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Na embolada de Alceu Valença

05-06-2008

Em apresentação acústica, Alceu Valença canta sucessos e inéditas do próximo CD: ''No novo disco, eu atiro para tudo que é lado''

O cantor e compositor pernambucano faz show no Teatro Castro Alves

Osmar Martins

   Faz algum tempo que Alceu Valença não canta em Salvador. Por isso, promete ser uma festa o show acústico que o cantor e compositor apresenta nestas segunda e terça-feiras, a partir das 20h, no Teatro Castro Alves, encerrando a última etapa do Circuito Cultural Banco do Brasil na capital baiana. É o que garante um animado, simpático e falante Alceu em conversa com a reportagem do Folha via telefone, de sua casa em Olinda.

   E no meio da conversa, quando soube que o show era no TCA, de pronto Alceu emendou: "Vou cantar na casa de meu colega Castro Alves", referindo-se ao fato de ele ter se formado na Faculdade de Direito de Recife, onde também estudou o poeta baiano cujo nome batiza a casa de espetáculos.

   Inquieto, Alceu não se prende a rótulos e modismos e joga em todas as posições, como faz questão de deixar claro. "Eu costumo fazer quatro tipos de shows: um para o Carnaval com maracatus, frevos e muitos metais; outro com formação pop/rock e um repertório específico; tem o show de São João, quando eu me transformo em Gonzagão e a banda tem sanfona, zabumba e triângulo e, finalmente, o show acústico, que tem muito improviso, além de músicas que raramente canto em shows e uma suíte de 15 minutos como se fosse um inventário de minha carreira. É um delírio total", contabiliza

   Acompanhado dos músicos Paulo Rafael (guitarra e violão), Lui Coimbra (celo) e Edwin de Olinda (percussão), Alceu promete também, para esse show, mostrar canções inéditas que farão parte de seu novo disco, batizado como Alceu Valença na embolada do tempo, que está pronto para ser lançado dentro de dois meses: "Nesse meu novo disco, eu atiro para tudo que é lado. Tem samba, bossa, maracatu, cantiga medieval. É um disco absolutamente sofisticado e popular, além de coroar tudo o que eu penso. Pelo fato de eu ter estilo, raiz e referências, o disco é a minha cara", resume o artista.

   Provocador, Alceu, que tem Luiz Gonzaga como um de suas maiores fontes de inspiração, além da natural admiração pelo rei do baião, não tem condescendência para o chamado forró eletrônico ou forró-lambada, muito em voga principalmente no Nordeste: "Existe o forró de verdade, mas existe o forró oportunista, que não tem nada de forró e deveria se chamar de toró, doró ou qualquer outro nome", esbraveja.

   Pernambucano de São Bento do Una, com mais de 20 discos lançados, Alceu Valença participou de vários festivais, a exemplo do Festival Universitário da extinta TV Tupi, ao lado do amigo Geraldo Azevedo, com quem gravou seu primeiro LP, em 1972. Mas ele se tornou conhecido nacionalmente no Festival Abertura, da TV Globo, em 1975, com a música Vou danado pra Catende. A partir dos anos 80 emplacou uma série de sucessos como Tropicana, Talismã, Cavalo de Pau, Coração bobo, Anunciação, Solidão, Na primeira manhã, Como dois animais e La Belle de Jour.

Correio da Bahia)

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