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Cordel ilumina noite de Natal

05-06-2008

O Cordel do Fogo Encantado

Um grande público foi comemorar a data assistindo a um dos shows mais aclamados de 2003

JOSÉ TELES

   A grande presença de público no show do Cordel do Fogo Encantado, no Paço da Alfândega, no Recife Antigo, promovido pela Prefeitura do Recife, e na festa O Natal de Manuela Rosário, no Catamaran, no Cais das Cinco Pontas, deixou mais que provado que musicalmente, o Recife, é auto-suficiente. Não há necessidade de importar medalhões do Sudeste para animar a festa.

   A avenida aberta em frente ao Paço da Alfândega ficou superlotada, com grande movimento de pessoas nas ruas paralelas, e engarrafamentos, com os motoristas sujeitos à praga dos flanelinhas, que extorquem cinco reais adiantados para “cuidar” dos carros. Além, é claro, dos comerciantes de cerveja, retetéu e caipifrutas diversas e petiscos vários.

   O Velho Mangaba (Walmir Chagas) e Suas Pastoras Endiabradas abriram a noitada no Cais da Alfândega, um show curto, mas que serviu para esquentar a platéia para o som de Lirinha, Clayton & cia, que demorou a adentrar o palco, pelo atraso de um dos componentes. Era mais de uma hora da madrugada quando o Cordel do Fogo Encantado começou a apresentação. A banda vem de uma intensa agenda de shows e acabara de chegar de Vitória da Conquista, Sertão baiano.

   O grupo ampliou campo de ação, agora além das capitais, está com público certo e sabido no interior paulistano e mineiro. Nessas viagens, Lirinha adianta que o grupo está retocando o repertório do terceiro disco (ainda sem previsão de lançamento). “Deve ser novamente conceitual, mais na linha do primeiro, com um pouco da percussão pesada do segundo”, disse o vocalista e compositor. A banda apresentou músicas dos dois CDs, embora o show fosse mais calcado em cima do segundo, o aclamado O Palhaço do Circo Sem Futuro. No bis, o público foi brindado com a inédita Morte e Vida Stanley, inspirada em Morte e Vida Severina, de João Cabral e Melo Neto.

(© Jornal do Commercio-PE)


Mangueboys em clima de brodagem

O Catamaran foi palco de uma festa de confraternização de mangueboys e manguegirls. Lembrava os primórdios do movimento, com todos cantando em coro os hits

   A poucas centenas de metros dali, enquanto isso, no Catamaran, o DJ Renato L discotecava uma variedade de estilos dançáveis, do raggamuffin ao balanço caribenho, entretendo o público que lotou o local e esperava a Mundo Livre S/A, que queria celebrar os dez anos do mangue beat. Há uma década, a noite de Natal era dominada por bandas de axé music e há cinco anos só havia espaço para pagodeiros e bandas covers de pop rock.

   A produção do Natal de Manuela Rosário segurou a banda até o final do show do Cordel do Fogo Encantado, no Paço Alfândega. Assim, quando a Mundo Livre S/A surgiu no palco já passava das três da matina. Como Zero Quatro havia antecipado, a MLSA atacou com o que ele ironicamente chamou de “megahits”. Estavam todos no set list, Batedores, Destruindo a camada de ozônio, Girando em torno do Sol, Musa da Ilha Grande, Homero o Junkie...

   O grande achado da noite foi o local, que Zero Quatro achou que pode virar o “point” do verão da manguetown. Espaçoso, ventilado, e com uma bela paisagem, o Catamaran poderia ser mais aproveitado para shows (Na passagem de ano novo, a Companhia de Eventos vai realizar no local o Réveillon O Amor É Filme, inspirado no sucesso do filme Lisbela e o Prisoneiro).

   Foi realmente a festa de confraternização de mangueboys e manguegirls. Lembrava os primórdios do movimento, muita testemunha ocular da história do mangue beat cantou em coro megahits da Mundo Livre S/A, turbinada com a guitarra de Fábio Trummer, da Eddie, e Jorge du Peixe, da Nação Zumbi. Brodagem geral que terminou até o pessoal pegar o sol com a mão.

(© Jornal do Commercio-PE)

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