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05-06-2008
Mostra homenageia os 400 anos de nascimento de Maurício de Nassau e os 350 anos da reconquista de Pernambuco RICARDO BONALUME NETO Um seminário internacional começa hoje no Museu Histórico Nacional (MHN), no Rio de Janeiro, comemorando duas efemérides aparentemente contraditórias: os 400 anos do nascimento do conde João Maurício de Nassau-Siegen, governador do Brasil holandês de 1637 a 1644, e os 350 anos da reconquista de Pernambuco aos holandeses, em 1654. O seminário também marca a abertura da exposição "A Presença Holandesa no Brasil: Memória e Imaginário", aberta ao público de amanhã a 5 de março de 2005. A contradição se explica pelo que representou a presença de Nassau na colônia. Segundo o historiador Evaldo Cabral de Mello, os sete anos de seu governo "constituíram um interlúdio de relativa paz entre dois períodos de guerra e se tornariam destarte uma espécie de idade de ouro do Brasil holandês". Mello, autor de livros clássicos sobre o período holandês, como "Rubro Veio: O Imaginário da Restauração Pernambucana" e "Olinda Restaurada", deverá fazer a conferência da sessão de encerramento do seminário, na sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), parceiro do MHN no seminário. Os temas do seminário abarcam a variada experiência da presença holandesa no país. Apesar de curta -uma breve ocupação de Salvador em 1624/1625 e de Pernambuco e outros pontos do Nordeste de 1630 a 1654-, a dominação holandesa produziu uma série marcante de fatos e realizações inéditas. Por exemplo, as primeiras moedas cunhadas no país foram holandesas, de forma obsidional. Foram feitas para pagar as tropas durante o cerco de Recife pelos luso-brasileiros. Moedas da coleção de numismática do museu farão parte da exposição, que inclui quadros, mapas, objetos do cotidiano e armas. Na coleção de canhões no pátio interno do museu, há um exemplar holandês, com o brasão da Companhia das Índias Ocidentais. Entre as novidades que os holandeses trouxeram está desde um incremento da arte e da ciência a uma maior tolerância religiosa. A primeira sinagoga das Américas foi fundada em Recife, e os primeiros estudos detalhados da fauna e flora brasileira foram obras de naturalistas trazidos pelos batavos. São bem conhecidos as grandes pinturas de índios e negros feitas por Albert Eckhout, hoje na Dinamarca. A exposição vai incluir pequenas cópias dessas pinturas, encomendadas por d. Pedro 2º durante sua passagem pela Dinamarca. A atuação dos naturalistas vai ser tópico de conferência do zoólogo Dante Martins Teixeira, do Museu Nacional/UFRJ. Já o papel da religião vai ser abordado por dois historiadores. Jorge Couto, da Universidade de Lisboa, falará sobre "Catolicismo "versus" Calvinismo", e Ronaldo Vainfas, da Universidade Federal Fluminense, tratará da "Questão dos Judeus Novos". O seminário começa com a conferência "Organização Política e Liturgias de Poder no Brasil Holandês", de Arno Wehling , presidente do IHGB. O diplomata Alberto da Costa e Silva, um dos principais historiadores brasileiros especialista na África, fará a conferência "O Velho e o Novo Mundo". Uma área particularmente
importante que tem sido tema de vários trabalhos recentes e a questão do
urbanismo colonial -"O Traçado Urbano" é o tema da palestra do arquiteto
José Luiz Mota Menezes, da Universidade Federal de Pernambuco e autor de
livros sobre a arquitetura e urbanismo de Recife e Olinda. Entre os pesquisadores estrangeiros presentes estarão Rolf Nagel, professor da Universidade Gerhard-Mercator, de Duisburg, Alemanha; Ernst van den Boogaart, autor de trabalhos sobre a expansão holandesa no Atlântico; e Gerhard Brunn, da Universidade de Siegen, que falará especificamente sobre a vida e obra de Nassau. (© Folha de S. Paulo)
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