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05-06-2008
Escritores lançam manifesto acusando as grandes redes de livrarias de não dar a devida atenção às obras editadas em Pernambuco SCHNEIDER CARPEGGIANI Uma das queixas mais freqüentes dos autores pernambucanos é de que as livrarias locais dedicam pouco espaço à produção da terra. O tema voltou ao debate neste fim de ano a partir de um manifesto, assinado em conjunto pelos escritores Jacques Ribemboim, Vital Corrêa de Araújo, Olímpio Bonald, Carlos Bezerra Cavalcanti, Humberto França e Lourdes Sarmento. No texto, os autores reclamam que as grandes redes de livrarias não abrem espaço ou dificultam a penetração dos livros pernambucanos nas suas prateleiras. “Livrarias que têm matrizes situadas no eixo Rio-São Paulo, com raras exceções, alegam estar proibidas de adquirir, mesmo em consignação, livros editados no Estado, ainda que sejam de comprovado êxito comercial. Suas vendas concentram-se quase exclusivamente em autores do Sul-Sudeste. Exigimos respeito e reciprocidade”, acusa uma parte do manifesto, que vem acompanhado de uma lista com 14 propostas de ações para mudança do quadro exposto (veja lista abaixo). Para Olímpio Bonald, membro da Academia Pernambucana de Letras (APL), mais do que uma questão econômica, o manifesto aponta uma reivindicação de igualdade entre os escritores de fora e os pernambucanos. “As livrarias locais nos dão apoio, como a Pernambooks e a Arraial, mas as do shopping, que têm bastante visibilidade, dificultam o nosso acesso”, apontou. Apesar do manifesto não dar nomes aos bois, em entrevistas colhidas com os autores que assinam a carta foram citadas as casas Sodiler, Siciliano e o Hiper Bompreço. No caso da Sodiler, Epitácio Medeiros, que responde pelas filiais da rede no Recife, apontou que, de fato, está suspensa a compra de livros de editoras locais pelas lojas. “Estamos aguardando uma resolução desse problema por parte da matriz. Mas, por enquanto, não estamos comprando nada”, ressaltou. Questionado sobre o porquê da suspensão, Medeiros apenas disse que era “assunto interno da loja”. Já a gerência da Siciliano afirmou que não tem problema em aceitar os livros das editoras locais. Mas que todos os exemplares enviados à livraria são encaminhados, primeiramente, à matriz da Siciliano (em SP), examinados, e em seguida, é decidido se determinado título será ou não vendido. Outra reclamação em relação à Siciliano está no valor cobrado pelas obras que lhe são enviadas em consignação – 50% do preço bruto de cada volume. A escritora Luzilá Gonçalves Ferreira, que coordena a editora Nossa Presença, acha o preço abusivo. “Em geral, as livrarias locais cobram 30%. Não me interessa colocar um livro em uma livraria e ela cobrar 50% em consignação”, ressaltou. Raimundo Almeida, diretor de relações institucionais do Grupo Bompreço, declarou que a empresa não tem nenhuma postura contra as editoras ou autores locais. O problema está em livros que são entregues à loja em consignação, porque, diversas vezes, de acordo com Almeida, o autor que fez o livro com recursos próprios não tem como repassar uma nota fiscal. Raimundo Carrero, que tem obras publicadas por editoras locais e nacionais, ressalta que, no seu caso, não importa a editora – seus livros sempre estão em falta. “É um mistério isso. Por exemplo, o Sombra Severa está na lista do vestibular e foi publicado pela Iluminuras e nem assim chega às livrarias”, revela. Carrero completa: “Não sei qual o problema contra o autor local. Se for uma questão de espaço na mídia, isso é uma coisa que eu tenho. O que pode melhorar nesse quadro é que a Livraria Pernambooks fez um convênio com a APL para distribuir títulos de pernambucanos em todo o Nordeste”. (© Jornal do Commercio-PE)
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