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05-06-2008
JOSÉ TELES Maior revelação dos últimos dez anos da chamada poesia matuta, impagável contador de causos, o paraibano (de Campina Grande), Jessier Quirino lança os CD Paisagem de Interior I e II, a ser comercializados encartados na revista do mesmo nome (um CD para cada revista, publicadas pela Edições Bagaço). O lançamento contou com a presença de artistas que fizeram participações especiais nos CDs, Maciel Melo, Santanna o Cantador, entre outros. A grande maioria dos poemas, canções e causos do repertório dos CDs (14 faixas no primeiro, 13 no segundo) era conhecida apenas dos livros de Quirino (Agruras da Lata d’Água, e Paisagem do Interior, também da Edições Bagaço), e das concorridas apresentações do paraibano. Espécie de subgênero da cantoria de viola, a poesia matuta é freqüentemente criticada pelo exagero ao entortar a prosódia. No entanto, desde que o paulistano Cornélio Pires, no início do século passado, começou a vender 78rpms de música sertaneja, e causos matutos, ela encontrou um público fiel, que fez de alguns nomes como o cearense Patativa do Assaré, e o paraibano Zé da Luz ídolos (como, aliás, foi o próprio Cornélio Pires). Jessier Quirino renovou o gênero, revestindo-o de uma apresentação menos tosca, e sem apelar para versejar em adaptações de surradas anedotas de almanaques. Além de imprimir aos seus causos um toque de comicidade, como não se via desde o falecido Coroné Ludugero (Luiz Jacinto). Hoje uma lenda do humor e da música nordestina. Nesses dois CDs todo o repertório é assinado por Quirino, com trechos incidentais de composições de vários compositores, indo da Banda Cabaçal Dois Irmãos até Vivaldi. Ao contrário dos declamadores atuais, que lançam discos de tratamento e apresetnações espartanos, os dois Paisagem de Interior foram gravados no estúdio Via Som, com efeitos especiais, e participações de músicos renomados, Vital Farias, Santanna, Maciel Melo, Edmilson do Pífano, Genaro, entre outros. Os assuntos vão do prosaico, como a Suíte das Feiras do Interior (em três movimentos), a hilários causos de matutos, caprichando no entrochamento da última flor do Lácio, com uma farta dose de versos fesceninos, a exemplo de Matuto doente das partes, e o humor puro e simples, como em Matuto no cinema. Versos feitos mais para se escutar do que se ler, os dois CDs conseguem traduzir bem melhor o trabalho de Jessier Quirino do que os livros nos quais foram originalmente publicados. (© JB Online) RASGA RABO BAGUNÇADOR DE BAGUNÇA Trupizupi olha tu não me assusta com a fama da tua valentia porque essa macheza é freguesia até nem me parece tão robusta uma boa palmada não me custa pois no fundo eu te acho delicado se tu és um valente escolado eu te quebrei no cacete tua escola o teu mestre saiu de padiola e teu supervisor invertebrado.
No jardim de infância fui valente e o nome da escola era bufete e o primário estudei no canivete o ginásio no bote de serpente como eu era um aluno inteligente logo cedo já tinha me formado Lampião tinha sido reprovado por froxura e por falta de frieza hoje, pós-graduado em malvadeza, vendo pena de morte no mercado.
Trupizupi prepara a tua cova é chegado o dia da decisão vai fazer tua última comunhão pois eu já preparei a tua prova de arame farpado vai ter sova vai lembrando do teu aprendizado pois eu já tou ficandol endiabrado só de raiva já dei um saculejo dei até beliscão em azulejo mas ainda não tou mal-humorado. (© JB Online)
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