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Histórias de poeta

05-06-2008

Marcelo Corrêa/ÉPOCA

SEM HIPOCRISIA
Na era da sociedade da imagem, Lêdo Ivo está feliz com os afagos e vive seu momento de celebridade

Aos 80 anos, Lêdo Ivo ganha exposição sobre sua vida na ABL e celebra três livros lançados

SIMONE GOLDBERG

   Lêdo Ivo, de 80 anos, é um poeta e escritor consagrado pela crítica. É também dono de fina ironia e de grande senso de humor. Em meio à entrevista, reclama por ser chamado ao telefone. ''Interromperam meu fluxo verbal'', e ri, às gargalhadas, antes de atender. Se foram ouvidas por quem o esperava do outro lado da linha, não se sabe. Lêdo Ivo vive um momento especial. Está deliciado com as homenagens que o ajudam a superar a perda da mulher, Lêda, em março. A Academia Brasileira de Letras abriu, no Rio, na quinta-feira 30, uma exposição sobre a vida e a obra desse alagoano, membro da casa, que aos 14 anos publicou seu primeiro poema. No mesmo dia, a Topbooks lançou Poesia Completa, um dos três livros do autor publicados pela editora em 2004. Os outros foram Confissões de um Poeta e Plenilúnio.

   ''Hoje, o poeta é quase um clandestino. Quando cheguei ao Rio, em 1943, éramos os protagonistas da literatura'', diz Ivo. Não mais. A sociedade se tornou escrava da imagem. É preciso ser celebridade para ser reconhecido e vice-versa. ''É um círculo maluco. Não sou hipócrita. Estou muito feliz com essa atenção toda.'' Ivo foi considerado por João Cabral de Melo Neto o maior poeta da geração de 45. ''O Sérgio Buarque de Holanda dizia que essa geração tinha poetas de nome comprido e verso curto, como João Cabral de Melo Neto, Péricles Eugênio da Silva Ramos, e um de nome curto e versos longos, Lêdo Ivo, eu.''
 

OBRA TOTAL
Poemas de 23 livros reunidos num volume

   O verso longo, reconhece o poeta, é sua característica. ''Lêdo é mordaz e ferino. Concilia lirismo e sarcasmo, e seus excessos são contidos'', observa o presidente da ABL, Ivan Junqueira. Ivo mora em Botafogo, zona sul do Rio. Aposentado como jornalista, ocupa-se com leituras, música, familiares e as sessões da ABL. Aos sábados, vai para o sítio em Teresópolis, onde encontra amigos como Marina Buarque de Holanda, viúva de Aurélio. ''Ele conta boas histórias da vida literária brasileira. O problema do sítio é a cachorrada'', diverte-se Marina. Os 18 companheiros quadrúpedes do poeta vivem bem. ''Eu os sustento com o jetom da academia.''

   Sua temática é marcada por recordações pessoais. ''Os poetas de 45 eram muito cerebrais, Ivo é lírico e espontâneo'', analisa o crítico Wilson Martins. Ivo conviveu com os maiores nomes da literatura, como Manuel Bandeira, Aurélio Buarque de Holanda e Graciliano Ramos, entre outros. ''Lembro de Graciliano na minha escola em Maceió. Ele passou a mão na minha cabeça. Foi o meu batismo literário.''

Revista ÉPOCA)

 

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