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05-06-2008
Cerimônia de entrega da Medalha da Ordem Cultural deu uma mostra da visão de cultura encampada pelo Governo Lula, ratificando a força do ministro Gil MARCELO PEREIRA BRASÍLIA – A entrega da medalha da Ordem do Mérito Cultural ao cantor, compositor e guitarrista Herbert Vianna foi o momento mais emocionante da cerimônia realizada ontem, no Palácio do Planalto, de entrega da insígnia a 40 representantes das mais diversas formas de manifestação artística. O público aplaudiu de pé a condecoração do músico, que sofreu um grave acidente no início de 2002 e neste ano voltou a se apresentar com a banda Paralamas do Sucesso, embora tenha ficado paraplégico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Cultura, Gilberto Gil, deixaram extravasar a emoção. A cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural começou com meia hora de atraso e foi marcada pela descontração. O ministro Gil, em seu discurso, enfatizou a diversidade cultural na escolha dos agraciados da cerimônia e disse que os homenageados representam o rosto que o Governo Lula quer pintar do povo brasileiro. De fato, havia desde representante do Coral dos Índios Guaranis do Rio Grande do Sul, vestidos a calça de moletom até os joelhos e com pintura indígena no rosto, ao maestro Gilberto Mendes, compositor de música erudita de vanguarda, de homenagens póstumas ao designer Aloísio Magalhães, à celebração dos humoristas do Casseta & Planeta, por sinal, muito comportados. A festa teve início com apresentação do Hino Nacional pelo Grupo Ponto de Partida e Meninos de Araçuaí, de Barbacena, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, que em seguida cantou Maria Solidária, de Milton Nascimento, talvez em homenagem ao vice-presidente José de Alencar, que inclusive chegou atrasado à cerimônia. Bem humorado, o presidente Lula agradeceu os presentes que recebeu, entre os quais um boné do projeto da Mangueira do Amanhã, que imediatamente colocou sobre a cabeça. Outra homenageada muito aplaudida foi Marília Pêra, que votou em Collor em 1989. Coube ao músico pernambucano Antônio Nóbrega falar em nome dos homenageados. Num número quase cômico involuntário, tomado pela emoção da cerimônia, ele começou a fazer um improviso de agradecimento, embora tenha escrito um texto na noite anterior. E cometeu a gafe de não se dirigir às autoridades presentes, o que fez no meio de sua fala. Nóbrega fez um discurso político, demonstrando seu entusiasmo com o Governo Lula e reforçando o caráter pluralista da condecoração da Ordem do Mérito Cultural este ano. Bem ao seu estilo, despediu-se interpretando com sua rabeca e em companhia do filho percussionista Gabriel um clássico do maestro Guerra Peixe: Mourão. Nóbrega convidou Gil para dançar com ele e os dois terminaram embolando-se pelo chão, simulando uma capoeira, fazendo a alegria da platéia. O presidente Lula encerrou a cerimônia com um discurso otimista, fazendo um breve balanço do seu primeiro ano de Governo e reforçando que a sua equipe trabalhou arduamente para alcançar a meta por ele estabelecida. Aproveitou a cerimônia para mandar mensagens cifradas aos seus críticos. Em outras palavras, deixou transparecer que se não fez mais foi porque a situação em que recebeu o País era de extrema dificuldade. Pelo carinho demonstrado na cerimônia pelo presidente Lula, Gilberto Gil continua ministro em 2004. Show dos congueiros da Serra encerrou a cerimônia. (© Jornal do Commercio-PE)
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