05-06-2008
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O fazedor da
manhã, gravura de Gilvan Samico |
Artistas reativam prensas para preservar
uma técnica celebrizada em ateliês e clubes nos anos 1950/1970
Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO
Qualquer
retrospectiva da arte brasileira vai necessariamente incluir a gravura
feita em Pernambuco. Além da riqueza estética, política e social, uma
característica marcante dessa produção está no trabalho em grupo. Por
ateliês coletivos e clubes de gravura passaram nomes como José Cláudio,
Gilvan Samico, João Câmara e Abelardo da Hora. Agora, em pleno século 20,
iniciativas isoladas estão retomando esse espírito de cooperação criativa,
como o espaço Ribeira Arte e Ofício e a Escola de Gravura de Olinda,
levados à frente por artistas plásticos que estão reativando antigos
equipamentos e prensas do Mercado da Ribeira.
Segundo o escultor e gravador Ypiranga Filho, envolvido nos dois
projetos, esses artistas estão trabalhando com máquinas mais recentes,
como uma prensa elétrica, e também com raridades, como um equipamento do
século 18, "igual ao que Gutemberg usou para imprimir a Bíblia". Há ainda
uma prensa pertencente a Francisco Brennand, que está na Ribeira há 30
anos e foi usada pela Oficina Guaianases, e mais
duas que pertenceram ao gravador paulista Lívio Abramo, um dos maiores do
Brasil, trazidas a Pernambuco por Francisco Baccaro, que as comprou em São
Paulo.
A Escola de Gravura de Olinda - EGO - foi fundada em setembro de 2002
pela Prefeitura de Olinda. Funcionando no próprio Mercado da Ribeira, ela
recebe alunos de escolas públicas municipais e também está aberta para
qualquer um que quiser se tornar um aprendiz. "Os que podem pagar cobrem
as despesas, as aulas e os materiais dos que não podem", observa Ypiranga,
que é o professor oficial da Escola e ensina técnicas de gravura em metal
(iluminogravura), madeira (xilogravura), pedra (litogravura), serigrafia e
linóleo.
Foram alunos e colaboradores da EGO que se reuniram pra formar o Ribeira
Arte e Ofício, espaço localizado em frente ao mercado que reúne as funções
de galeria e ateliê. Além da produção de gravuras de vários tipos, o local
também envolve atividades técnicas em torno dessa prática, como a
carpintaria, a produção de papel artesanal e a restauração. Participam do
projeto os artistas Ro Siqueira, Adalgiso Lubambo, Ruy da Veiga Pessoa,
Vyca e Lourenço Ypiranga Neto, filho do mestre, que por sua vez é o sexto
participante. "Estamos querendo diversificar e passar a exibir mais outras
coisas, como cerâmica, escultura e pintura. Minha formação é de pintura e
essa é minha especialidade, mas a gravura sempre vai permear nosso
trabalho porque ela está na origem do processo", explica Vyca, lembrando
que a galeria está aberta para exposições de outros artistas.
Para Ypiranga, o pai, o grupo pode não usar a denúncia em suas obras ou
não estar engajado politicamente, motivos que ajudaram a celebrizar os
clubes de gravura das décadas de 1970 e 1950, mas existe um outro
significado social no trabalho. "Em primeiro lugar, o próprio esforço pela
sobrevivência da gravura já é uma atitude social em si. Movimentos como a
Guaianases reuniam muito mais artistas porque, na época, realmente
existiam muito mais gravadores". Além da preservação da técnica e da
ênfaseem sua importância, é preponderante a preocupação em dar aulas e
levar a gravura para os que não têm acesso à arte. "A socialização da
gravura é a nossa maior meta."
(©
Pernambuco.com)
Saiba mais sobre o escultor e gravador Ypiranga
Filho
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