05-06-2008
 |
|
O
poeta Marcus Accioly |
Acervo de Marcantonio
Vilaça está em exposição no Instituto Bandepe
O galerista pernambucano Marcantonio Vilaça, falecido
em janeiro de 2000, é lembrado por sua incansável luta em divulgar o nome e
a obra dos artistas com quem trabalhava, no mercado das artes no Brasil e no
exterior.
Radicado em
São Paulo, onde dirigiu por vários anos a galeria Camargo Vilaça,
Marcantonio foi capaz de inserir a arte contemporânea brasileira no circuito
de museus, espaços expositivos e feiras internacionais, tendo acumulado,
entre as décadas de 1980 e 1990, cerca de 300 obras em sua coleção
particular.
A paixão pelas artes floresceu em Marcantonio desde cedo. Aos 14 anos, ele
adquiriu a primeira peça de sua coleção, uma gravura de Gilvan Samico.
Depois, incentivado pelos pais, Maria do Carmo e Marcos Vinicios Vilaça, o
marchand passou a guardar fotografias, desenhos, esculturas, pinturas,
instalações e outras manifestações artísticas de talentos nacionais e
estrangeiros.
A coleção reúne obras de Cildo Meireles, Rosângela Rennó, Amílcar de
Castro, Ernesto Neto e tantos outros. Parte das peças está na exposição
Vestígio, com curadoria de Moacir dos Anjos, em cartaz no Instituto Cultural
Bandepe, no Bairro do Recife, até março do próximo ano, na galeria que leva
o nome do colecionador. Posteriormente, a galeria irá funcionar na Fábrica
Tacaruna.
O galerista
também foi homenageado com a poesia Sinos para Marcantonio, de Marcus
Accioly, cujo texto é reproduzido a seguir.
Poesia
Sinos para Marcantonio
De Marcus Accioly
Os sinos não param nunca-
jamais param de tocar
(marcantonio-marcantonio)
tangem (tristes) devagar
dentro e fora do silêncio
que se torna a voz do mar
(marcantonio-marcantonio)
água entre espuma (escoar
de búzios) ecos nas conchas
surdas de tanto escutar
(marcantonio-marcantonio)
os sinos tentam contar
à morte (através da vida)
que o som do pó vai ficar
(marcantonio-marcantonio)
os sinos querem falar
à vida (através da morte)
que é cada estrela um lugar
e o céu (sobre a terra) um sino
(que a Mão de Deus faz pulsar)
até quando (John Donne)
até quando vão dobrar?
(e por quem dobram os sinos
que parecem nos chamar?)
dobram por mim e por ti
e (por ele) vão vazar
nossos tímpanos de dores
com uma canção de ninar
quem não se acorda do sonho
nem vai do sono acordar?
(ai de nós) o bronze pesa
e o metal voa ao soprar
sua elegia (uma pena)
mais leve que a luz e o ar
(marcantonio-marcantonio)
os sinos não vão finar
"nunca mais" e para sempre
(dia e noite) irão soar
(pois morremos cada morte
por quem em nosso lugar)
Olinda, 19 de agosto de 2000
(©
Pernambuco.com)
|