disputa difícil, pois tem ainda Domício Proença Filho e Antônio Secchin no páreo. O escritor gaúcho Moacir Scliar, que votava pela primeira vez, declarava sua preferência. "Acho que entrei para a academia para votar no Marco Maciel", dizia ele. (Beatriz Coelho Silva)

(© estadao.com.br)


Marco Maciel substitui Roberto Marinho na Academia Brasileira de Letras

   SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ex-vice-presidente da República e atual senador Marco Maciel é o novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele foi eleito nesta quinta-feira e irá ocupar a cadeira número 39, que pertenceu ao empresário e jornalista Roberto Marinho.

   Maciel, de 63 anos, disputou a vaga com o jornalista e escritor Fernando Morais, além de 11 outros concorrentes -- Laurita Mourão, Gilmar Aparecido Cardoso, João Batista do Espírito Santo, Nelson Valente, Andréa Borba, Heloneida Studart, Paulo Hirano, Waldemar Cláudio dos Santos, Fernão Avelino, Elma Queiroz Bello e Blasco Peres Rego.

   A eleição, que durou cerca de 50 minutos, rendeu 28 votos a Maciel e 9 a Fernando Morais. Para ser eleito, o novo acadêmico precisava de apenas 19 votos.

   O senador pernambucano do PFL, vice do governo de Fernando Henrique Cardoso, começou sua vida pública em 1967, ao se eleger deputado estadual e, em seguida, deputado federal por Pernambuco.

   Ele governou o Estado entre 1978 a 1982, já foi senador por duas vezes, ministro da Educação, presidente da Câmara dos Deputados, presidente do Partido da Frente Liberal (PFL), entre outros cargos.

   Entre seus livros publicados, estão "Debates, Volume I" (1997), "Vocação e Compromisso" (1982), "Educação e Liberalismo" (1987), "Liberalismo e Justiça Social" (1987), "Idéias Liberais e Realidade Brasileira" (1984).

   Em entrevista à Reuters na terça-feira, o presidente da ABL, Alberto da Costa e Silva, comentou que "a Academia tem a tradição de eleger e ter em seu conjunto os chamados expoentes, que são pessoas significativas para a vida nacional, seja na política, economia ou cultura".

   á outras duas cadeiras vagas na ABL, que eram ocupadas por Rachel de Queiroz e Marcos Almir Madeira. As eleições serão realizadas na primeira e segunda quinta-feira de março, informou o presidente da casa, Alberto da Costa e Silva. (Por Fernanda Ezabella e Marta Hurtado)

(© UOL Diversões & Arte)

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