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05-06-2008
Aos 80 anos, Lêdo Ivo ganha exposição sobre sua vida na ABL e celebra três livros lançados SIMONE GOLDBERG Lêdo Ivo, de 80 anos, é um poeta e
escritor consagrado pela crítica. É também dono de fina ironia e de grande
senso de humor. Em meio à entrevista, reclama por ser chamado ao telefone.
''Interromperam meu fluxo verbal'', e ri, às gargalhadas, antes de atender.
Se foram ouvidas por quem o esperava do outro lado da linha, não se sabe.
Lêdo Ivo vive um momento especial. Está deliciado com as homenagens que o
ajudam a superar a perda da mulher, Lêda, em março. A Academia Brasileira de
Letras abriu, no Rio, na quinta-feira 30, uma exposição sobre a vida e a
obra desse alagoano, membro da casa, que aos 14 anos publicou seu primeiro
poema. No mesmo dia, a Topbooks lançou Poesia Completa, um dos três
livros do autor publicados pela editora em 2004. Os outros foram
Confissões de um Poeta e Plenilúnio.
O verso longo, reconhece o poeta, é sua característica. ''Lêdo é mordaz e ferino. Concilia lirismo e sarcasmo, e seus excessos são contidos'', observa o presidente da ABL, Ivan Junqueira. Ivo mora em Botafogo, zona sul do Rio. Aposentado como jornalista, ocupa-se com leituras, música, familiares e as sessões da ABL. Aos sábados, vai para o sítio em Teresópolis, onde encontra amigos como Marina Buarque de Holanda, viúva de Aurélio. ''Ele conta boas histórias da vida literária brasileira. O problema do sítio é a cachorrada'', diverte-se Marina. Os 18 companheiros quadrúpedes do poeta vivem bem. ''Eu os sustento com o jetom da academia.'' Sua temática é marcada por recordações pessoais. ''Os poetas de 45 eram muito cerebrais, Ivo é lírico e espontâneo'', analisa o crítico Wilson Martins. Ivo conviveu com os maiores nomes da literatura, como Manuel Bandeira, Aurélio Buarque de Holanda e Graciliano Ramos, entre outros. ''Lembro de Graciliano na minha escola em Maceió. Ele passou a mão na minha cabeça. Foi o meu batismo literário.'' (© Revista ÉPOCA)
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