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A música brasileira moderna

05-06-2008

 
José Maurício Machline

   É impressionante perceber o que vem acontecendo repetidamente com a maioria dos artistas (compositores e cantores) no nosso país. É um desespero aloprado pela conquista e pela sedução de um público que eles acham ser formador de opinião. São capazes de qualquer atrocidade da sua verdade para estarem juntos da juventude e da modernidade, em detrimento inclusive da qualidade e da originalidade de sua obra.

   São capazes de esquecer suas origens e inspirações verdadeiras para tentarem uma sonoridade e um discurso próximo ao que eles acreditam estar de acordo com a nova onda do mundo jovem. Morrem de medo de parecer antigos nas idéias e de não agradar aos chamados conhecedores da ''onda''.

   O pior é que isto vem acontecendo inclusive com os artistas mais tradicionais de nosso ''panteon''.

   Será que com isso eles conseguem enganar alguém? Será que com esta forma de se comportar eles conseguem entrar na ''onda da atualidade''?

   Será que eles imaginam que o público ''moderno'' é bobo, que não sabe distinguir a verdade da enganação oportunista?

   Eu venho procurando algo que eu tenha oportunidade de sentir ser atual e verdadeiro, sem ser previamente estudado, que demonstre uma realidade de música, de poesia e de sonoridade atual, algo que não venha com um rótulo pré-concebido, que venha da alma, algo que seja moderno de verdade, no coração, na forma e na execução, sem esquecer de ser brasileiro.

   Que sorte, eu encontrei, de fato, uma real representação daquilo que eu vinha buscando.

   Este artista arretado chama-se LENINE, brasileiro, pernambucano, cantor, compositor, músico e arranjador.

   Apareceu inicialmente no começo da década de 80, mas só em 93 Lenine se solidificou através de um disco antológico lançado com Marcos Suzano, chamado Olho de peixe, que abriu aos dois as portas dos palcos mais importantes do mundo.

   Teve várias de suas músicas interpretadas por todas as correntes da MPB.

   Com apenas cinco discos, Lenine conseguiu estar presente nos microfones mais importantes de vários países e principalmente do Brasil.

   Fez a trilha musical do filme Caramuru - A invasão do Brasil e foi convidado por João e Adriana Falcão, Edu Lobo e Chico Buarque para fazer os arranjos do musical Cambaio, para dar ao espetáculo uma sonoridade próxima ao universo das ruas.

   Ouvindo seus discos e seus shows, se constata com facilidade um toque de violão incrível, forte, atuante e de um virtuosismo digno dos grandes violonistas da atualidade. É um cantor singular, sem referências, dono de uma voz exemplar, capaz de proezas vocais dignas do casamento hipotético dos grandes jazzistas com os cantores das feiras nordestinas, nascendo dali um timbre que agrada até ouvido de surdo.

   Ele domina a linguagem pop contemporânea, sem usar nenhum tipo de fórmula, com uma autenticidade brutal. Traz no seu som uma mistura da cultura de raiz nordestina, mostrando toda a nossa variedade étnica, acasalada sabiamente com a sonoridade eletrônica e com a pureza da instrumentação acústica. Faz isso de uma maneira verdadeira e natural, mostrando que podemos comer os melhores temperos, formando um molho praticamente essencial para enriquecer nossa comida trivial, como os bons ''chefes'' da cozinha moderna internacional.

   Experimentou várias parcerias, tendo como as mais constantes figuras como Dudu Falcão, Bráulio Tavares e Lula Queiroga. Teve experiências riquíssimas com Paulinho Moska, Arnaldo Antunes e Paulo C. Pinheiro.

   Pelas suas canções, podemos trazer para nossa alma todos os tipos de sentimento, desde o mais puro amor, até o contato mais árido com a realidade, passando pela vontade incontrolável de dançar, até o momento mais solitário da reflexão.

   Lenine tem três filhos e é casado com uma mulher maravilhosa, a Ana Barroso, que esteve presente praticamente em todas as fases importantes de sua vida, demonstrando ser uma companheira de fazer inveja aos anais da cumplicidade.

   Tudo isso trouxe para este talentoso homem, que hoje tem admiradores de todas as espécies espalhados pelo mundo, a essência real , que é atuar mesmo que o resultado seja demorado, pela verdade de sentimentos e de idéias, acreditando mais do que tudo na capacidade de luta por uma causa, respeitando e amando o seu país, sua gente, sua crença, sua casa e, mais do que tudo, a sua verdade.

(© JB Online)

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